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sábado, 7 de outubro de 2017

Crítica: Blade Runner 2049 (ou a carta de amor a Denis Villeneuve) . 2017

Quando me preparo para começar a escrever um texto sobre um filme que gosto muito é sempre uma tarefa complicada. Tenho receio de me tornar demasiado exagerada, pretensiosa ou simplesmente que esteja a tentar moldar a minha adoração perante outros. Acho que é sempre mais fácil dizer mal, do que dizer bem, e é nos filmes que me deixam mais arrebatada que sinto essa dificuldade, e mais me faltam as palavras. Não é segredo nenhum, que aqui já várias vezes louvei o trabalho de Dennis Villeneuve, o realizador que rapidamente me fascinou desde o primeiro trabalho que dele vi. Acredito que ele é tudo aquilo que a minha geração procura viver no cinema, o entusiasmo de aguardar pela estreia do filme que queremos imaginar ser a próxima obra-prima que daqui a 35 anos vão continuar a falar. Tal como Ridley Scott transformou o seu Blade Runner, em algo que ainda hoje deixa marca a quem o assiste pela primeira vez, também Denis Villeneuve transformou esta sequela em algo só seu, com cunho pessoal que homenageia o trabalho de um veterano, aperfeiçoado por outro que converte o legado a algo muito superior. A maneira com que a história é respeitada, e os caminhos percorridos são traçados, eleva o espírito Blade Runner a toda uma outra dimensão, ainda mais complexa e mais interessante de ser experienciada, abordando questões sociais e humanas de forma metafórica, mas suscitando muitas outras dúvidas que nos perseguem muito depois do filme ter terminado. É na beleza dos planos, das cores e dos sets, é na forma crua e vulnerável que se apresentam os personagens das suas histórias, é na delicadeza das imagens e dos gestos, é nas palavras que por mais complexas ou confusas que possam ser, tocam de alguma forma. Nunca dúvidei das suas capacidades, mas tinha medo que com um peso destes sobre as suas costas o resultado não fosse propriamente o esperado. Roger Deakins ajudou construir a sua beleza visual, o jogo de luzes que se entranha pelos olhos adentro, e nos absorve para dentro de si. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch formam melodias melancolicas que arrepiam. O casting perfeito que leva Ryan Gosling ao limite e eleva Harrison Ford a um nível que há muito tempo não viamos. É como se Villeneuve conseguisse fazer magia em qualquer coisa em que pegue. 2049 é mais uma prova de como o seu trabalho é um dos mais interessantes que se fazem hoje em dia.

Muitos poderão achar exagero se colocar Denis Villeneuve no mesmo patamar de um Kubrick ou de Scorsese, mas a verdade é que ele consegue deixar me a cada obra sua mais e mais apaixonada pelo seu trabalho e pela genialidade com que consegue transmitir sentimentos e emoções através da lente da sua camera. Muito mais que uma review, esta acaba por ser a minha carta de amor a Villeneuve, tal como 2049 é a carta de amor de Villeneuve para Blade Runner.


Classificação final: 5 estrelas em 5.
Data de estreia: 05.10.2017

domingo, 20 de novembro de 2016

Crítica: O Primeiro Encontro (Arrival) . 2016


Quando gostamos muito de um realizador, é um pouco difícil não criar certas expectativas. Denis Villeneuve decide agora apostar num género diferente do que tem feito, seguindo os passos de Interstellar ou Gravity, onde os sentimentos do ser humano são explorados, ao mesmo tempo que a imensidão de um universo, o futuro e as complexidades do desconhecido são abordadas.

Misteriosamente, naves espaciais alienígenas aparecem em vários sítios no planeta Terra. Nada se sabe sobre elas, o que contêm ou o porquê de terem aparecido e escolhido aquelas localizações especificas. Louise Banks (Amy Adams), professora de linguística é escolhida pelo exército americano, para fazer parte da equipa de investigação em campo devido a um trabalho de tradução de alta segurança que tinha feito em tempos para o governo. Também fazem parte da equipa o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) e o coronel Weber (Forest Whitaker), e todos estão focados na importância do primeiro encontro com os seres desconhecidos que comandam as naves e nas suas intenções. No inicio do filme, vemos imagens do passado de Louise e da filha, que morre na adolescência. No seu olhar sentimos o amor, a mágoa e a dor da perda de um filho, e sabemos que apesar do seu pesar, ela terá um papel definitivo e propositado nesta história, onde o passado e o futuro se ligam de forma fortíssima, e os aliens não só têm algo a transmitir como abrem caminho a várias teorias.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Crítica: Sicario - Infiltrado (Sicario) . 2015


Podemos constatar que Denis Villeneuve tem um certo fascínio por histórias sombrias e misteriosas, que através de uma atmosfera absolutamente envolvente nos transportam para dentro da tela da forma mais hipnotizante que pode haver. Sicario é o perfeito exemplo de um excelente thriller de acção, apenas com alguns aspectos previsíveis mas que não prejudicam em nada a experiência final.

O filme lida com algumas das questões e consequências devastadoras das chamadas guerras da droga entre Estados Unidos e México. Kate Macer (Emily Blunt) é uma agente do FBI responsável por liderar uma unidade especial de narcóticos. Depois de descobrir cadáveres executados por um poderoso cartel, e mesmo com pouca experiência naquilo que é a verdadeira luta contra as drogas, é convidada para participar na missão que levará a cabo a descoberta do líder desse mesmo cartel. Kate e o seu parceiro de unidade (Daniel Kaluuya) seguem as ordens de um conselheiro de justiça (Josh Brolin) e do misterioso colombiano que o acompanha (Benicio Del Toro) sem nunca saber ao certo aquilo que os espera. A inexperiência de Kate torna-se uma angústia constante, o que fará vir ao de cima todas as suas inseguranças e medos reflectidos na sua postura e atitudes, quando começa a por em causa todo o propósito e valor da missão.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Crítica: Enemy (2014)


Bem, nem sei por onde começar. Enemy era um dos meus filmes mais esperados para este ano. O filme é baseado no livro de José Saramago chamado "O Homem duplicado" e a sua estreia foi constantemente adiada aqui em Portugal, mas agora eu entendo porquê de tanta espera. A sua estreia foi programada para o dia do 4 º ano aniversário da morte de José Saramago, vencedor de um Prêmio Nobel da Literatura em 1998 e um dos nossos maiores escritores de todos os tempos! Foi uma bela homenagem, afinal este país, infelizmente, não o elogiou tanto quanto ele merecia durante a sua vida. Ele tinha suas próprias filosofias, era um homem muito peculiar e diferente. Sendo ele contra a Igreja Católica num país onde a maioria das pessoas são católicas, prejudicou a sua escrita diante dos olhos de um país que, por vezes não consegue ver através das diferenças. Eu olho para o escritor não para o homem, até porque cada um é livre de pensar o que quiser, mas bem isso é outra história. Agora, de volta ao filme!

O Homem Duplicado é um thriller muito complexo, escuro, quase como um pesadelo com uma atmosfera absolutamente envolvente que vai confundir a nossa mente e oh, como eu gosto deste tipo de mind-f*cking filme! Sendo um filme que é baseado num livro de José Saramago e para quem conhece a sua escrita só pode estar à espera de uma narrativa muito metafórica, que nos faz puxar pela cabeça, misturando realidade com meros pensamentos. Eu já sabia que teria de prestar muita atenção a todos os detalhes e foi isso que fiz.
Também adorei a sensação claustrofóbica no ar, é quase como estarmos presos no filme e a banda sonora é absolutamente assustadora o que ajudou a criar esse sentimento.
Há algumas coisas que são deixadas a pairar no ar, mas eu tenho uma teoria muito forte para esta história. Este é um filme que requer mais do que uma visualização e acredito que se pode tornar mais especial a cada visualização. É muito difícil falar sobre ele sem contar elementos importantes sobre a história e por isso acho que é um filme que mais para ser experimentado e em seguida discutido.

O que posso dizer mais sobre Jake Gyllenhaal que não tenha dito antes? Ele deve ser um dos actores mais subestimados de todos os tempos e ele é muito bom! Não me lembro de ter visto um único mau desempenho dele. Mais uma vez ele brilha e o que pode ser melhor do que ter, não um, mas dois Jake's Gyllenhaal?

Eu não vejo toda a gente a conseguir disfrutar este filme, alguns podem pensar que é muito lento ou muito chato. Alguns vão sentir-se muito incomodados com a atmosfera e com o que estão a assistir, mas para mim funcionou ainda melhor do que o que eu estava à espera.

O realizador Canadiano Denis Villeneuve já me tinha espantado com o seu filme Prisoners, um dos meus favoritos do ano passado e ele surpreendeu-me mais uma vez com outro trabalho fantástico realizando este magnifico Enemy.

Enemy ou O Homem Duplicado estreou na passada quinta-feira dia 19 de Junho e encontra-se (não em muitas infelizmente) nas salas de Cinema.






Classificação final: 5 estrelas em 5.