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domingo, 20 de maio de 2018

my (re)view: Nunca Estiveste Aqui (You Were Never Really Here) . 2017


Assoberbado por um espírito bastante misterioso e ao mesmo tempo inquietante, You Were Never Really Here é daquelas experiências difíceis, mas que perduram na memória, onde a violência está presente e onde por vezes temos dificuldade em distinguir o que é realidade do que não é. De atmosfera bastante intensa, transportando uma grande melancolia, a realizadora Lynne Ramsay deixa-nos ser nós próprios a preencher os pedaços no vazio, tornando a experiência ainda mais interessante. Um jogo difícil e complexo sobre um homem de personalidade destrutiva, agressiva, mas doce ao mesmo tempo, que depois de se ter reformado de uma vida às ordens da lei, vive agora à margem resgatando jovens desaparecidas por conta própria. Joaquin Phoenix tem aqui mais uma performance de topo, tendo ganho o ano passado no Festival de Cannes o prémio de melhor actor, título único, depois de infelizmente o filme ter caído no esquecimento de todas as outras atribuições de prémios durante o ano. A força da realização de Ramsay e a impecável performance de Phoenix são o maior triunfo, onde o título faz muito mais sentido quando reflectimos sobre a importância do tema.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

flash review : Okja . 2017


Okja, de Bong Joon Ho (2017)

Para qualquer amante de animais, é difícil não ficar emocionado com aquilo que constatamos aqui. Uma história sobre amizade, mais propriamente a amizade entre humanos e animais, que só quem sabe o valor que estas relações têm pode entender. Okja foi bastante comentado desde a sua estreia no Festival de Cannes há uns meses, e o burburinho foi tal que criou em mim diferentes ideias daquilo que estaria afinal perante mim. Muito mais que um filme sobre amizade, Okja é um filme sobre politica e direitos, que poderia ter arriscado muito mais, mas que não desaponta na bonita mensagem que transmite. Apesar da falta de desenvolvimento de algumas ideias ou da necessidade de inserir cenas em contexto, a fasquia mantém-se elevada com as magnificas performances da protagonista Ahn Seo-hyun, a camaleónica Tilda Swinton e de um Jake Gyllenhaal super tresloucado! Não podemos esquecer o adorável Okja, pelo qual aproveito para elogiar a qualidade de efeitos especiais que transportam super-porcos para os dias de hoje. Bong Joon Ho fez um filme fofinho, mas com conteúdo.

Classificação final: ★★★★

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Crítica: Café Society . 2016


Há quem diga que a originalidade de Woody Allen está acabada, mas eu prefiro dizer que ele gosta de ser manter fiel ao seu estilo, escrevendo sobre os temas que mais lhe dão gozo explorar. Café Society é o que nos apresenta este ano, um belo tributo à Hollywood dos anos 30 com as instrospecções habituais dos personagens centrais à mistura.

Bobby Dorfman (Jesse Eisenberg) é um jovem nova iorquino, que procura uma oportunidade de vida diferente, visto trabalhar com o pai e estar saturado da rotina como joalheiro em Nova Iorque. Bobby decide então mudar-se para Los Angeles, para trabalhar com o seu tio Phil (Steve Carell) um agente de renome das grandes estrelas do cinema. Quando Phil apresenta a sua secretária Vonnie (Kristen Stewart) a Bobby este apercebe-se que ela é o oposto do estereotipo de rapariga a viver em LA e cai imediatamente nos seus encantos, mas quando se declara, ela diz-lhe que tem namorado. Entre as saídas com Vonnie e os cocktails glamorosos em casa do tio, Bobby continuar a estar bastante ligado à família, mantendo constante contacto com a mãe (Jeannie Berlin) cheia de altas expectativas para si, com as peripécias do irmão Ben (Corey Stoll) um respeitável gangster no mundo do crime e com a irmã (Sari Lennick). 

sábado, 30 de abril de 2016

Crítica: A Lei do Mercado (La Loi Du Marché) . 2015


Realizado por Stephane Brize, A Lei do Mercado é o retrato da dura realidade que é o desemprego, demonstrando de forma simples e bastante concreta, o exemplo de um homem que enfrenta essa situação. Esteve seleccionado para competir pela Palma de Ouro no Festival de Cannes 2015, tendo ganho o prémio de Melhor Actor para Vincent Lindon.

Thierry Taugourdeau (Vincent Lindon) de 51 anos, está desempregado há 18 meses, depois de ter perdido o emprego como operador fabril. Encontra-se agora a receber o pouco que lhe é atribuído pelo subsidio de desemprego, sendo persistente na procura de emprego. Thierry dá o seu melhor para voltar à normalidade que tinha há mais de um ano atrás, mas torna-se cada vez mais difícil sustentar a mulher e o filho com necessidades especiais. Quando finalmente consegue encontrar trabalho, como vigilante num supermercado, Thierry vê-se agora numa posição delicada. Depois de meses de tormento e frustração, poderá ser agora ele o responsável pelo despedimento e humilhação de outros.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Crítica: Mustang . 2015


Em pleno século XXI, ainda existem realidades difíceis de compreender. Adorável mas ao mesmo tempo passando uma atmosfera de sufoco e contensão, Mustang é uma belíssima representação da chocante realidade vivida por jovens adolescentes subjugadas às regras da sociedade em que vivem. Realizado por Deniz Gamze Ergüven, foi muito elogiado no ano passado no Festival de Cannes e está nomeado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano.

Numa pacata aldeia Turca, cinco irmãs órfãs - Lale (Günes Sensoy), Nur (Doga Doguslu), Ece (Elit Íscan), Selma (Tugba Sunguroglu) e Sonay (Ilayda Akdogan) - encontram-se numa praia a festejar o fim do ano lectivo, e o começo das tão esperadas férias de Verão. Quando uma vizinha observa a inocente diversão entre as meninas e os rapazes amigos de escola, conta à avó das mesmas, alegando que o seu comportamento teria sido inaceitável e desrespeitoso. Ao chegar a casa são de imediato recebidas com agressividade. A revolta das irmãs, fruto da rebeldia da juventude, toma conta do seu dia-a-dia e a partir daí as reprimendas tornam-se constantes e os castigos cada vez mais severos, chegando ao ponto de estarem presas dentro de casa sem poder sair. Aos poucos a avó começa a trazer pretendentes para casa, determinada a casar as mais velhas para que possam sair de casa o mais rápido possível.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Crítica: As Mil e Uma Noites: Volume 1, O Inquieto . 2015


Depois de ter estado na Quinzena de Realizadores no Festival de Cannes 2015, ter tido uma aceitação extraordinária por parte da crítica e do público, e posteriormente ter ganho o prémio de Melhor Filme no Festival de Sidney 2015, chega agora a todas as salas portuguesas, o primeiro segmento da trilogia As Mil e Uma Noites do realizador português, Miguel Gomes. A obra, que no seu todo conta com aproximadamente 6 horas, dividida em 3 partes, apresentando-nos múltiplas histórias seguindo a estrutura do épico "As Mil e Uma Noites", onde uma série de histórias são contadas ao rei Xeriar, pela esposa Xerazade.     

Este é o genial retrato de um Portugal actual, com as suas virtudes e os seus defeitos, com a austeridade como pano de fundo e as consequências da mesma sempre bem presentes, balançado entre a comédia e o drama, recheado de momentos brilhantes, criativos, alguns até bastante peculiares, mas todos eles cheios de um enorme significado. Em As Mil e Uma Noites: Volume 1, O Inquieto encontramos um tom bastante nostálgico, onde as diferenças entre classes são uma certeza, onde a realidade vs ficção se encontram de forma complexa mas ao mesmo tempo bastante simples. Fazendo por vezes uma clara sátira ao estado do país e do governo, o povo é sempre enaltecido demonstrando a sua força e perseverança perante variadas situações, mas também mostrando um forte lado emocional quando necessário.