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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

my (re)view: O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer) . 2017



Steven (Colin Farrell) é um cirurgião cardiologista cuja rotina passa por encontros diários com um jovem adolescente chamado Martin (Barry Keoghan), encontros que inicialmente nos são mostrados sem razão aparente. Steven vê-se obrigado a contar à sua mulher Anna (Nicole Kidman) e aos seus dois filhos o porquê da relação entre os dois, convidando o jovem para um jantar em sua casa. Existe uma tensão esquisita no ar, até que a verdadeira razão da aproximação dos dois personagens é por fim revelada numa cena em que Martin ameaça o bem estar de toda a família de Steven e acontecimentos estranhos começam a surgir. Yorgos Lanthimos já me tinha surpreendido bastante em 2015 com o irreverente The Lobster, volta agora a fazê-lo com mais uma demonstração art house, que mistura um certo factor creepy com o horror psicológico e várias alegorias. The Killing of a Sacred Deer é absolutamente arrepiante. Enquanto vamos caminhando por um percurso complexo cheio de perguntas, muitas delas, às quais não sabemos responder, o filme vai jogando com os nossos sentimentos, enquanto os próprios personagens vão jogando com os deles entre si. Extremamente interessante. Mind games a um alto nível.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

CINEPHILIA | Moulin Rouge! (2001)


Viva a celebração do amor! Moulin Rouge! pode ter todos os defeitos do mundo e mesmo assim consegue ser incrivelmente cativante, entrando no ano de 2001 para a categoria de filmes para ver antes de morrer. Baz Luhrmann constrói uma ode moderna ao romantismo, contendo todos os truques necessários para o sucesso de uma história de amor, por vezes bem lamechas, outras vezes bem original, divertido, colorido, glamoroso e apaixonante. É estranho como a sua estranheza se entranha facilmente e uma irresistível vontade de o rever cresce, provocando até aos menos susceptíveis aos temas amorosos um certo bichinho armado em cupido com graves repercussões que causam sintomas de visionamentos em loop.

Tudo se passa em 1900. Christian (Ewan McGregor), um jovem poeta britânico, decide tentar a sua sorte em Paris, considerada por muitos como cidade boémia e cheia de liberdade onde tudo é possível para um artista e triunfar é fácil. Por lá é acolhido pelo pintor Toulose-Lautrec (John Leguizamo) e seus amigos, habituais frequentadores do Moulin Rouge, o famoso bordel de Harold Zidler (Jim Broadbent), onde reina o sexo, as drogas e o cancan de inúmeras e belíssimas mulheres. A maior estrela de todas é Satine (Nicole Kidman), e Christian fica absolutamente rendido aos seus encantos. Loucamente apaixonado, Christian é confundido com o poderoso Duque de Monroth (Richard Roxburgh), potencial investidor do cabaret, e Satine acaba por se apaixonar também por ele. Christian acaba por viver uma paixão arrebatadora, percebendo o verdadeiro sentido do amor, que tem tanto de belo como de trágico, pois mais vale viver um grande amor do que nunca ter vivido amor algum.

Considerado por muitos como um dos piores dos últimos tempos, Moulin Rouge! é dos tais que se ama ou se odeia. Frenético, exagerado, extravagante é um autentico espectáculo visual que contém um pequeno toque de muitas das histórias de amor mais famosas de sempre. Baz Luhrmann usa a música para contar uma história, misturando elementos modernos e modificando letras e arranjos de forma a que sejam adaptadas e inseridas num contexto próprio. A música como elemento de cultura pop é contrastada com o ambiente La Boheme francês criando um ambiente interessante e uma forte conexão com a audiência. O enredo é inspirado essencialmente nas obras de Verdi, Puccini e Offenbach, transformando a visão do que seriam as operetas do século XIX. O componente teatral está sempre presente, desde o aspecto cenográfico à representação do elenco de peso, liderado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, que imortalizam Satine e Christian, e os transformam num dos casais mais carismáticos do cinema. À medida que vamos avançando na história, esta fica mais sombria, nunca perdendo o encanto, mas largando aos poucos a alegria mergulhando na tristeza profunda de um amor que sabemos que não irá prevalecer. O estilo muitas vezes sobrepõe-se à substância, mas nunca tentar ser algo mais do que é suposto.

É impossível não admirar o esforço criativo de todos os aspectos do filme, que sem medo de arriscar foram pioneiros numa viragem no que toca ao estilo musical em Hollywood, onde o tradicional e o moderno se transformam e se complementam. É fácil entrar no espírito e viver esta experiência espectacular, onde a musica e as cores retratam o poder do amor.

"The greates thing you'll ever learn is just to love and be loved in return".

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica: Lion - A Longa Estrada Para Casa (Lion) . 2016


Realizado por Garth Davis, Lion - A Longa Estrada Para Casa é o filme baseado no livro "A Long Way Home" de Saroo Brierley, contando a sua história de vida como pobre menino indiano que se perde da família com apenas cinco anos e vai parar à Austrália à casa de um casal da alta sociedade. 

No final dos anos 80, na Índia, um menino de seu nome Saroo (Sunny Pawar) separa-se do irmão numa estação de comboio, quando este se ausenta para trabalhar. Saroo acaba por ir parar dentro de um comboio a imensos quilómetros de distancia de casa, desorientado e sem saber como regressar para junto do irmão e da mãe. Depois de andar a vaguear pelas ruas durante um tempo, sujeito a muitos perigos e situações complicadas, acaba por ir para a um orfanato. Posteriormente é enviado para a Tasmania, onde começará uma nova vida junto de um casal australiano (Nicole Kidman e David Wenham) que o decide adoptar. Avançamos no tempo vinte anos e encontramos um Saroo (Dev Patel) diferente, sempre transparecendo um certo vazio no olhar, que mesmo com uma vida aparentemente perfeita, se sente cada vez mais incompleto à medida que vai conseguindo relembrar alguns dos momentos que passou com a família biológica. Através da namorada (Rooney Mara) e um grupo de amigos, Saroo descobre a mais recente invenção da Google, o Google Maps e é então que se dedica dia e noite pela busca da sua verdadeira família. Um filme sobre sentimentos e relações que aborda adopção, pobreza e o real sentido de felicidade e do amor sob diferentes formas.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Crítica: Cenas de Família (The Family Fang) . 2015


Jason Bateman é bem conhecido no mundo da comédia, tendo feito parte de alguns sucessos do género ao longo dos últimos anos, mas a sua faceta de realizador, num registo um pouco mais sério é algo que certamente poderá ter pernas para continuar a andar. Cenas de Família é um indie aparentemente light, mas que rapidamente se transforma em algo melancólico, abordando temas familiares interessantes.

Annie (Nicole Kidman) e Baxter (Jason Bateman) são dois irmãos fortemente marcados pela infância atribulada que tiveram, quando se viam envolvidos pelas performances artísticas dos seus pais (Christopher Walken e Maryann Plunkett) que viviam para atrair a atenção de pessoas comuns, ao encenar pequenas situações com o objectivo de provocar várias emoções surpreendendo o público. A quantidade de aparições ao longo dos anos 80 e 90, fizeram com que esta família se torna-se famosa, e como consequência a imagem de Annie e Baxter ficaria associada à fase em que o mundo os conhecia e intitulava de Child A e Child B. Hoje, Annie é uma actriz conceituada e Baxter um pseudo autor de romances, ambos com a particularidade de viver presos a um passado que tem tanto de longínquo como de recente, pois perante um per causo terão de lidar novamente com a peculiaridade dos seus pais que escondem um segredo. Tudo isto os fará reviver momentos, e até encontrar respostas certas com a ajuda da maturidade que outrora não teriam.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Crítica: Rainha do Deserto (Queen of the Desert) . 2015


Escrito e realizado pelo alemão Werner Herzog, Rainha do Deserto é o biopic sobre a inglesa Gertrude Bell, exploradora e aventureira que acabou por ter um papel importante na politica do Império Britânico, devido aos contactos que ia estabelecendo durante as suas viagens pelo domínio Otomano. Apesar de respeitar todo o período histórico no que toca a cenários e guarda-roupa, e ser detentor de uma enorme beleza visual e vibrante banda sonora, é pena que decepcione, tornando-se tão insignificante quando acaba por não transparecer nada do que seria suposto.

Aqui visitamos alguns dos acontecimentos da vida de Gertrude Bell (Nicole Kidman), uma mulher que queria viver para além do seu tempo. Com uma paixão imensa pela descoberta de novos lugares e uma clara energia para partir à aventura, desde cedo mostrou vontade de marcar a diferença. As divergências politicas e sociais durante o colonialismo inglês despertavam em si curiosidade e desde muito cedo escolheria enriquecer a sua personalidade procurando novas experiências. Com imagens deslumbrantes do deserto como pano de fundo, esta é a história de uma mulher inglesa no meio do mundo Árabe, que deu a conhecer melhor os seus costumes e cultura, mantendo sempre a paz e o respeito, o que os levou inevitavelmente a acarinha-la, apelidando-a de "Rainha do Deserto".