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domingo, 12 de março de 2017

Crítica: São Jorge . 2017


Este é o retrato da crise que Marco Martins decidiu mostrar. O retrato dos pobres que ficaram ainda mais pobres, dos bairros que no linear da pobreza continuam a passar muitas vezes despercebidos. São Jorge é o reflexo das consequências da crise, que muitas vezes incitam ilegalidade, marginalidade, violência, criando a instabilidade social e emocional de um país. Nuno Lopes está grandioso e interpreta aqui um personagem triste e frustrado, vivendo a angustia presente em muitas famílias afectadas pelo monstro económico.

Com a chegada da troika a Portugal em 2011, o numero de endividamentos aumentou astronomicamente. O recorrer aos créditos fáceis passou a ser um dos recursos mais utilizados para tentar sobreviver à crise instalada. Posto isto, surgem inúmeras agências que compram dividas e fazem de tudo para conseguir o retorno das mesmas. Jorge (Nuno Lopes) é um pugilista que lida com a realidade do desemprego, vivendo num bairro social, o que perante a sociedade não facilita nada as coisas. Ao lidar com a possível ida do filho Nelson (David Semedo) e da ex-mulher Susana (Mariana Nunes) para o Brasil, Jorge vê-se obrigado a procurar trabalho como cobrador de dívidas numa dessas agências, deparando-se com realidades semelhantes à sua, de indivíduos que como ele, tentam todos os dias sobreviver a um país na banca rota, na esperança que o dia seguinte seja melhor.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Crítica: Viva La Libertà (2013)




Tal como prometido aqui fico o testemunho da minha passagem pelo 8½ Festa do Cinema Italiano. Já tinha comentado por aqui que este seria a minha principal escolha do festival, a cima de tudo derivado ao facto do actor principal ser um que gosto bastante, mas disso já falarei mais adiante. 

Um festival que está cada vez mais em crescimento, graças à preciosa ajuda de vários patrocinadores. Já vai na sua 7ª Edição e espero que continue durante muitos anos. Foi um serão muito agradável passado no mítico Cinema São Jorge onde a sensação de ir ver um filme sabe a algo totalmente diferente. Para quem admira cinema, mesmo para aqueles que vão menos vezes, estar naquele ambiente é algo que tem outro sabor, ainda mais se for para assistir ao filme na bela Sala Manoel de Oliveira, uma das mais belas salas de cinema que talvez já se viu, pois guarda toda uma mística daquilo que era ir "em tempos" ao cinema.

Sala Manoel de Oliveira - Cinema São Jorge

Agora vamos falar sobre o filme.


Em Viva La Libertà seguimos o líder do partido de oposição na Itália, Enrico Oliveri. Ele está a lidar com um alguns problemas dentro e fora do partido. Em plena época de Eleições Europeias, estando ele a concorrer como secretário geral do partido, as sondações mostram que as coisas não estão muito boas para o seu lado e provavelmente irá perder as eleições. Ele encontra-se num estado depressivo e de repente decide fugir nesse momento decisivo para partido. Bottini, o seu assessor decide resolver o problema quando descobre que Olivieri tem um irmão gémeo, Giovanni Ernani, e pede-lhe para substituir Olivieri. Os dois irmãos não se vêem há 25 anos, mas o principal problema é que Ernani acabou de sair de um hospital psiquiátrico e parece não estar muito estável mentalmente... Imaginam o que está por vir?... Apesar do enorme risco Bottini e Anna, a mulher de Olivieri, decidem levar este segredo avante e enganar toda a gente.

O roteiro é incrível e vai nos enganar um pouco ao início. O ritmo é lento, com uma atmosfera pesada que dura nos primeiros 15 ou 20 minutos, mas depois temos uma grande surpresa e o que pensávamos que seria um filme sobre um lado escuro da vida política acaba por ser um filme muito engraçado, muito inteligente e real. Cheio de momentos hilariantes é impossivel não rir muito!

O filme reflecte a realidade política não só da Itália, mas também em muitos outros países da Europa e do mundo, mas a principal mensagem do filme é sobre outra coisa (que por um lado também está definitivamente relacionada connosco enquanto cidadãos) e essa mensagem é nos entregue de uma forma muito bela, deixando-nos a reflectir com um sorriso enorme no rosto.

Toni Servillo é um dos maiores actores de sempre, disso tenho a certeza! A minha adoração por ele cresce após cada filme que vejo. A suas habilidades enquanto actor estão fora deste mundo! Ele é a alma do filme, sem ele, nada teria sido tão bom como é. (E como é que um actor destes não é mais reconhecido em todo o mundo?)

Um grande filme Italiano com um desempenho principal absolutamente brilhante. O título é perfeito e faz todo o sentido em todos os aspectos individuais do filme. E quanto a isso não vos posso adiantar mais nada, pois perderia toda a graça. Recomendo vivamente este muito actual e excelente filme de Roberto Andò.




Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

8½ Festa do Cinema Italiano




Depois de vos falar um pouco sobre 8½ do realizador Italiano Federico Fellini nada mais apropriado do que vos convidar a irem à 7ª Edição do "8½ Festa do Cinema Italiano". Ideal para promover o cinema Europeu não muito valorizado ainda no nosso país, mas ainda assim com filmes muito interessantes. Uma iniciativa que nasceu exactamente com o propósito de promover a cultura Cinematografica Italiana trazendo a Portugal alguns dos melhores filmes que o cinema Italiano tem para oferecer.

Na sessão de abertura do Festival o filme em cartaz será Viva La Libertá de Roberto Andó, que conta no papel principal com Toni Servillo (La Grande Bellezza, Le Conseguenze Dell'Amore) um dos meus mais recentes actores favoritos. Eu vou lá estar, portanto daqui a uns dias partilharei aqui os meus pensamentos sobre o filme. Mas posso-vos afirmar desde já dizer que Toni Servillo é o principal motivo que me leva a escolher este filme em particular.

Em Lisboa, as sessões do Festival estarão repartidas por 2 sítios, o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

Para mais informações sobre o programa e não só podem consultar o site: http://www.festadocinemaitaliano.com