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sábado, 26 de janeiro de 2019

my (re)view: Serenidade (Serenity)


Serenity, de Steven Knight

Bizarro é provavelmente a primeira palavra que me ocorre dizer sobre este filme. Bizarro porque não estamos à espera da quantidade de momentos insólitos a acontecer já para não falar do desfecho surreal da história que deita por terra todas as boas hipóteses do que se pensa que poderia acontecer. Tudo aponta para um filme de suspense envolvendo um possível homicídio, mas esta é afinal uma mistura de thriller sobre o mundo virtual com o plano espiritual sem narrativa estruturada a estes dois pontos. Apesar da incoerência dos factos e do espanto que as revelações que vão surgindo nos causam, ficamos na mesma interessados em saber até onde é que afinal vamos parar. Matthew McConaughey é uma dádiva para este filme onde a melhor coisa com que podemos contar é a sua presença e onde damos graças ao universo pelo tempo de ecrã de Anne Hathaway não ser muito - um ódiozinho de estimação meu, fechando os olhos à sua pessoa no Devil Wear's Prada! Uma história que tenta ter uma dimensão demasiado profunda utilizando artefactos desleixados, cheia de metáforas que perdem significado quando damos por nós a soltar pequenas gargalhadas perante alguma da estupidez dos acontecimentos.

Classificação final: 2 estrelas em 5.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Crítica: Locke (2014)


Um homem e o seu carro. O nome desse homem é Ivan Locke, um chefe de construção de obras. A sua vida vai mudar completamente durante uma hora e meia de viagem no seu carro enquanto fala com várias pessoas ao telefone via bluetooth. Logo no inicio descobrimos o destino dessa viagem e ao longo do filme seguimos e percebemos os problemas deste homem. 

Tom Hardy é um actor de excelência por isso, mesmo antes de ver o filme já sabia que daria tudo dele, como ele sempre faz. Este filme não é exactamente um monólogo, mas está próximo disso já que o único personagem que vemos é o de Hardy. Ele transmite sempre as suas emoções da forma certa, não importa a dificuldade do papel, e este papel foi trabalho árduo. Ele tem a capacidade de nos manter interessados ​​e usando a tensão e o desespero certos. Realmente sentimo-nos conectados com Ivan Locke. Tom Hardy precisa de mais elogios do que normalmente recebe, tão subestimado e tão bom! 

O filme é definitivamente bom, mas não vemos o que ele nos vende no trailer. Para mim foi um drama sólido e não um thriller emocionante. Assistimos a um homem que tenta fazer a coisa certa. Contra o que o seu coração quer, na sua cabeça ele acredita que precisa assumir um erro para não ser assombrado por fantasmas do passado que o levam às recordações menos felizes de sua infância e adolescência. Outra coisa que me incomodou na história foi o facto do escritor (que também é o realizador deste filme, Steve Knight) ter insistido muito sobre o que eu vou chamar de "conversa de betão". Eu percebo que o realizador queira provar que Ivan Locke é um apaixonado pelo seu trabalho e não só, uma vez que o betão é usado em fundações de edifícios e vamos entender a um certo ponto da história, porque é que a "base de uma estrutura" é uma chave muito importante e a metáfora do filme e também porque é que Locke é tão obcecado com isso. Apesar do significado que possa ter, senti que não era necessário tanta insistência nesse aspecto.

A melhor coisa sobre o filme (para além da performance de Tom Hardy) é o fato de que, além de se preocupar com o personagem principal e o único que vemos o filme fez-me preocupar com todos os outros personagens e nunca os vemos! Sentimos as suas emoções só através das suas vozes e isso foi muito bom. 

Locke é sem dúvida um filme diferente, com uma cinematografia e edição interessantes. Fazer um filme apenas dentro de um carro, numa auto-estrada não é uma coisa fácil de fazer e nem mesmo por causa disso sentimos menos energia, mas a trama enganosa pode ser a nossa maior decepção.

Locke estreou no passado dia 26 de Junho e está em exibição nas nossas salas de Cinema, mas infelizmente em muito poucas... O grande problema da maioria dos filmes independentes, que lá por o serem não quer dizer que sejam menos bons!




Classificação final: 3,5 estrelas em 5.