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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

flash review : A Ghost Story . 2017


A Ghost Story, de David Lowery (2017)

Dificilmente se recupera de um luto e infelizmente em alguma altura das nossas vidas, já passamos por esse sofrimento. Para todos nós, há maneiras de superar a perda, que passam pelos mais variados aspectos, mas será que aqueles que partem, sofram também desse pesar!? A Ghost Story explora aparentemente o outro lado da moeda, o lado de quem parte, imaginando como seria se os espiritos sentissem solidão sem aqueles continuam no mundo dos vivos. David Lowery retrata este conto através da perspectiva de Casey Affleck, um homem que acaba de falecer e vê a esposa Rooney Mara em constante sofrimento, tendo mais tarde de abandonar a casa onde viviam, deixando-o preso naquelas quatro paredes. O ritmo é lento, e envereda por caminhos cujos quais não estamos à espera, sendo muito mais um filme de introspecção do que algo do género "casa assombrada". O twist final é bastante interessante e chegamos até uma ideia mais profunda, que tanto pode explorar a morte como pode tentar explicar afinal o que é o sentido da vida. No entanto, confesso que tinha uma ideia diferente daquilo que me esperava e apesar de não deixar de ser interessante, os rasgos de Malick são um pouco desnecessários e querem torná-lo mais complicado do que aquilo que é.

Classificação final: ★★★½

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Crítica: Amor de Improviso (The Big Sick) . 2017


Mas quem é que não gosta de uma bonita história de amor? O problema hoje me dia, está na abordagem aos personagens e nas situações apresentadas que já pouco ou nada surpreendem. Felizmente existem indies deste género, que ainda nos fazem verdadeiramente acreditar no que é o amor. Tem tanto de comédia como de tragédia, e é das relações familiares, culturais e dos precauços de vida que se faz este filme, fazendo nos adorar esta comédia romântica tanto de forma light como de uma forma mais profunda.

Da história de vida real do casal Emily V. Gordon (no filme interpretada por Zoe Kazan) e de Kumail Nanjiani (que faz de si próprio) nasce o argumento para esta comédia romântica, produzida por Judd Apatow e realizada por Michael Showalter. O projecto já andava há uns anos a ser desenvolvido pelo casal, que escreveu uma espécie de homenagem ao seu relacionamento, relatando uma história de amor um tanto ou quanto estranha, quando Kumail se apaixonou, pela actual mulher Emily, quando esta se encontrava em coma devido a uma infecção súbita bastante grave. Kumail é um motorista da uber, que sonha vir a ser um dia uma estrela de standup comedy. Uma noite, conhece Emily e há química entre os dois. Sem saberem, iriam viver passado uns meses, a experiência traumática que criaria laços fortes e os ligaria emocionalmente de forma muito forte.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Crítica: Amor e Amizade (Love & Friendship) . 2016


Amor e Amizade é a comédia romântica, escrita e realizada por Whit Stillman, adaptado do romance Lady Susan de Jane Austen. Divertido e bastante preciso naquilo que pretende obter, este é o tipo de filme que no nosso intimo temos dúvidas se verdadeiramente nos irá agradar, mas o resultado final é calorosamente e inesperadamente bom.

A viúva Lady Susan Vernon (Kate Beckinsale) procura refugiar-se na propriedade dos seus cunhados Catherine Vernon (Emma Greenwell) e Charles Vernon (Justin Edwards), longe da azafama da grande cidade, assim que rumores sobre a sua vida privada começam a circular por toda a sociedade. A verdade é que Lady Susan, viúva, sedutora, sofisticada e sem papas na língua, mantém um caso com um homem casado e procura avidamente um marido abastado para si e para a sua filha Frederica Vernon (Morfydd Clark), alguém que lhes proporcione a vida de luxo que segundo ela merecem. Assim que chega a casa dos cunhados, Lady Susan fica encantada com o irmão mais novo de Catherine, Reginal De Courcy (Xavier Samuel) e encorajada pela sua melhor amiga Alicia Johnson (Chloë Sevigny) está disposta a assegurar um futuro financeiro com o jovem rapaz, ao mesmo tempo que o manipula e este a ajuda a despistar os seus esquemas e rumores da sua má conduta. Mas mesmo quando pensa ter tudo calculado, as coisas não acabam por não correr tão bem como imaginava.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Crítica: Turbo Kid . 2015


Em 1997, num suposto futuro pós-apocalíptico, onde a água é o recurso mais poderoso, um órfão apelidado de The Kid (Munro Chambers), passa os seus dias a vaguear de bicicleta pela cidade tentando encontrar objectos de valor para que possam ser trocados por bens mais preciosos. Um dia dá de caras com uma jovem bem peculiar chamada Apple (Laurence Leboeuf), com quem começa a nutrir uma relação de afectividade, coisa que não sabe o que é desde que perdeu os seus pais. A cidade é liderada por Zeus (Michael Ironside), e as suas regras sempre prevalecem, mas a bravura e imaginação de The Kid irão leva-lo mais além, travando uma batalha épica e mudará para sempre a vida de todos os seres que habitam aquelas terras.

Claramente influenciado pelos anos 80, mistura elementos retro com o toque moderno que os recursos actuais do cinema lhe podem dar. A sua cinematografia é absolutamente deslumbrante e a atmosfera intrigante, num mundo onde cowboys, vilões desgovernados, dinossauros, robots e super poderes existem, todos bem acompanhados por uma banda sonora à la John Carpenter style. Há claramente algo de Max Rockatansky em The Kid, e a estrutura da história está definitivamente colada aquilo que George Miller fez nos Mad Max, mas conseguimos facilmente olhar para ele como uma forma vibrante, colorida e absolutamente louca de retratar um mundo semelhante a esse. O humor é usado em grande dose, e o gore em excesso, mas tudo sempre contribuindo para nossa diversão, chegando a satirizar, por vezes em exagero os particulares b-movies.

domingo, 6 de setembro de 2015

Crítica: Listen Up Philip . 2014


Philip (Jason Schwartzman) é um pretensioso escritor que  aguarda a publicação do seu novo romance. Egocêntrico e constantemente preocupado com os seus problemas existenciais, Philip encontra-se numa fase da vida em que se sente aborrecido e solitário. Para além disto ele terá de lidar com a conturbada relação com a actual namorada Ashley (Elizabeth Moss). Porém, no meio de toda esta fase complicada, ele conhece um dos seus ídolos, o famoso escritor Ike Zimmerman (Jonathan Pryce) que lhe oferece a sua casa de campo, para o ajudar a encontrar paz, pela busca de criatividade. Philip só não contava com a presença da filha de Zimmerman (Krysten Ritter) na casa, o que irá dificultar um pouco a sua estadia.

O realizador e argumentista Alex Ross Perry, opta por algo que é uma mistura entre o oldfashioned e o Woody Allen style, onde os personagens neuróticos e os seus problemas existênciais tomam as rédeas da trama, tornando-se fascinantes, não só pela boa escrita, mas também por culpa das óptimas performances do elenco de actores. Original na forma de realização, nos planos utilizados, cru mas ao mesmo tempo elegante e muitas vezes agressivo e irritante na forma como situações são apresentadas, mas sempre com uma genialidade própria e peculiaridade deliciosa.

sábado, 28 de junho de 2014

Crítica: Calvary (2014)


Calvary ou se preferiram Calvário esteve a sua estreia no Festival de Sundance no inicio desde ano. É do realizador e escritor John Michael McDonagh que realizou em 2011 a comédia de humor negro chamada The Guard que teve por sinal boas críticas mas ainda não vi. Tal como na sua estreia como realizador este seu novo filme teve igualmente boas críticas e fiquei logo de olho nele.

O filme começa com o Padre James, o personagem principal da história, num confessionário.  Do outro lado do confessionário está um paroquiano que ameaça matá-lo. Padre James sabe que não fez nada de errado, mas o outro homem afirma ser tido sido molestado por outro sacerdote, quando era criança. Esse padre está agora morto, mas aos seus olhos o Padre James vai ter de pagar por um pecado que não cometeu. Durante toda a cena só vemos Padre James, só ele sabe quem o ameaçou mas perante nós é lançado o mistério...

Um drama muito sombrio e intrigante com um toque de humor negro. Vamos começar a tentar adivinhar quem é o suposto assassino misterioso ao longo de toda a história, e nunca vamos ficar aborrecidos. Todos os personagens são muito peculiares e gostei de todos eles. Performances fortes por parte de todo o elenco, especialmente por Brendan Gleeson que é maravilhoso! Os diálogos são muito bons e há algumas citações memoráveis​​. Com uma excelente banda sonora e as paisagens Irlandesas são absolutamente lindas de se ver! 

Acho que a principal mensagem de Calvary é mostrar como existem bons padres na Igreja Católica e a vingança não faz mudar nada. Também traz à tona o lado de muitas pessoas que, infelizmente, foram molestadas quando crianças e que a sua vida foi arruinada por causa de toda a dor e raiva que sentem. Mas afinal de contas o crime não compensa. 

Algumas perguntas irão flutuar sobre a nossa cabeça quando o filme termina. Perguntas sobre a sociedade, a fé, o abuso, e sobre as boas e as más pessoas deste mundo. Acho que isso é sinal de que acabamos de assistir um bom filme.

Calvary não tem dada de estreia prevista para Portugal. Mas como este infelizmente muitos outros filme independentes não chegam ainda às nossas salas.





Classificação final: 4 estrelas em 5.