Data de Estreia: 01-01-2015
Rob Marshall o conhecido coreografo e realizador vencedor de um Oscar em 2002 com Chicago, traz agora ao grande ecrã mais um musical. Caminhos da Floresta, baseado no musical da Broadway de Stephen Sondheim com o mesmo nome, é passado num mundo de Contos de Fadas dos Irmãos Grimm, onde alguns dos seus contos se cruzam com a trama principal da história que envolve um casal sem filhos, amaldiçoado por uma bruxa vingativa.
Com uma boa e energética introdução, consegue apresentar uma certa lógica quando liga numa só história um leque de personagens de contos de fadas, como Capuchinho Vermelho, Cinderela ou Rapunzel, e durante a primeira hora de filme tem a capacidade de nos entreter e prender através de uma boa dinâmica, canções divertidas e algum humor negro à mistura. O problema é que tudo o que até à altura era capaz de ser interessante se perde no meio de um enredo trapalhão, onde aos poucos nos cansamos dos personagens que vão deixando de ter o mesmo interesse a partir do momento em que as suas histórias individuais mudam consoante elementos adicionais, que não fazem parte daquilo que sabemos sobre cada uma das histórias.
Emily Blunt e James Corden conseguem demonstrar uma boa química enquanto casal, mas o seu desespero de não poder ter filhos não é profundamente analisado. Chris Pine, como Principe Encantado, consegue roubar o protagonismo em todas as suas cenas, numa performance bastante divertida, talvez a melhor do filme. Johnny Depp, tem pouquissimo tempo de ecrã e não mostra nada de especial. Meryl Streep, não desaponta numa performance honesta. Os dotes vocais de todo o elenco são notórios e há alguns bons momentos de cantoria, divertidos e também emocionalmente poderosos.
No que toca a aspectos técnicos, nada há a apontar. Cenários, guarda roupa, caracterização e cinematografia bastante bem conseguidos. Visualmente, muito luminoso e ao mesmo tempo sombrio, transparece aquilo que a "Floresta" faz a todos que por ela passam. O que tem de bonito, também tem de mau e sinistro. Mas enquanto o realizador se perdia com efeitos especiais os personagens não exploram a cem por cento todas as suas emoções.
Parece que está na moda fazer adaptações, reinventando histórias bem conhecidas do público, com finais alternativos, diferentes daquilo que estariamos à espera. O final não usual neste tipo de história poderá não ser uma mais valia, mas acredito que mesmo assim será capaz de agradar a muitos.
Caminhos da Floresta acaba por ser inconsistente, perante uma história demasiado longa onde o interesse pelos personagens se perde. Entre muitos altos e baixos, a magia vai-se perdendo gradualmente.
Classificação final: 2,5 estrelas em 5.