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domingo, 21 de janeiro de 2018

my (re)view: Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me by Your Name) . 2017


São experiências cinematográficas como Call Me by Your Name aquelas que fazem valer a pena este amor pela sétima arte. E tal como o amor pela arte, aqui vemos retratada a essência das relações e do encanto do primeiro amor, tal como as descobertas na adolescência ou a sedução pelo outro. Tal como Elio (interpretado pela extraordinária promessa que é Timothée Chalamet) se apaixona por Oliver (um Armie Hammer que aqui me fez acreditar finalmente que é muito mais que uma cara bonita), também nós nos vamos apaixonando por esta viagem pelo verão no norte da Itália, retrato de uma adolescência que representa muito mais do que a descoberta da sexualidade, ou do primeiro amor. Representa o que é o amor de verdade, independentemente da orientação sexual ou idade, ou até do tipo de relação entre indivíduos. Call Me by Your Name tem uma mensagem muito mais importante e poderosa do que alguma vez poderíamos pensar assim que começamos a ver o filme. Desde a banda sonora, aos detalhes visuais e beleza cinematográfica, Luca Guadagnino seduz através da lente da sua camera e emociona várias vezes deixando nos arrebatados pela simplicidade e veracidade do que estamos a ver, muito em parte pela capacidade que o elenco tem em transparecer isso (exemplo disso que não posso deixar de mencionar, é o discurso de Michael Stuhlbarg perto do final que deixa qualquer um com os olhos cheios de lágrimas). Acompanhamos a jornada de Elio com muita dedicação e vamos vivendo a seu lado de forma muito pessoal todos os seus sentimentos e frustrações.

Classificação final: 5 estrelas em 5.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

my (re)view: A Hora Mais Negra (Darkest Hour) . 2017


Gary Oldman há muito que merece o seu momento de glória. Parece que finalmente chegou esse momento. Muito deste Darkest Hour recai sobre a dedicação que Oldman entregou para a interpretação de Winston Churchill homem peculiar, odiado por muitos, mas figura incontornável na história do Reino Unido. E tal como a imponente figura que retrata, também Oldman se destaca este ano com uma das melhores performances, performance essa que lhe tem dado o direito a receber o prémio de melhor actor de 2017 em todas as cerimonias de entrega de prémios. Apesar do que por vezes se diz de Joe Wright, eu acho que a sua carreira se têm mantido relativamente sólida (apenas com alguns percalços pelo meio de vez em quando), sendo o seu trabalho nitidamente mais forte, quando se trata de peças de época ou de cariz histórico, apresentando um imenso cuidado no retratar da época em questão, através do set design e também do guarda roupa, assim como quando isso é contrastado com planos interessantes e uma edição fora do normal quando falamos de histórias abrangidas nesse contexto. O plano de tensão é quase constante, só é pena algumas quebras de ritmo, mas que rapidamente se retomam, ou não estivéssemos a falar de um dos piores e mais devastadores períodos da história mundial, a segunda guerra mundial. Para quem está à espera de cenários de guerra engane-se, este é um filme mais focado nas relações humanas e pessoais de Churchill dando-nos um retrato do homem e não da figura de estado. Dêem todos os prémios a Gary Oldman, este é o seu ano.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

my (re)view: O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer) . 2017



Steven (Colin Farrell) é um cirurgião cardiologista cuja rotina passa por encontros diários com um jovem adolescente chamado Martin (Barry Keoghan), encontros que inicialmente nos são mostrados sem razão aparente. Steven vê-se obrigado a contar à sua mulher Anna (Nicole Kidman) e aos seus dois filhos o porquê da relação entre os dois, convidando o jovem para um jantar em sua casa. Existe uma tensão esquisita no ar, até que a verdadeira razão da aproximação dos dois personagens é por fim revelada numa cena em que Martin ameaça o bem estar de toda a família de Steven e acontecimentos estranhos começam a surgir. Yorgos Lanthimos já me tinha surpreendido bastante em 2015 com o irreverente The Lobster, volta agora a fazê-lo com mais uma demonstração art house, que mistura um certo factor creepy com o horror psicológico e várias alegorias. The Killing of a Sacred Deer é absolutamente arrepiante. Enquanto vamos caminhando por um percurso complexo cheio de perguntas, muitas delas, às quais não sabemos responder, o filme vai jogando com os nossos sentimentos, enquanto os próprios personagens vão jogando com os deles entre si. Extremamente interessante. Mind games a um alto nível.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

my (re)view: Derradeira Viagem (Last Flag Flying) . 2017


Trinta anos depois, três veteranos da guerra do Vietname voltam a encontrar-se pela pior das razões. Quando Larry (Steve Carell) recebe a notícia de que o filho foi morto no Iraque, procura dois antigos amigos, Sal (Bryan Cranston) e Richard (Laurence Fishburne) para lhes pedir auxilio na difícil tarefa que é enterrar o seu único filho. Este reencontro vem trazer à memória muitos dos momentos que passaram juntos, quer tenham sido eles de felicidade ou de extrema dureza emocional. Uma viagem que vai muito além dos kilometros percorridos entre os três, um percurso emotivo de pessoas que estiveram imensos anos separadas mas que têm experiências tão fortes em comum que os liga espiritualmente a um nível muito superior, como se nunca se tivessem separado. Graças às performances do três personagens centrais, cuja química é muito boa, o filme ganha muito mais vida, mesmo perante o seu ritmo lento. Enquanto Steve Carell demonstra mais uma vez que o drama também lhe cai bem, é com Bryan Cranston que temos os momentos mais descontraídos e divertidos do filme, onde Laurence Fishburne se mantém sempre mais reservado, mas representando uma voz da razão. Richard Linklater gosta de retratar o mundo normal, o mundo das relações e mais uma vez consegue ser bem sucedido. Passou meio que despercebido o ano passado, mas é merecedor de destaque.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

my (re)view: Lady Bird . 2017


Em Lady Bird, a jovem talentosa Saiorse Ronan interpreta Christine McPherson, uma irreverente adolescente que se auto-intitula como Lady Bird. A estudar num colégio católico nos subúrbios de Sacramento na Califórnia, Lady Bird quer alcançar muito mais do que aquilo que o futuro lhe poderá reservar. Contra a vontade dos pais, que se deparam com dificuldades monetárias, Christine concorre a uma bolsa de estudo para uma faculdade em Nova Iorque, a cidade das oportunidades. É no último ano de secundário, que vai ter de enfrentar obstáculos, lidando ao mesmo tempo com a família disfuncional e os amigos, enquanto vai aprendendo a crescer com os mesmo. Greta Gerwig escreve e realiza este coming-of-age, que prometia muito mais do que aquilo que foi capaz de me entregar. Um conjunto interessante de situações e personagens, mas que não surpreende de forma diferente de muitos outros coming-of-age do género. Fica notoriamente destacada a presença de Saiorse Ronan, que demonstra mais uma vez que é das actrizes mais interessantes da sua geração. Gostei do que vi, simplesmente fui exigindo sempre mais daquilo que Gerwig tinha para me dar. Existem momentos bastante honestos a nível emocional, mas fica a sensação de que foi apenas mais um filme mediano, de um 2017 mediano, sem grandes surpresas no geral.

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

domingo, 14 de janeiro de 2018

my (re)view: Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri) . 2017


Passados meses do assassinato da filha, sem homicida preso ou qualquer indicio de investigação a decorrer, Midred Hayes (Frances McDormand) decide colocar frases provocatórias em três cartazes à beira de uma estrada, direccionados ao chefe da policia local Willoughby (Woody Harrelson). Quando um dos policias da esquadra (Sam Rockwell) de depara com os mesmos, declara guerra aberta a Mildred, guerra essa que irá contagiar e infectar toda a população da localidade. Martin McDonagh realiza, mas também é rei na escrita, e isso já ficou provado nos seus trabalhos anteriores. Three Billboards Outside Edding, Missouri tem, não só o equilibrio perfeito entre o humor negro e o drama, como um sentimento de raiva que nos transmite o tempo todo, a dureza que é acreditar no mundo cruel em que vivemos, onde as coisas acontecem sem aviso, apanhando nos na curva a cada momento violento, mas sempre com propósito, nunca de forma gratuita, envolvendo cada vez mais a nível emocional, colocando nos na pele de cada um dos personagens, do maior ao mais insignificante, graças às excelentes performances de todo o elenco. Original, imprevisivel, emotivo e brutal na forma como demonstra muito do que está errado no sistema e a cima de tudo no ser humano. Hail McDormand. Hail Rockwell. Por favor escrevam mais papeis significantes para estes dois, eles merecem e muito. Este ano finalmente é vosso! O meu favorito de 2017, visto já em 2018.

Classificação final: 5 estrelas em 5.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Crítica: Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi) . 2017

Decidi não me alongar muito, pois derivado ao stress habitual da época festiva o texto já vem com um ligeiro atraso. Muito já foi dito - existindo sempre o contraste fanboy com os olhares dos que gostam mas se conseguem distanciar do amor sentido pela saga - e quem gosta de Star Wars, vibra sempre com Star Wars, mas a ligação com os personagens antigos foi igualmente e inesperadamente fiel em The Force Awakens, fica agora um pouco perdida com a chegada deste novo segmento. O entusiasmo ao darmos de caras com Luke, o saudosismo e pesar quando vemos Leia e o carinho com que olhamos para Chewie, C3PO ou R2D2, é totalmente diferente da ligação com os novos personagens que cada vez mais parecem ser criados para uma nova geração Disney, a mesma que segue fervorosamente o universo Marvel, repetitivo e com pouco conteúdo, que transparece cada vez mais isso nestas versões pós Lucas Films. Rey tem carisma, mas não surpreende da mesma forma. Finn arranjou uma nova amiga, e essa junção não resulta da melhor das formas. Kylo Ren dá mais espaço a Adam Driver para representar, e Mark Hammill e o seu Luke Skywalker é a verdadeira estrela deste filme, com um final esperado mas muito emocionante que faz valer a pena tudo aquilo que fomos vendo até chegar aquele momento, com direito à visita de um velho e saudoso amigo pelo meio, que nos deixa a todos cheios de nostalgia. Star Wars: The Last Jedi é apenas uma extensão de The Force Awakens, mas mais pobre e demasiado longa para o seu conteúdo, ficando encalhado multiplas vezes nas mesmas questões, tentando pelo meio despertar qualquer coisa em nós, na maior parte das vezes recorrendo ao humor, com falhas de equilíbrio entre os momentos mais sérios e esses tais mais goofy. O entusiasmo há de manter-se sempre o mesmo com a chegada de um novo filme, mas não posso negar que existe desapontamento, pois quando já se atingiu o épico, é difícil manter a fasquia, agradando a todos da mesma forma.

RIP Carrie Fisher <3

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.
Data de Estreia: 14.12.2017

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Crítica: Roda Gigante (Wonder Wheel) . 2017


Mais um ano que passa e o entusiasmo por mais um filme de Woody Allen a chegar continua igual. Apesar da crítica ter achado este Wonder Wheel uma autêntica desilusão, a meu ver, este é talvez das coisas mais ambiciosas que já fez, durante os últimos dez anos. Allen tem o seu estilo, e quem vê os seus filmes têm que saber com o que contar. Dizer que é mais do mesmo, é diminuto, este é o seu estilo de narrativa, a sua assinatura, e isso já mais vai mudar.

Wonder Wheel conta a história de quatro personagens cuja vida anda numa roda viva de emoções, nomeadamente a personagem central Ginny (Kate Winslet). Woody Allen regressa à sua cidade, New York, e à sua juventude em Coney Island o eterno parque de diversões, que nos anos 50 estava em pleno auge. Ginny é uma mulher amargurada e extremamente emocional, cuja vida não é aquilo que sonhou, vivendo presa ao passado que poderia ter tido como actriz. Actualmente a servir às mesas num restaurante do parque, e casada com Humpty (Jim Belushi) bastante mais velho que ela, Ginny apaixona-se por Mickey (Justin Timberlake) o nadador salvador da praia. A viver um grande romance de Verão, Ginny não contava com a presença repentina da enteada Carolina (Juno Temple) que cai de imediato nos encantos de Mickey, deixando Ginny cada vez mais insegura e doida de ciumes.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Crítica: O Espírito da Festa (Le Sens da la Fête) . 2017


Perante muitas das escolhas possiveis que temos actualmente em cartaz em Portugal, esta talvez não fosse a escolha mais obvia. Optando por algo mais light e divertido, e tendo em conta o trabalho anterior dos realizadores do filme, Le Sens de la Fête é a escolha descontraida, de quem quer ver algo agradável e descomplicado. 

Max (Jean-Pierre Bacri) é um organizador de casamentos cuja modernidade dos requisitos do oficio se estão a tornar muito dificies de gerir. Naquele que pondera ser o último evento de casamento organizado por si, Max tem de lidar com as indignações dos seus colaboradores, com o mau feitio do seu braço direito Adèle (Eye Haidara), com as excentricidades do cantor da banda James (Gilles Lellouche), ao mesmo tempo que lida com o fim do seu próprio casamento e com o relacionamento que vive em segredo com uma das suas colaboradoras, Josiane (Suzanne Clément). Para piorar as coisas, as exigências do vaidoso noivo vão para além das esperadas e a noite mais feliz da vida dos noivos, pode se transformar numa das piores da vida de Max e da sua equipa.

domingo, 5 de novembro de 2017

flash review : The Meyerowitz Stories . 2017


The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach (2017)

É imprescindivel começar a falar deste filme, mencionando em primeiro lugar a pérola que é Adam Sandler, tantas vezes ligado a filmes mediocres, tendo aqui uma excelente performance, sendo quem mais se destaca, quem de tempos a tempos lá se lembra de demonstrar que consegue equilibrar na perfeição a tragédia e a comédia deixando-nos a todos replectos de estupefacção. Noah Baumbach é cada vez mais uma extensão de Woody Allen, preveligiando Nova Iorque a cada filme que passa e tornando-a sempre interessante, associada quase sempre a um estilo de vida frenético e ao tipo de pessoas cujos laços familiares são dos mais disfuncionais possíveis. Um estudo sobre várias gerações e aspirações de vida, onde a arte da vida se reflete sempre nos valores que nos são transmitidos e naquilo que fazemos para poder mudar isso a nosso favor. Dustin Hoffman é um pai longe da perfeição, cujos filhos Sandler, Ben Stiller e Elizabeth Marvel, tentam uma aproximação agora que o pai caminha para uma idade mais avançada. A tensão e as relações entre pai e filhos é estudada de forma individual, dando-nos a conhecer melhor cada uma das personalidades. Existindo uma grande química entre actores The Meyerowitz Stories faz nos relacionar com algumas situções, ao mesmo tempo que nos faz julgar um pouco algumas das atitudes dos personagens, sempre com toques humoristicos, sem deixar de mencionar por isso mesmo a brilhante Emma Thompson. Um daqueles bons, directamente do mundo maravilhoso dos indie.

Classificação final: ★★★★

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

flash review : A Ghost Story . 2017


A Ghost Story, de David Lowery (2017)

Dificilmente se recupera de um luto e infelizmente em alguma altura das nossas vidas, já passamos por esse sofrimento. Para todos nós, há maneiras de superar a perda, que passam pelos mais variados aspectos, mas será que aqueles que partem, sofram também desse pesar!? A Ghost Story explora aparentemente o outro lado da moeda, o lado de quem parte, imaginando como seria se os espiritos sentissem solidão sem aqueles continuam no mundo dos vivos. David Lowery retrata este conto através da perspectiva de Casey Affleck, um homem que acaba de falecer e vê a esposa Rooney Mara em constante sofrimento, tendo mais tarde de abandonar a casa onde viviam, deixando-o preso naquelas quatro paredes. O ritmo é lento, e envereda por caminhos cujos quais não estamos à espera, sendo muito mais um filme de introspecção do que algo do género "casa assombrada". O twist final é bastante interessante e chegamos até uma ideia mais profunda, que tanto pode explorar a morte como pode tentar explicar afinal o que é o sentido da vida. No entanto, confesso que tinha uma ideia diferente daquilo que me esperava e apesar de não deixar de ser interessante, os rasgos de Malick são um pouco desnecessários e querem torná-lo mais complicado do que aquilo que é.

Classificação final: ★★★½

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Crítica: Kingsman: O Circulo Dourado (Kingsman: The Golden Circle) . 2017


Tal como todas as sequelas, também Kingsman: The Golden Circle sofre o fardo de ser o seguidor de um sucesso e isso é sempre dificil de superar. Matthew Vaughn sabe com toda a certeza o que é fazer entretenimento, e pode afirmar-se como um dos que sabe o que faz nesse campo. Golden Circle é goofy, é lunático, é divertido, sendo absolutamente impossível não ficar maravilhado com tanto divertimento ao longo de duas horas e vinte. Repetitivo sim, aborrecido nunca.

Recodemos o puto chamado Eggsy (o carismático e talentoso Taron Egerton), que no primeiro filme tinha sido recrutado para uma agência de serviços secretos de seu nome Kingsman, com metodos ultra secretos que usavam de uma tecnologia de ponta. Depois da morte do seu mentor Harry (Colin Firth), Eggsy melhorou ainda mais as suas capacidades e em conjunto com o seu colega tech expert Merlin (Mark Strong) soma uma quantidade de missões bem sucedidas. Quando alguns pontos estratégicos Kingsman são misteriosamente atacados, fragilizados recorrem à ajuda dos seus assossiados Statesman, uma agência secreta americana que opera no Kentucky numa destilaria de whiskey. Eles irão ter de trabalhar em conjunto com Tequila (Channing Tatum), Champagne (Jeff Bridges), Ginger Ale (Halle Berry) e o próprio do Whiskey (Pedro Pascal), para por fim ao plano maléfico de Poppy (Julianne Moore) uma peculiar traficante de droga obcecado pelo estilo 50's, que segundo a própria, tem a melhor estretégica para legalizar as drogas nos EUA. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Crítica: Mãe! (Mother!) . 2017


Tal como o ponto de exclamação no final do seu título, Mãe! quer provocar, indignar, mostrar um forte objectivo. Darren Aronofsky é conhecido pela diferença e por querer sempre mostrar um lado mais metafórico e surreal dos temas, e este seu novo filme não é excepção. Mas Mãe!, claramente inspirado pelo estado do mundo actual, acaba na maioria das vezes por se tornar confuso e demasiadamente bizarro, ao invés de criar uma certa subtileza nas mensagens, atirando nos para todos os lados ao mesmo tempo.

Jennifer Lawrence é a jovem esposa de Javier Bardem, um escritor famoso que vive um imenso bloqueio de inspiração, há muito tempo aprisionado pela falta de criatividade. Eles vivem isolados, numa casa gigante que outrora foi completamente devastada por um incêndio que acabou por destruir quase tudo. Ao longo de um ano, Lawrence reconstroi dia-a-dia a casa, sentindo-se frustrada e infeliz, à espera de quando é que o marido volta a ter o seu momento de glória. Um dia Ed Harris bate à porta, no dia seguinte aparece a sua mulher Michelle Pfeiffer, e ao contrário do que Lawrence espera o marido convida-os para passar uma temporada lá em casa. Tal como ela, até nós ficamos confusos e começamos a suspeitar das atitudes repentinas do marido. Coisas estranhas começam a acontecer, numa roda interminável de comportamentos que não sabemos explicar.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Crítica: Detroit . 2017


Ninguém pode negar que Kathryn Bigelow sabe o que é criar tensão num filme! Detroit é a mancha agonizante do pesadelo que é a agressividade policial americana perante a comunidade afro-americana que ecoa nas suas raízes históricas. Com muito poder emocional, este é um retrato de exclusão social e controlo por partes das autoridades.

O filme é todo ele suportado por um lado fortemente documental, nomeadamente na sua introdução que vai inserindo as personagens no contexto histórico, uma época onde reinava a discórdia entre policias e negros, que lutavam pelos seus direitos sociais e civis por toda a cidade de Detroit, até chegar ao episódio onde se centra o verdadeiro conteúdo moral desta história e daquilo que foram os eventos reais passados no Algiers Motel em 1967, , algo que acabaria por resultar na morte de três jovens negros e no sequestro e espancamento de outras nove pessoas. Alertados por um alegado tiroteio, depois de revistar o motel e verificar que um suposto sniper não se encontrava no local, um grupo de indivíduos das forças policiais, resolve submeter um grupo de jovens a um jogo mental aterrorizante, consequência do racismo e abuso de poder por parte de representantes da lei.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Crítica: Footloose . 1984


Directamente do universo dos teenage movies dos 80's, Footloose é dos mais queridos perante a malta que viveu a juventude durante essa época. Por mim, foi visionado apenas ontem pela primeira vez, e é daqueles que transmite, para quem não viveu a sua época, o feeling que marcou a era. O argumento pode ter defeitos, e a originalidade pode ser pouca, mas a sua energia contagia e também nós queremos soltar o bailarino que há em nós!

Quando Ren (Kevin Bacon), um rapaz sofisticado de Chicago chega à pequena cidade de Bomont, apaixona-se por Ariel (Lori Singer) filha do reverendo Shaw Moore (John Lighgow) que molda muitas das mentalidades da região. Ren tem estilo e adora dançar, comportamento abolido na cidade, interpretado como sinal de pecado, consumo de drogas e álcool. O jovem decide que é indispensável mudar mentalidades e quer organizar um baile, mas para isso terá de contrariar a vontade do reverendo, e também enfrentar algumas das figuras mais importantes da escola. Seguindo a tendência de filmes do género que saíram durante a época, Footloose assume-se como o filme de adolescentes que é, vive de momentos descontraídos e de humor que existem apenas para divertir e não para serem levados a serio, um tanto quanto a despreocupação típica de um adolescente.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Crítica: Atomic Blonde - Agente Especial (Atomic Blonde) . 2017


WOW! Fico mesmo feliz quando sou surpreendida. Atomic Blonde é um misto de cultura pop, muita acção e sensualidade que fazem dele um dos filmes do Verão, daqueles que vale mesmo a pena perder tempo a ver durante a august silly season.

Adaptado do graphic novel "The Coldest City", de Antony Johnston, Atomic Blonde é um thriller de espionagem passado em Berlim antes da queda do murro. Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente secreta do MI5, à qual é atribuída a missão de descobrir quem assassinou um agente britânico que tinha em sua posse uma lista de nomes bastante importantes. Rapidamente Lorraine vê-se envolvida no teia de morte e traição, assim que mete os pés na cidade de Berlim, onde vai ao encontro do também espião David Percival (James McAvoy) que adquiriu métodos pouco ortodoxos, recorrentemente colocando em risco a missão. Cabe a Lorraine desvendar os mistérios escondidos pela Guerra Fria, usando as suas melhores tácticas e intuições. Quente como o fogo, fria como gelo, ela é a mistura bombástica que da alma a esta história.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

flash review : Beatriz at Dinner . 2017


Beatriz at Dinner, de Miguel Arteta (2017)

De ritmo lento, mas muito rico em conteúdo Beatriz at Dinner é um autentico prato gourmet. Recheado de significado e comentário social, o filme faz o contraste entre a era em que vivemos actualmente e o mundo dos que sobrevivem e lutam dia-a-dia por uma vida melhor. O confronto entre classes sociais é uma constante e não poderia estar mais bem inserido no estado em que o mundo se encontra actualmente. Com a imigração e os valores sociais e humanos constantemente em cima da mesa, John Lithgow e Salma Hayek são ambos personagens fortes, que sustentam os diálogos inteligentes e lhe dão a credibilidade necessária. Salma Hayek está fantástica, num papel muito poderoso e diferente do habitual, desprovida da vaidade e do glamour habitual, brilha numa interpretação simples, emotiva e com muita essência.

Classificação final: ★★★★

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

flash review : Chuck . 2017


Chuck, de Philippe Falardeau (2017)

Gosto de um bom filme sobre pugilismo. Este estava na minha mira desde o final do ano passado, mas a falta de divulgação fez com que passasse despercebido. Na verdade, não é só esse o seu problema, porque afinal não passa de uma desilusão. Este é o filme sobre o homem por detrás dos filmes Rocky, a verdadeira inspiração de Sylvester Stallone, mas o pobre argumento e a falta de conteúdo - acontece tudo muito rápido, tão rápido que quase que falta lógica à maior parte dos acontecimentos cujo desenvolvimento é nulo - fazem com que Liev Shreiber não tivesse bom material com que trabalhar, num dos que poderiam ter sido dos grandes filmes da sua carreira. Descuidado e sem se preocupar realmente com os factos, todo o filme segue o mesmo caminho e história do seu protagonista, vive à custa do fenómeno Rocky, quando na realidade seria ele o verdadeiro motivo para tal fenómeno. Fica muito aquém de fazer jus a isso mesmo, não conseguindo demonstrar aquele espírito triunfante que se espera em algo do género. Uma tentativa de cópia de outros grandes filmes que abordam temas semelhantes, nomeadamente do cinema de Scorsese.

Classificação final: ★★½

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

flash review : Una . 2017


Una, de Benedict Andrews (2017)

Um intrigante e intenso thriller sobre os horrores da pedofilia. As performances de Rooney Mara e Ben Mendelsohn são bastante intrigantes e em conjunto com um constante ambiente sombrio, fazem com que a história de uma menina de treze anos, abusada sexualmente pelo vizinho ganhem outra credibilidade. O filme é todo ele sustentado por diálogos fluídos acompanhados de alguns flashbacks que nunca revelam demasiado, entre-calados com o confronto constante entre os dois personagens. Chegamos ao fim sem grandes conclusões sobre como realmente tudo aconteceu, mas ficamos com a certeza de que Una vive presa a um passado ainda bem presente, assim como o seu agressor. Um conto sobre os fantasmas de uma infância destruída e de uma mulher que nunca deixou de ser menina.

Classificação final: ★★★½
Trailer: https://youtu.be/UgiN35SC-hM 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Crítica: Dunkirk . 2017


Perante a inércia daqueles que se viram encurralados pelos horrores da Segunda Grande Guerra, Christopher Nolan representa o lado bárbaro da mais dolorosa fase da história da humanidade. Dunkirk é para uns pouco fiel, para outros uma obra prima do cinema, para mim um filme com a sua importância que tanto conta com momentos absolutamente gloriosos, como com falhas difíceis de ultrapassar para quem o visiona.

Escrito e realizado por Christopher Nolan, Dunkirk relata acontecimentos passados naquela que foi intitulada como a Batalha de Dunquerque onde soldados britânicos e franceses ficaram encurralados no nordeste da França, pelas forças Alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Cercados por todos os lados, na costa francesa e sem grande escapatória, aqueles que lá se encontravam temiam o pior e já davam a batalha como vencida, quando para espanto de todos um número considerável de pequenos barcos e navios privados ajudaram no resgate a mais de 300.000 homens das praias de Dunquerque ao longo de todo o canal, acabando por ser tão importante no sucesso do resgate desses homens como os grandes navios da marinha. Uma demonstração de solidariedade por parte do povo britânico que viria a marcar de forma significativa o papel do cidadão comum durante a guerra.

Como fã de filmes de guerra, acho que a parte técnica é fulcral num filme do género, mas aqui essa parte sobrepõe-se ao resto. A dificuldade é tentar perceber se essa era realmente a intenção. O facto de ser tão bom a nível técnico acaba por nos fazer sentir um pouco dentro do filme, titular de uma sonoplastia fantástica e de uma ensurdecedora banda sonora de Hans Zimmer, que trabalha lado a lado com Nolan, na construção dos acontecimentos que são apresentados de forma visual sublime, com planos incríveis quer seja em terra, no mar ou no ar. Uma das coisas que considero mais interessantes é o facto de nunca vermos o inimigo. Algo que raramente (ou nunca) é feito em filmes do género e só por aí lhe atribuo uns pontos extra, pois a tensão também se constrói muito em parte por causa disso, retratando a constante insegurança e impotência do que é estar na pele de alguém que se encontra completamente desorientado perante aquele cenário. Enquanto Nolan preferiu apostar mais nesse lado, desprovendo os personagens de laços de emotividade, (quem sabe propositadamente, generalizando, para demonstrar que todos somos iguais perante situações de sobrevivência) seria bom tê-los vistos um pouco mais desenvolvidos, nem que fosse na partilha de experiências de guerra ali passadas. A verdade é que os personagens principais não conseguem ser capazes de criar grande empatia com a audiência (mau casting talvez!?), mas a força das imagens, combinadas com o som, e o medo do desconhecido, provocou em mim um nervoso miudinho, nem que fosse pelo lado humano do retrato de angustia das circunstâncias retratadas.