terça-feira, 30 de setembro de 2014

Poster & Trailer: Inherent Vice 2014


Ora aqui está, o primeiro e fantástico poster para Inherent Vice, o próximo filme de Paul Thomas Anderson, acompanhado do primeiro trailer.

O filme é baseado no romance de Thomas Pynchon e segue a história de um detective privado que investiga o desaparecimento da sua ex-namorada e do actual namorado, em Los Angeles. Entre a comédia e o drama este é mais para este ano que promete...


domingo, 28 de setembro de 2014

Crítica: Os Gatos Não Têm Vertigens 2014


Data de Estreia: 25-09-2014

A primeira vez que vi o trailer de Os Gatos Não Têm Vertigens, o novo filme do realizador António-Pedro Vasconcelos, fiquei logo com uma ideia formada daquilo que eventualmente seria. Um drama com vários toques de humor que pretenderia tocar as emoções do espectador abordando alguns temas importantes da sociedade, onde mais uma vez o realizador iria seguir o caminho mais "comercial" para chegar a grandes massas, tal como fez em 2010 com A Bela e o Paparazzo ou em 2007 com Call Girl.

Rosa, uma senhora de 73 anos acaba de ficar viúva. Jó, um rapaz de 18 acaba de ser expulso de casa pelo seu pai no dia do seu aniversário. Por obra do destino Jó vai para ao terraço do prédio onde Rosa mora e apesar da diferença de idades os dois irão criar um laço muito forte de amizade. Jó encontra em Rosa o amor e carinho que nunca lhe foi dado pela sua própria familia. Rosa encontra em Jó o conforto que lhe faltava para conseguir seguir em frente com a sua vida agora que já não têm mais o seu marido para lhe fazer companhia todos os dias. E assim aos poucos, tratando Jó como um gato vai ganhando a sua confiança, lealdade e amor, coisas que Jó nunca soube o que eram na vida.

Apesar da quantidade de clichés usados e da sua predictabilidade a verdade é que o filme consegue-nos manter interessados do principio ao fim, também graças a duas grandes interpretações por parte dos personagens principais. Maria do Céu Guerra uma das maiores actrizes que temos em Portugal é a alma do filme! A sua performance magnifica é definitivamente o que mais o suporta. O jovem actor João Jesus também surpreende dando uma performance verdadeira e muito sentida. A quimica entre Maria do Céu Guerra e João Jesus é verdadeiramente deliciosa, nada forçada e vai com certeza agradar a todos.

A solidão na terceira idade é capaz de tocar qualquer um. A sensação de abandono e tristeza de perder alguém que se ama muito pode ser totalmente devastadora e essa tristeza é abordada de forma muito credivel, assim como o desespero do jovem delinquente que não sabe bem o que fazer da vida.

Embora haja boa intensão quando em várias ocasiões através de pequenos dialogos e cenas aqui e ali sobre o estado de crise em que o país se encontra senti que algumas são feitas de forma completamente forçada, como que empurradas à força, ficando completamente fora do lugar. Os personagens de Fernanda Serrano e Ricardo Carriço, acabam por não ter qualquer relavância na história, poderiam perfeitamente não fazer parte dela. Aliás, acho que teria sido mais interessante fazer com que a Rosa não tivesse qualquer familia próxima. Também Jó poderia ter sido um personagem muito mais desenvolvido, explorando melhor ainda algumas partes do seu passado.

Os Gatos Não Têm Vertigens não é nenhuma obra prima do cinema Português, é um filme com o intuito de tentar levar um maior número de público as salas de Cinema para ver aquilo que por cá se faz, seguindo sem dúvida o caminho do entretenimento mas do bom entretenimento, pois mesmo nas suas partes mais fracas o que é certo é que, o que é suposto retermos realmente fica e sabemos perfeitamente que as situações de vida dos dois personagens são algo que existe neste país cada vez mais. Um país que infelizmente não respeita os novos, nem tão pouco os nossos velhos.

Não posso também deixar de referir também o belissimo tema original chamado "Clandestinos do Amor", feito especialmente para o filme interpretado por Ana Moura. Portanto quando os créditos começarem a rolar, não vão logo embora... Fiquem um bocadinho e desfrutem de uma bonita música.






Classificação final: 3 estrelas em 5.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Crítica: Attila Marcel 2013


Filme que vai estar em exibição na Festa do Cinema Francês.

No inicio do filme é nos mostrada uma citação de Marcel Proust sobre A Memória e as memórias são o ponto de partida para este Attila Marcel.

Sylvain Chomet realizador de filmes como Les Triplettes de Belleville (2003) ou L’illusionniste (2010) passa da Animação para a vida real, num projecto doce e com importantes mensagens a passar à audiência.

Paul é um rapaz delicado, muito bem educado e toda a vida viveu com as suas duas tias pois os seus pais faleceram quando ele tinha dois anos. Desde então derivado ao trauma Paul nunca mais falou. Paul é um maravilhoso pianista, e trabalha com as duas tias num estúdio onde ambas dão aulas de dança. Constantemente triste e angustiado por toda a vida ter sido protegido demais, Paul segue uma rotina diária, muito esquematizada pois as suas tias parecem não o deixar crescer. A morte dos seus pais nunca foi assunto abordado em sua casa e existe algum tipo de mistério que as suas tias se recusam a contar, fazendo com que Paul tenha uma vida completamente em sofoco, sem vontade própria ou escolhas na sua vida. Mesmo sendo um individuo triste, Paul tem uma forte ligação com a música, e é através do piano que ele consegue expressar tudo aquilo que esta preso dentro de si.

Todas as personagens do filme poderiam perfeitamente ter sido retiradas ou adaptadas a um filme de Animação, mas é algo que se poderia esperar derivado ao curriculum de Sylvain Chomet. O personagem principal do filme Paul parece definitivamente saído de uma. Interpretado brilhantemente por Guillaume Gouix, toda a sua postura, muito mímica e por vezes desajeitada é muito “abonecada” brindando o ecrã com cenas absolutamente deliciosas e outras até bastantes emocionais. Hélène Vincent e Bernadette Lafont (aqui no seu último trabalho no grande ecrã depois do seu falecimento o ano passado aos 73 anos) interpretam maravilhosamente as duas tias, também bastante peculiares, vestem-se da mesma maneira, comportam-se da mesma maneira e nem por nada as vemos separadas. Anne Le Ny como Madame Proust, a personagem chave desde filme (ou não tivesse ela um apelido de peso) que por detrás de toda uma imagem trapalhona irá ajudar Paul através de métodos não muito convencionais. Mas Paul irá também contar com a pequena ajuda de mais um peculiar amigo da família, Monsieur Coelho, um homem cego que sem querer o levou a conhecer Madame Proust e que nos irá proporcionar uns bons momentos de risada, papel desempenhado pelo actor Luis Rego nascido em Portugal. E até o nosso Galo de Barcelos tem uma participação especial na história…

Attila Marcel é uma viagem até as memórias de Paul, memórias longínquas que o tempo ajudou a apagar. Ao recuperar algumas delas Paul irá conseguir desvendar o mistério do seu constante desgosto, sempre com o objectivo de ultrapassar os traumas do passado, traumas que nem ele sabe bem quais são, e finalmente ser feliz vivendo uma vida normal como qualquer outra pessoa jovem como ele.

Talvez um dos maiores problemas do filme seja o facto de levar muito tempo a chegar a alguma resolução. Ficamos “parados” muito tempo no mesmo sitio. O filme não deixa de nos entreter mas o desenvolvimento tardio faz com que o resultado final seja um pouco decepcionante. Ele guia-nos num caminho, que no fim nos troca as voltas. Não existe a reviravolta de grande impacto que poderia ter. Apesar de toda a agradável parte cómica da história, gostava que a parte dramática tivesse sido levada mais a sério visto que estas nos conseguem por a pensar e questionar realmente até onde é que as nossas memórias, boas ou más, nos podem levar ou ter influância nas nossas vidas. Algumas das cenas fortes do filme conseguem ter impacto em nós, abordando temas muito importantes como a violência doméstica, meio ambiente e exclusão social, mas mesmo sem intensão parece que nunca chega a haver um equilíbrio entre o género comédia vs drama. Os actores conseguem colocar a intensidade necessária nas partes emocionais mas também conseguem nos fazer rir quando é necessário, mas a passagem de um género para o outro por vezes não é harmoniosa.

Attila Marcel é uma agradável viagem até uma França bastante colorida onde as pessoas e a música estão ligadas. Demonstra também como difíceis memórias de infância podem influenciar muito a vida de certas pessoas. Um filme que carrega consigo para além de grandes mensagens um enorme coração.







Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

Crítica: The Equalizer - Sem Misericórdia 2014


O nome Denzel Washington é daqueles nomes que são capazes de levar qualquer um ao cinema, mesmo sem saber sequer o que nos reserva o filme. Um actor com bastante reputação, já fez grandes papeis ao longo da sua carreira, já venceu dois Oscares e quer queiramos quer não, “um nome” influência bastante a expectativa que poderemos ter a cerca do que vamos ver. Um dos Oscares que Denzel Washington ganhou foi com o filme Dia de Treino feito exactamente pelo mesmo realizador deste The Equalizer - Sem Misericórdia, Antoine Fuqua. O que acontece por vezes é que bons nomes não conseguem salvar filmes. Infelizmente The Equalizer é um exemplo disso.

Robert tem um passado que todos desconhecem. Trabalha numa grande loja de materiais de construção em Boston, aparentemente tem uma vida bastante pacata, é um homem muito solitário e sofre de insónias. Para tentar ocupar o seu tempo lê muito e vai imensas vezes durante a madrugada a uma coffe shop que está aberta 24h por dia. Como frequentador assíduo do sitio, é lá que conhece Teri uma prostituta adolescente e os dois acabam por criar uma ligação especial. Rapidamente Robert apercebe-se que Teri pertence a algum tipo de máfia de tráfico humano e acaba por se envolver com a Máfia Russa trazendo até si imensos problemas que nem ele poderia prever.

O maior problema da história é o facto de já termos visto este tipo de filme vezes e vezes sem conta, com os mesmo clichés de sempre e diálogos bastante “corriqueiros”. O desenvolvimento dos personagens não é feito de forma correcta deixando muitas coisas que ficam por explicar, coisas que podem ser importantes para a audiência. Embora o personagem central seja bastante interessante, acabando por nos envolver até um certo ponto, derivado a todo o mistério que é gerado em torno da sua vida passada, o aspecto moralista e justiceiro acaba por ser completamente destruido com tanta atitude completamente imprópria. Compreensível por um lado, mas impossivel por outro.

No inicio do filme pensamos que estamos prestes a assistir a uma pelicula de atmosfera escura e profunda que irá respeitar muito todos os sentimentos dos personagens, mas afinal não passa de mais um mero filme de acção, onde o importante são mesmo as cenas de pancadaria (que por sinal são muito bem coreografadas) mas com imensas falhas ao longo do enredo e perdendo tempo com cenas que acabam por ser irrelevantes e apressando muitas que poderiam ter sido melhor exploradas. Teria sido ideal conjugar as duas coisas, um bom enredo e muita acção mas o filme escolhe o caminho apenas do entretenimento em estilo “One Man Army”. 

Denzel Washington dá uma prestação bastante sólida. É um actor que apesar de fazer muito este tipo de papeis ultimamente sabe faze-los de forma decente tal como muito outros que fez ao longo da sua carreira. Acho que está cada vez a ficar mais parecido com Liam Neeson nas escolhas que faz e tenho pena disso. É um actor de um grande calibre que merece outro tipo de papeis. Tanto Washington como Neeson são bons e gostava de os voltar a ver fazer papeis marcantes como já os vimos fazer outrora. A jovem e talentosa actriz Chloë Grace Moretz também está muito bem tal como era de esperar só é pena que tenha muito pouco tempo de ecrã, e sendo ela a personagem que irá levar a todo o desenvolvimento da trama principal do filme, não lhe é dado o devido desenvolvimento e importância.

The Equalizer acaba por ser uma desilusão para quem pudesse esperar por algo menos comercial e mais profundo, mas sei que certamente irá agradar a muitos especialmente a todos os apreciadores de filmes recheados de acção.








Classificação final: 2,5 estrelas em 5.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Trailer: Os Gatos Não Têm Vertigens | 25 de Setembro nos Cinemas


Os Gatos Não Têm Vertigens é o mais recente filme do bem conhecido realizador português António Pedro Vasconcelos que vai ter estreia Nacional, para a semana, dia 25 de Setembro de 2014.

Nos papeis principais estão a veterana Maria do Céu Guerra e o jovem actor João Jesus. Como elenco secundário temos nomes como Nicolau Breyner, Fernanda Serrano, Ricardo Carriço ou Afonso Pimentel.

O filme conta a história de dois personagens, o jovem de 18 anos Jó, que sai de casa no dia dos seus anos e sem ter para onde ir se refugia no terraço do prédio de Rosa, uma mulher de 73 que acabou de perder o marido. Daí irá nascer uma amizade um pouco improvável.

Aqui fica o trailer:

Crítica: Au Bonheur des Ogres (O Bode Expiatório) 2013


Filme que vai estar em exibição na Festa do Cinema Francês.

Au bonheur de Ogres (O Bode Expiatório) é um filme baseado num famoso romance francês, com o mesmo nome, escrito em 1985 por Daniel Pennac e realizador por Nicolas Bary. Uma agradável comédia para toda a famila, mas que também foca alguns importantes pontos dramáticos. Esta conta-nos a história de uma família totalmente disfuncional, mas centrada num dos seus membros, o irmão mais velho Benjamin Malaussène.

Malaussène é um rapaz bastante peculiar, tem uma personalidade particularmente engraçada, distraído e trapalhão por natureza. Ele está encarregue de cuidar da sua família, visto que a mãe está sempre ausente e vai aparecendo em casa para “despejar” os vários filhos dos muitos namorados que vai tento ao longo da vida. Malaussène trabalha num grande armazém da cidade de Paris onde desempenha a função de controlador técnico, mas tudo não passa de esquema, na verdade ele não faz absolutamente nada. O que Malaussène é na verdade é um bode expiatório, levando a culpa por todas as reclamações dos clientes da loja. Cada vez que há uma reclamação é armada uma representação em que Malaussène é despedido em frente do cliente, fazendo com que os clientes tenham pena dele e retirem a reclamação, assim a loja nunca fica prejudicada. Uma serie de bombas começam a explodir pelo armazém e estranhamente explodem todas quando Malaussène esta por perto, começando a haver desconfiança pela parte da policia e de alguns dos seus colegas de trabalho. Mais tarde acabam por ser descobertas coisas graves que aconteceram no armazém no passado.

O filme brinda-nos com uma boa quantidade de efeitos visuais muito bem executados, que combinam bem com a magia que o personagem principal transporta consigo. Não posso também deixar de mencionar os fantásticos créditos finais, super vibrantes e cheios de cor. A sua atitude simplista, optimista e sonhadora constante faz com que a audiência se interesse minimamente pelo que esta a ver, mesmo que à partida se saiba que não estamos a assistir a nenhuma obra prima. Bastante ambicioso no que toca a realização, com planos muito bem concretizados e boas ideias mas que acabam por falhar quanto toca à parte mais seria da história que se torna ridicularizada quando é dada mais importância ao tom cómico da história esquecendo a parte mais sombria.

O elenco faz um bom trabalho, pois talvez sem a grande dinâmica existente entre o elenco uma história como esta não teriam resultado tão bem. Raphaël Personnaz é perfeito como Malaussène, todo o seu comportamento meio estranho, postura física e forma de ser consegue-nos convencer de imediato. Berenice Bejo apesar de ter um papel importante no meio da história acaba por ser um personagem meio que irrelevante, mas interpretando sempre bem o seu papel. Emir Kusturica num papel misterioso consegue sair-se bastante bem mas a meu ver foi muito mal aproveitado, merecia mais destaque.

Apesar das falhas Au Bonheur des Ogres consegue ser um filme bastante vivo e alegre, o tipo de filme que nos faz sair da sala de cinema com um sorriso no rosto, bem dispostos e só por isso vale a pena perder um pouquinho do vosso tempo a ir vê-lo.








Classificação final: 3 estrelas em 5.