quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

BAFTA 2015 | Vencedores


Bem, visto que ainda não tinha tido oportunidade de publicar os vencedores dos BAFTA 2015 e o queria fazer (a cerimonia decorreu no passado domingo, dia 8 de Fevereiro) aqui ficam os vencedores de cada categoria. Para quem não se lembra da lista completa dos nomeados aqui fica.

Boyhood - Momentos de Uma Vida
Melhor Filme
Melhor Actriz Secundária Patricia Arquette
Melhor Realizador Richard Linklater


Still Alice
Melhor Actriz Julianne Moore


O Filme Lego
Melhor Filme de Animação


The Bigger Picture
Melhor Curta-Metragem de Animação Britânica


Boogaloo and Graham
Melhor Curta-Metragem Britânica


O Grande Budapest Hotel
Melhor Maquilhagem e Cabelo
Melhor Banda Sonora Original
Melhor Argumento Original
Melhor Design de Produção
Melhor Guarda Roupa


Whiplash - Nos Limites
Melhor Edição
Melhor Som
Melhor Actor Secundário J. K. Simmons


Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
Melhor Cinematografia


A Teoria de Tudo
Melhor Filme Britânico
Melhor Actor Eddie Redmayne


Citizenfour
Melhor Documentário


Orgulho
Melhor Primeira Obra


Ida 
Melhor Filme Estrangeiro


Interstellar
Melhores Efeitos Visuais


EE Rasing Star 2015
Jack O'Connell

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Crítica: Selma - A Marcha da Liberdade (2014)


Data de Estreia: 05-02-2015

David Oyelowo é o actor que faz renascer maravilhosamente a figura de Martin Luther King Jr. numa abordagem bastante sincera e intimista de um dos mais importantes líderes do movimento dos Direitos Civis dos negros. A realização de Selma é da responsabilidade de Ava DuVernay que aqui merecedoramente recebe o destaque da sua carreira, tendo já conseguido marcar a diferença como a primeira mulher negra a ser nomeada na categoria de melhor realizadora nos Golden Globes deste ano.

Muito para além do contexto histórico, este filme é um estudo sobre Martin Luther King Jr. enquanto homem, e não só enquanto figura de destaque no activismo e politica. Mostrando um lado vulnerável e profundo do homem que sempre lutou pela igualdade de direitos, Selma é uma belíssima homenagem à sua pessoa, focando exactamente aquilo que foi e atingiu, aqui nomeadamente, na cidade de Selma no Alabama, onde em 1965 Martin Luther King organizou uma marcha, entre as cidades de Selma e Montgomery, em prol de uma campanha que defendia o Direito de Voto aos negros.

É importante frisar que este filme não é nenhuma biografia completa de Luther King, mas sim um relato dos eventos passados em Selma. Bastante emocional e intrigante, consegue relatar esses mesmos eventos de forma profunda e avassaladora, atingindo o realismo sem ser demasiado forçado ou exagerado, apesar de existir alguma controvérsia no que toca a decisões tomadas pelo Presidente Lyndon Johson que estava no poder na altura (pois Luther King e Johson não teriam uma relação assim tão tensa como o filme sugere) algo que foi intensificado para lhe dar um tom ainda mais dramático.

A bonita cinematografia, atmosfera envolvente e cenas que demonstram uma imensa emoção e profundidade são alguns do factores que o fazem destacar de muitos outros filmes que estamos habituados a ver inseridos no género biopic. Todos os actores também contribuem e muito para o sucesso do filme, para além da magnífica prestação de Oyelowo, actores como Tom Wilkinson, Carmen Ejogo, Tim Roth ou Oprah Winfrey entregam boas performances.

Um olhar bastante significativo e poderoso sobre a importância do movimento dos Direito Civis.






Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

Trailer: Magic Mike XXL


Channing Tatum está de volta ao papel de Magic Mike! Depois do sucesso do primeiro filme em 2012, realizado por Steven Soderbergh, a sequela está agora nas mãos de Gregory Jacobs, seu assistente há 25 anos.

Neste primeiro teaser trailer vemos Mike, a trabalhar no seu estúdio. Se bem se lembram o seu sonho era tornar-se designer de mobiliário, mas parace que afinal dança faz mesmo parte da sua vida. Ele e os seus amigos strippers irão se reunir mais uma vez, para uma road trip

Para além de Channing Tatum, o filme mantém alguns dos principais membros do elenco inicial, Matt Bomer, Adam Rodriguez e Joe Manganiello, mas Matthew McConaughey e Alex Pettyfer ficam de fora.

O trailer já está a fazer furor no Youtube e em menos de um dia já obteve milhões de visualizações!

Magic Mike XXL tem estreia marcada para dia 6 de Agosto de 2015.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Judaica | Mostra de Cinema e Cultura 2015


O Cinema São Jorge recebe pela 3ª vez o Judaica: Mostra de Cinema e Cultura, um festival que apresenta os mais recentes filmes e documentários dedicados à temática judaica. Com filmes dos mais variados géneros, desde a comédia até ao drama, a programação não poderia deixar de recordar os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, mas não se fica só pelo cinema, contando também com convidados especiais, debates, literatura e até culinária!

Labirinto de Mentiras de Giulio Riccarelli
A abertura do festival contará logo com uma sessão especial intitulada de Romain Gary: A sua história na História onde os convidados especiais Myriam Anissimov e Pedro Mexia falarão sobre a vida do romancista e piloto na Segunda Guerra Mundial, Romain Gary, conversa esta que será o ponto de partida para a abordagem dos 70 anos do fim da Guerra.

Alguns dos filmes de maior destaque desta edição serão Labirinto de Mentiras, uma drama pós-gerra que relata a conspiração das instituições alemães que encobriam crimes nazis durante a II Guerra; Sapatos, uma interessante curta-metragem contando a história de um par de sapatos que passa da montra de uma loja chique até ao campo de concentração de Auschwitz; Corre Rapaz Corre, a história verídica de um menino polaco de 8 anos que foge de um gueto de Varsóvia tentando ocultar a sua identidade judaica. Um filme que capta a guerra apartir do ponto de vista de uma criança; ou por exemplo Gett: O Processo de Viviane Amsalem, filme vencedor de vários prémios em festivais de cinema e nomeado para Melhor Filme Estrangeiro nos Globos de Ouro de este ano e candidato por Israel aos Óscares, contando a história de uma mulher israelita que luta pela dissolução do seu casamento num país onde é praticamente impossivel existir uma separação legal.

Corre Rapaz Corre de Pepe Danquart
Gett: O Processo de Viviane Amsalem de Ronit & Schlomo Elkabetz
O festival decorrerá de 4 a 8 de Março em Lisboa, e pela primeira vez, passará também por Belmonte de dia 7 a 10 de Maio, no Auditório Municipal e no Museu Judaico de Belmonte. 

Para mais informação sobre todos os filmes e programação completa do festival consultem a página oficial: http://www.judaica-cinema.org/ 

Sapatos de Costa Fam

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Crítica: O Meu Nome É Alice (Still Alice) 2014


Data de Estreia: 05-01-2015

Julianne Moore, fantástica e talentosa Julianne Moore. É impossível não admirar qualquer das interpretações que tenha feito ao longo da sua brilhante carreira. Considerada uma das melhores da sua geração (talvez mesmo a melhor), bastante versátil e consistente, ainda assim parece por vezes ser subestimada. É finalmente chegada a hora do seu reconhecimento, num início de ano que já lhe trouxe muitos prémios, graças a esta grandiosa performance. Este é definitivamente o seu filme, numa performance de liderança, que toca ao coração. 

O Meu Nome é Alice é o retracto duro e cru daquilo que é a Doença de Alzheimer, demonstrando o efeito profundo que esta têm sobre o doente e a sua família. Quando Alice, uma mulher de meia idade, descobre que sofre de Alzheimer, caso raro mas infelizmente possível na sua idade, o mundo começa a desabar adiante de seus pés. Sofisticada e muito inteligente, com três filhos já adultos e um casamento feliz, Alice depara-se com a realidade de que brevemente deixará de ser a mulher poderosa e independente que sempre foi.

É completamente impossível não nos sentirmos comovidos e envolvidos com a personagem. Devemos os créditos disso à magnífica performance de Julianne Moore que apenas com o olhar é capaz de nos passar inúmeras emoções. Sofremos com ela durante todo o processo de desenvolvimento da doença, uma experiência que se torna bastante dolorosa de assistir, e uma cinematografia que nos ajuda a captar perfeitamente toda a dureza dos factos.

O ponto mais forte é sem dúvida a performance de Julianne Moore, pois o filme peca por não conseguir dar-nos uma visão muito mais ampla da doença. O desenvolvimento dos personagens secundários é fraco. Queremos saber mais sobre os filhos e marido de Alice, mas acabam por se revelar muito superficiais. Apesar disso, a personagem de Kristen Stewart (que surpreende imenso conseguindo trabalhar muito bem a sua personagem) consegue ser a que mais se destaca a seguir a Moore. Algumas das melhores e mais poderosas cenas do filme são passadas entre as duas e a química entre elas é perfeita.

O Meu Nome é Alice é um filme devastador, mas que apenas se consegue destacar graças a uma performance central memorável. Se não fosse por isso, não seria merecedor de uma nota tão alta.







Classificação final: 4 estrelas em 5.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Crítica: Sniper Americano 2014


Data de Estreia: 22-01-2015

Depois do anúncio das seis nomeações aos Óscares, American Sniper rapidamente causou a curiosidade do público, premanecendo em primeiro lugar no box office não só nos EUA, mas também em Portugal desde a sua estreia. Este mais recente filme de Clint Eastwood, acusado de propaganda a favor da guerra e demasiado patriotismo, tem vindo a dar que falar. Ele conta-nos a história de Chris Kyle, aquele que foi considerado o atirador mais letal da história dos EUA, retratado como um herói um homem frio e perturbado, tomado pela vontade de vingar o seu país depois dos terríveis acontecimentos do 11 de Setembro.

Um estudo do personagem mal conseguido, foi aquilo que mais me inquietou. Com o passar do tempo, as alterações da sua pessoa ao nível psicológico não são exploradas da forma esclarecedora que poderiam ter sido, o que faz com que o interesse se vá perdendo. Vemos que Kyle quer dar o máximo pela pátria, mas fica pelo caminho alguns pontos essenciais acerca da sua personalidade, quando a coisa mais importante do filme poderia ter sido explorar ao máximo as complexidades da sua mente, que se reflectiam no seu caracter. Percebemos que a educação rígida de Kyle teve influência na sua personalidade enquanto adulto, mas a ligação forte com o seu pai e irmão, que vemos no inicio do filme, fica rapidamente esquecida. O stress pós traumático é representado no filme através de pequenas reacções que Kyle tem no dia-a-dia, quando regressa das missões, pequenos elementos que o fazem lembrar de situações que viveu enquanto estava em combate, mas estas nunca se revelam totalmente eficazes (e aqui não posso deixar de fazer a comparação com The Hurt Locker de Kathryn Bigelow, que segue mais ou menos a mesma linha em termos de história, mas que consegue mexer com as emoções do público de forma intensa e efectiva).

Bradley Cooper, é um bom actor, mas parece que a sua performance deixa um pouco a desejar, ficando muito à quem da intensidade imposta neste tipo de personagem. Não me passou qualquer tipo de emotividade ou mesmo grande revolta e penso se terei sido a única a achar isso, já que vejo grandes elogios acerca da sua performance.

Apesar de achar que o filme tem mais aspectos negativos que positivos, os positivos não podem deixar de ser mencionados. Algumas das cenas de guerra estão muito bem filmadas. A cena de abertura, em que Kyle se depara com a realidade de ter de atirar sobre uma criança, consegue causar a tensão necessária e prepara-nos para a visão de herói que é suposto ter do personagem. Outra das melhores, a sequência da tempestade de areia, que está brilhante, sendo com certeza o momento mais tenso de todo o filme.

Para quem possa não estar familiarizado com a história deste homem, no fim abrupto não é minimamente esclarecedor ou conclusivo. O mistério deixado no ar e as imagens reais que vemos logo de seguida têm um único objectivo. Objectivo esse que é mais uma vez enfatizar o amor à patria e valor dado pela sociedade americana aos que lutam pelo país.

Clint Eastwood optou assim por um filme super patriotista, deixando de lado os aspectos mais complexos que poderíamos ter visto explorados. Optar por analisar o ser humano em condições de guerra podia ter sido uma grande mais valia, ao invés de utilizar uma história que se foca mais no ódio que os americanos têm ao povo muçulmano do que em qualquer outra coisa para além disso.






Classificação final: 2,5 estrelas em 5.