sábado, 18 de abril de 2015

Crítica: A Promessa de Uma Vida (The Water Diviner) 2014


A Promessa de Uma Vida é um drama fictício baseado em factos verídicos, protagonizado por Russell Crowe, marcando também a sua estreia como realizador. A história de Connor (Crowe), um agricultor Australiano cujos três filhos desapareceram durante a Primeira Guerra Mundial, na Guerra de Gallipoli na Turquia, onde Australianos (entre outros) tentaram uma invasão ao país. Esta é considerada um dos mais trágicas eventos de toda a Primeira Guerra e o filme é uma clara homenagem a todos os que lá perderam a vida. 

Passado quatro anos do término da guerra, Connor viaja até à Turquia com a esperança de trazer os corpos dos seus filhos de volta a casa e lá depara-se com inúmeras situações que parecem não o querer deixar cumprir o seu objectivo. Desde cedo fica bem claro qual o principal objectivo de Crowe quando nos mostra várias vezes durante o filme, cenas de guerra absolutamente dolorosas de se ver, sendo estas bastante efectivas - particularmente uma delas envolvendo os seus filhos, em que é praticamente impossível não ficarmos emocionados - e que prestam tributo a todos aqueles que morreram na guerra quer sejam Australianos ou Turcos.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Woody Allen | Take 38 NYC


Artigo presente na 38ª Edição (New York City) da

É impossível pensar em Woody Allen sem o associar de imediato à cidade de Nova Iorque. Nascido em Brooklyn, em 1935, Woody Allen começou a dar provas do seu grande talento para a escrita apenas com 17 anos de idade. Quando percorremos toda a sua filmografia, vemos que já deu imensas provas do seu profundo amor pela cidade em que nasceu, retractando-a frequentemente em muitos dos seus filmes. A sua filmografia contém até à data 45 filmes (quase metade deles são passados em Nova Iorque, sendo que alguns deles não no seu todo) sendo assim sem sombra de dúvida o realizador mais produtivo dos nossos tempos e um sinónimo de qualidade.

Uma Nova Iorque absolutamente charmosa, romântica e ao mesmo tempo encantadoramente neurótica serve de pano de fundo para que Woody demonstre os assuntos que mais o fascinam nas vidas dos personagens que cria, personagens esses, que lidam constantemente com problemas existenciais. Entre muitas comédias românticas e dramas, o seu foco principal sempre foram as relações entre homens e mulheres, o sentido da vida e também a morte.

terça-feira, 14 de abril de 2015

11 de Setembro | O efeito dos ataques em Hollywood | Take 38 NYC

World Trace Center | Oliver Stone | 2006

Artigo presente na 38ª Edição (New York City) da 

Os trágicos eventos de 11 de Setembro de 2001 afectaram de forma intensa não só o mundo, mas também a indústria cinematográfica norte-americana. Não nos podemos esquecer que o cinema também é o espelho da sociedade, e toda a insegurança e medo do desconhecido, do imprevisível, e de alguma forma medo de uma suposta força do mal que vem para aterrorizar aqueles que são inocentes é algo que passou a ser bastante retratado das mais variadas maneiras. Desde então o terrorismo está presente no cinema de Hollywood, especialmente em filmes passados na cidade de Nova Iorque, onde é raríssimo não haver nem que seja uma só referência aos ataques às Torres Gémeas.

Logo depois da tragédia alguns documentários sobre os ataques terroristas começam a ser feitos, mas só passados 5 anos é que os estúdios lançam dois filmes que relatam os eventos baseados nos factos verídicos passados naquela terrível manhã - parece ter havido um certo período de luto que foi respeitado por Hollywood - o primeiro é United 93, de Paul Greengrass, que homenageia e mostra o horrível drama dos passageiros do voo 93 da United Airlines, sequestrado durante os ataques e que teria como efeito atingir a Casa Branca. O único dos quatro aviões que não conseguiu chegar ao alvo pretendido graças à coragem dos seus passageiros. O outro é World Trace Center, de Oliver Stone, que nos dá uma perspectiva do que aconteceu dentro das Torres, seguindo o trabalho de uma de milhares de corporações de bombeiros que trabalhou na operação de resgate naquele dia.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Crítica: Vergonha (Shame) 2011 | Take 38 NYC


Review presente na edição nº 38 (New York City) da

Percorrendo o curto mas grande percurso de Steve McQueen como realizador, vemos que o seu trabalho reflecte sempre um estudo profundo do ser humano e das suas emoções. Shame é mais um exemplo disso, conseguindo causar um grande impacto sobre o espectador explorando emoções.

Brandon é um homem bem sucedido e aparentemente feliz aos olhos de quem o conhece, mas poucos sabem que é viciado em sexo, o que afecta o seu dia-a-dia de forma sufocante. A sua vida fica ainda mais inquieta com a chegada inesperada da sua irmã Sissy, que fica no seu apartamento por tempo indeterminado.
Uma história bem estruturada, por vezes subtil, por vezes explícita, que estuda a vida no presente dos personagens, deixando-nos a tentar desvendar os fantasmas de um passado que os próprios não nos querem revelar.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Crítica: Wild 2014


Wild é mais uma das biografias que o ano de 2014 nos trouxe ao cinema. Realizado por Jean-Marc Vallée (Dallas Buyers Club) este filme, baseado no livro de memórias de Cheryl Strayed, mostra-nos a jornada de auto-descoberta que decidiu fazer ao longo de um percurso que dá pelo nome de "Pacific Crest Trail" com o objectivo de se encontrar a si própria e mudar o rumo da vida auto-destrutiva que adquiriu depois do trauma da morte da sua mãe.

Reese Witherspoon tem uma performance nada glamorosa, mas bela e poderosa, mostrando toda a vulnerabilidade de uma mulher marcada pelo seu passado, conseguindo passar para o espectador toda a sua dor e arrependimento pelos maus caminhos que escolheu. Este é literalmente o seu filme, e revela-se de facto a melhor coisa que podemos retirar dele. O estilo de narrativa não poderia ser mais frustrante. Todos os momentos da caminhada de Cheryl apresentam-se por ordem cronológica mas a quantidade enorme de flashbacks distraem-nos daquele que é o principal

Crítica: Life After Beth 2014


A namorada de Zach (Dane DaHaan), Beth (Aubrey Plaza) faleceu recentemente, e misteriosamente regressa do mundo dos mortos. Ela reage estranhamente a tudo não se apercebendo do que lhe aconteceu, nem se lembrando da maior parte das coisas por que passou pouco antes da sua morte. Cabe agora ao namorado e aos sues pais a tarefa de conseguir lidar com a ideia de que convivem com uma zombie que a qualquer momento lhes pode dar uma dentadinha! Uma mistura de elementos de horror com momentos de comédias estranhos, no primeiro filme de Jeff Baena onde existe uma certa falta de potencial.

Tive alguma dificuldade em me concentrar durante a primeira hora de filme, onde basicamente a história não passa da mesma coisa. Zach quer dizer a Beth que ela está morta, mas os pais de Beth (John C. Reilly e Molly Shannon que acabam por não ter grande destaque em termos de performance) não querem que ela saiba. Girando sempre a volta da mesma coisa, o filme torna-se aborrecido. Passando a primeira hora, quando coisas mais estranhas começam a acontecer e Beth começa a mudar o seu comportamento, o filme fica mais interessante e isso