quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica: Lion - A Longa Estrada Para Casa (Lion) . 2016


Realizado por Garth Davis, Lion - A Longa Estrada Para Casa é o filme baseado no livro "A Long Way Home" de Saroo Brierley, contando a sua história de vida como pobre menino indiano que se perde da família com apenas cinco anos e vai parar à Austrália à casa de um casal da alta sociedade. 

No final dos anos 80, na Índia, um menino de seu nome Saroo (Sunny Pawar) separa-se do irmão numa estação de comboio, quando este se ausenta para trabalhar. Saroo acaba por ir parar dentro de um comboio a imensos quilómetros de distancia de casa, desorientado e sem saber como regressar para junto do irmão e da mãe. Depois de andar a vaguear pelas ruas durante um tempo, sujeito a muitos perigos e situações complicadas, acaba por ir para a um orfanato. Posteriormente é enviado para a Tasmania, onde começará uma nova vida junto de um casal australiano (Nicole Kidman e David Wenham) que o decide adoptar. Avançamos no tempo vinte anos e encontramos um Saroo (Dev Patel) diferente, sempre transparecendo um certo vazio no olhar, que mesmo com uma vida aparentemente perfeita, se sente cada vez mais incompleto à medida que vai conseguindo relembrar alguns dos momentos que passou com a família biológica. Através da namorada (Rooney Mara) e um grupo de amigos, Saroo descobre a mais recente invenção da Google, o Google Maps e é então que se dedica dia e noite pela busca da sua verdadeira família. Um filme sobre sentimentos e relações que aborda adopção, pobreza e o real sentido de felicidade e do amor sob diferentes formas.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Crítica: Ela (Elle) . 2016


Não é muito comum vermos retratada no cinema histórias sobre violações da maneira que esta é retrata. Paul Verhoeven (Instinto Fatal, 1992) aventura-se pela primeira vez na lingua francesa com a maravilhosa Isabelle Hupert a comandar operações. Ela é um thriller sobre insanidade e vingança, que aborda temas delicados, como se uma comédia de humor negro se trata-se.

Uma cena cruel e impiedosa dá inicio ao filme e logo de forma abrupta estamos perante uma invasão de propriedade e uma violação. A vítima é Michèle (Isabelle Hupert) é uma mulher de negócios de meia idade. Ao contrário daquilo que imaginamos, Michèle não reage de forma que estamos à espera, mas sim de forma natural e desprezível, como se nada se tivesse passado. Arruma o local do crime, não chama a policia nem sequer demonstra algum tipo de sentimentos acerca do que acabou de suceder. Ao longo do filme, vamos descobrindo alguns detalhes importantes da vida desta mulher e vamos entendendo o porquê de algumas atitudes. Mas não todas. Michèle é um personagem bastante intrigante, daquelas que mesmo depois do final de uma história, permanecem connosco e nos fazem questionar algumas das situações que acabamos de assistir.

domingo, 6 de novembro de 2016

Crítica: American Honey . 2016


American Honey provocou burburinho este ano em Cannes. Escrito e realizado pela britânica Andrea Arnold (Fish Tank, 2009) acabou por levar para casa o Prix du Jury. Ora alegre, dinâmico, ora triste e silencioso, alcança na perfeição o seu objectivo, levando-nos numa jornada emocional por caminhos onde se "encontra amor em sítios sem esperança".

Começamos por conhecer Star (Sasha Lane), uma rapariga de dezoito anos, à procura de comida no lixo, com duas crianças mais novas, das quais é obrigada a tomar conta. Cansada das responsabilidades de adulto, e de não poder viver a liberdade do que é ser adolescente, Star parte para a aventura, juntando-se a um grupo de jovens que vendem revistas porta a porta, percorrendo os Estados Unidos, sem nada a perder, prometendo aos outros e a si mesma que irá trabalhar muito e que ninguém dará pela sua falta. Rapidamente Star, fica encantada com a sedução de Jake (Shia LaBeouf), o melhor vendedor do grupo e também agente, sendo ele o responsável pelo recrutamento, às ordens da manager do gang Krystal (Riley Keough). Aqui Star encontra uma realidade diferente, sem responsabilidades onde todos vivem o dia-a-dia sem rumo, dormindo em motéis, com sexo, drogas e álcool lado a lado. A estes jovens vendedores tudo é permitido, com uma condição, trazer o máximo de dinheiro ao fim do dia, de preferência enganando os clientes da melhor maneira possível.

sábado, 5 de novembro de 2016

Crítica: O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge) . 2016


Mel Gibson volta à realização e tudo é um misto de emoções. Facilmente conseguimos dizer que é um filme espectacular, belissimo, e ao mesmo tempo ficamos incrédulos com a facilidade com que quase consegue deitar tudo a perder, devido à sua falta de profundidade. Arriscando pouco, com um argumento superficial, segue uma estrutura semelhante a muitas outras histórias baseadas em factos verídicos dentro deste género.

Esta é a história de Desmond T. Doss (Andrew Garfield) um pacifista americano, que conseguiu sobreviver à guerra sem disparar uma bala durante a WWII, na Batalha de Okinawa em Abril de 1945. Prestando apenas auxilio como socorrista, Desmond destacou-se pela sua bravura, o que o levou a receber uma medalha de honra e o título de primeiro Objector de Consciência. Acompanhamos alguns dos momentos da adolescência de Desmond, a relação complicada com o pai (Hugo Weaving) veterano da Primeira Guerra e a descoberta do primeiro amor por Dorothy (Teresa Palmer). Uma história poderosa que apesar de se focar bastante na religião, vai muito para além disso, demonstrando as crenças e moral de um homem e a sua força interior e poder de acreditar, o que o ajudou a alcançar a coragem e bravura necessárias para enfrentar os horrores da guerra, sempre em paz consigo mesmo e cheio de bondade no coração.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

10ª Edição . LEFFEST '16


Lisbon & Estoril Film Festival '16 | de 4 a 13 de Novembro, um pouco do que de melhor se faz pelo mundo da 7ª Arte vai andar, não só aqui por Lisboa, como por Cascais e pelo Estoril. Uma boa selecção de filmes, diversidade, novos talentos, diversas experiências e a participação de algumas estrelas já fazem parte daquilo que é este festival.

O May the Cinema be with you andará por lá e tentará acompanhar o mais que puder, ou não fosse esta, sem dúvida, uma das minhas alturas preferidas do ano. Espero que o balanço seja mais que positivo.

Para saber tudo sobre a programação: www.leffest.com .

Não percam, porque vale a pena!

Crítica: Doutor Estranho (Doctor Strange) . 2016


Pela quarta vez este ano, o universo cinematográfico Marvel invade as salas de cinema, e desta vez com uma abordagem um pouco diferente do habitual. Doutor Estranho tem todo um encanto visual, combinado com as boas performances do elenco de excelência que ajudam a elevar os personagens da história.

O Dr. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um prestigiado neuro-cirurgião que perde capacidades em ambas as mãos depois de um grave acidente de automóvel. Depois dessa infelicidade, Christine Palmer (Rachel McAdams), colega de trabalho apaixonada por Strange, tenta ajuda-lo a mentalizar-se que tem de seguir com a sua vida, mas Strange não aceita os factos e está decidido a fazer de tudo para recuperar as suas mãos. Quando chega aos seus ouvidos que um doente paraplégico conseguiu misteriosamente voltar a andar, procura-o e este fala-lhe da comunidade Kamar-Taj, nos Himalaias. Lá Strange irá encontrar o feiticeiro Mordo (Chiwetel Ejiofor) sob as ordens da poderosa Ancient One (Tilda Swinton), mostrando-lhe outras dimensões e a força do seu poder. Ela não só será a sua mentora, com é a chave para o sucesso da captura de Kaecilius (Mads Mikkelsen), que tem planos para engolir a Terra para dentro de uma dimensão negra.