segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

my (re)view: No Coração da Escuridão (First Reformed)


First Reformed, de Paul Schrader

Como falar deste filme sem elogiar mil vezes a prestação de Ethan Hawke? Absolutamente incrível. É graças à melancolia, dor e entrega que ele coloca neste personagem que faz com que este filme seja ainda mais introspectivo e envolvente, criando uma bela experiência cinematografia que sabe ao saudosismo do bom e clássico cinema de narrativa pesada e cheia de complexidade e conteúdo dos grandes mestres de outros tempos. Paul Schrader escreve e realiza esta obra sobre um padre da uma igreja intitulada de First Reformed, cuja morte do filho na guerra do Iraque pôs à prova as suas crenças levando ao fim do seu casamento e consequentemente o transformou em alcoólico e desprovido de certeza e convicção. Uma viagem emocional sobre solidão, onde a fé se perde e os fantasmas do intimo levam à perda da esperança e do amor. Maravilhosamente filmado e de ambiente bastante intimista, é daqueles filmes que nos acompanham muito depois de terem terminado.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

sábado, 26 de janeiro de 2019

my (re)view: Serenidade (Serenity)


Serenity, de Steven Knight

Bizarro é provavelmente a primeira palavra que me ocorre dizer sobre este filme. Bizarro porque não estamos à espera da quantidade de momentos insólitos a acontecer já para não falar do desfecho surreal da história que deita por terra todas as boas hipóteses do que se pensa que poderia acontecer. Tudo aponta para um filme de suspense envolvendo um possível homicídio, mas esta é afinal uma mistura de thriller sobre o mundo virtual com o plano espiritual sem narrativa estruturada a estes dois pontos. Apesar da incoerência dos factos e do espanto que as revelações que vão surgindo nos causam, ficamos na mesma interessados em saber até onde é que afinal vamos parar. Matthew McConaughey é uma dádiva para este filme onde a melhor coisa com que podemos contar é a sua presença e onde damos graças ao universo pelo tempo de ecrã de Anne Hathaway não ser muito - um ódiozinho de estimação meu, fechando os olhos à sua pessoa no Devil Wear's Prada! Uma história que tenta ter uma dimensão demasiado profunda utilizando artefactos desleixados, cheia de metáforas que perdem significado quando damos por nós a soltar pequenas gargalhadas perante alguma da estupidez dos acontecimentos.

Classificação final: 2 estrelas em 5.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

my (re)view: Suspiria


Suspiria, de Luca Guadagnino

Os remakes dos grandes clássicos costumam ter sempre um enorme ponto de interrogação à sua frente. Apesar da direcção deste novo Suspiria estar nas mãos do super competente Luca Guadagnino, o peso da obra de 1977 de Dario Argento sentia-se mais, visto estarmos perante um dos melhores filmes do género do horror de sempre. Voltamos à conceituada e macabra escola de dança de Berlim onde se escondem acontecimentos estranhos associados a boatos de bruxaria. O misterioso desconforto perante o desconhecido e a forma como a luz, as cores, a cinematografia e o ambiente oculto se apresentavam fazem dele uma experiência daquelas que valem a pena. Perante algo tão bom, tudo o que fosse apresentado imaginava eu que fosse pouco, mas como todo o bom cineasta que faz magia Guadagnino não só fez um trabalho excepcional como fez transcender toda a mística da obra original ainda que abordando esta de maneira diferente. Aqui, aquilo que é o desfecho do filme original, é nos logo revelado e ao invés de passarmos o filme todo a pensar sobre com o que estamos a lidar afinal, as revelações e o medo vão-se instalando nos personagens e o mistério do inexplicável tomam conta da história e nós que até pensávamos que sabíamos ao que íamos, ficamos a processar todos os novos detalhes e segredos que ficam no ar ou não fosse o tema propicio a isso. Tilda Swinton musa de Guadagnino é perfeita no que dá a toda a magia incompreensível da história e Dakota Johnson é surpreendentemente assustadora neste papel em que dificilmente poderíamos imaginar vê-la. Enquanto a obra de Argento é bastante mais surreal, Guadagnino acaba por dar mais significado ao argumento inserindo-o num contexto histórico, nomeadamente mostrando a Alemanha dividida pós nazismo e a mulher com um papel em ascensão a nível social. Para além de um remake, o novo Suspiria dá-nos irreverência, talvez não a mesma irreverência que Argento fez sentir no seu projecto, mas definitivamente uma abordagem corajosa perante um filme de culto adorado por muitos. O mais importante de tudo é sentir que a cada obra de Luca Guadagnino, se sente a sua paixão pelo que faz.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

my (re)view: Green Book: O Guia (Green Book)


Green Book, de Peter Farrelly

Viggo Mortensen e Mahersala Ali já demonstraram anteriormente o quão são bons naquilo que fazem e em Green Book isso não muda. Os personagens são daquele tipo que cria empatia com o publico, assim como a narrativa está disposta precisamente para puxar para o sentimento e supostamente se conecta connosco. Talvez esse seja mesmo o seu problema, pois acaba por ser demasiado básico e algo que já vimos anteriormente. O filme acompanha a viagem do motorista Tony Vallelonga e do pianista Don Shirley pelo sul dos Estados Unidos ainda durante o tempo em que os negros não podiam frequentar os mesmos espaços que os brancos e mostra a relação que foram criando ao longo dessa viagem. Confesso que não compreendo todo o buzz em torno deste filme. Mais uma história verídica, sobre uma amizade improvável numa época onde poucos ousavam contrariar a sociedade. Inovador? Não. É apenas um filme mediano, doce, divertido, com boas performances, mas com algumas falhas no desenvolvimento de personagens onde a maior parte das pessoas nem vai querer saber. A ideia é a cima de tudo mexer com as emoções de quem vê. Há coisas piores, mas incluir este filme como um dos melhores do ano é sobrevaloriza-lo. O que é certo é que a critica em geral também está a adorar e a mensagem pode ser significativa sim, mas houve melhor cinema durante o ano. É mais um caso onde os actores fazem o filme e pouco mais, em especial Viggo Mortensen que tem aqui mais uma grande performance na carreira.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

domingo, 28 de outubro de 2018

my (re)view: O Primeiro Homem na Lua (First Man) . 2018


Com Whiplash (2014) Damien Chazelle dava-se a conhecer ao mundo, com La La Land (2016) tornou-se no realizador mais jovem a ganhar um oscar nessa mesma categoria, com First Man foi posto de parte todo o seu conhecido arrojo, num filme que joga imenso pelo seguro numa tentativa de transformar este acontecimento de grande controvérsia ao longo de todos estes anos, em algo demasiado metafórico, ao mesmo tempo estranhamente simples e até por vezes aborrecido. A nível técnico, Chazelle continua a manter-se fiel à belíssima forma com que nos apresenta os seus filmes, mas é no que toca ao argumento que as coisas correm para o torto. Focado a cem por cento na figura de Neil Armstrong (Ryan Gosling) é estranho quando tudo parece distante sem grande relevância emocional ou afectiva, tornando-se muito difícil a empatia com os personagens, especialmente quando Ryan Gosling que até faz por isso, pouco consegue. Curiosamente Claire Foy, interpretando a mulher de Armstrong consegue ser muito mais envolvente que este. Talvez o medo que suscitar algum tipo de polémicas tenha sido mais elevado do que a vontade de aprofundar algumas questões, e enumeras vezes em que chegamos quase a esse ponto nada de especial acontece e lá voltamos nos para mais momentos de introspecção ao lado de Armstrong, onde mais parece que deixamos de ver um filme de Chazelle e passamos imediatamente para um estilo Malick. A banda sonora é competente e quando enquadrada com a excelente cinematografia, melhor. É de destacar também aquele que para mim é o melhor aspecto do filme, e talvez o único que o torna diferente de muitos outros com histórias de exploração espacial, pois quando dentro de qualquer um dos foguetes espaciais a sensação claustrofóbica, de tensão e medo do desconhecido conseguem transparecer para o lado de cá do ecrã. Um passo pequeno para Damien Chazelle, e ainda menos grandioso para esta história na Lua.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

my (re)view: Assim Nasce Uma Estrela (A Star is Born) . 2018


Desconhecendo os anteriores remakes desta história, parti à descoberta de A Star is Born como sendo apenas um daqueles que seria os filmes da golden season deste ano. Sem querer saber muitos pormenores sobre a história é absolutamente impossível não ficar surpreendido com aquilo que nos deparamos ao longo do filme. Bradley Cooper estreia-se aqui na realização, escrevendo e protagonizando esta história ao lado do talentoso ser que é Lady Gaga. A carga emocional que o filme carrega, vai muito mais para além daquilo que é a industria musical mostrando vulnerabilidades de pessoas comuns, da sua vida pessoal e dos seus desafios enquanto figuras no mundo da música. Se por um lado Jackson Maine (Bradley Cooper) adquiriu um estatuto, Ally (Lady Gaga) procura essa oportunidade. Quando Maine descobre Ally e os dois se apaixonam a decadência da carreira de um começa enquanto a ascensão do outro inicia. Entre a paixão de um pelo outro e a paixão pela música e pelo que ela significa para os dois, os problemas com o álcool e as drogas de Maine começam a afectar não só a sua carreira, mas também a de Ally. Para além da grande interpretação de Bradley Cooper, o argumento e a realização são impecáveis, mencionando a tremenda química existente entre ele e Lady Gaga que transborda para lá do ecrã. Gaga é uma rainha, excelente cantora e compositora dá-nos uma poderosa interpretação, emocional e muito intima, conquistando tudo aquilo em que toca. Sam Elliot também ele extraordinário com papel de destaque como manager e irmão de Jackson Maine. Sendo este um drama sobre música, não se poderia pedir menos que uma banda sonora sublime com canções que nos acompanham muito depois da visualização do filme. Arrisco-me a dizer que facilmente será lembrado como um dos romances dos últimos tempos. Como na vida real, nem tudo é um mar de rosas e é bom que existam filmes assim.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

my (re)view: Venom . 2018


Sem tom bem definido, não conseguimos medir a força de algumas intenções deste esperado stand-alone da Marvel, este com demasiados gaps na história derivado à pobreza do seu argumento e ao desleixo de diálogos. Desde efeitos visuais totalmente ancestrais, má edição de imagem e fraco desenvolvimento de personagens, Venom desperdiça também o excelente elenco, até dá dó. Acho que queria algo mais dark ao invés de cómico, mas já que estaríamos na base da comédia, que fosse menos patético e mais substancial. Talvez tenho sido esta tentativa de transformar Venom em algo semelhante a Deadpool ou Guardians of the Galaxy mas sem que nem um terço do que se passa, consiga chegar aos calcanhares de como a comédia os torna diferentes dentro do universo Marvel. Tom Hardy merecia bem melhor que isto. Felizmente e em grande parte graças a ele dá para tolerar e ainda o conseguimos ver brilhar em algumas cenas em que luta contra os seus novos impulsos. É isso que escapa a Venom, pois contrariando o espírito do anti-herói que lhe dá nome, faltou a coragem de arriscar.

Classificação final: 2 estrelas em 5.

sábado, 6 de outubro de 2018

my (re)view: Pesquisa Obsessiva (Searching) . 2018


Searching saiu com grande buzz do Festival de Sundance desde ano como sendo inovador, conquistando grandes elogios por parte da audiência. O conceito não seria o mais apelativo para mim, mas assim que constatei a forma como o formato está tão bem aplicado percebi que para além de não poder ser mais actual nesta era em que vivemos, também consegue através das maravilhas mas também das artimanhas das novas tecnologias e da internet obter um resultado final quase perfeito criando um ambiente super intrigante e totalmente original, capaz de construir uma história sólida e de agarrar ao ecrã com momentos cheios de suspense que nos deixam à beira de um ataque de nervos. John Cho é um pai desesperado que tenta encontrar a filha desaparecida à cinco dias, recorrendo apenas a explorar as suas redes sociais, entrando em contacto com amigos e conhecidos, conhecendo melhor a rotina da filha através das ferramentas com que todos já não sabemos viver sem. Muito do sucesso desde filme vive da interpretação de Cho, pois é ele que vemos maioritariamente durante todo o filme ora através de ecrã de computadores ou de telemóveis, usando métodos diferentes de apresentar o decorrer da acção, nunca da mesma maneira, impedindo assim a possibilidade do filme se tornar entediante. Colocado ao lado de outras anteriores propostas semelhantes, Searching consegue surpreender com reviravoltas inesperadas e apesar do final ser o esperado as voltas para lá chegar são interessantes e ajudam a criar um grande mistério. A mensagem principal fica claramente transmitida. Todos sabemos que Instagram, Facebook, Twitter, e outros tantos que tal, fazem cada vez mais com que a relações se tornem impessoais e menos calorosas, mas podem ser também uma importante ferramenta. Mistérios da nossa sociedade.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

my (re)view: Upgrade . 2018


Quando o falatório é muito, das duas uma: ou é mesmo muito bom ou não é grande espingarda. O melhor é desconfiar. Pois é, esta é mais uma daquelas promessas que pouco ou nada nos consegue cativar. Upgrade já andava nas bocas do mundo como sendo o novo Robotcop ainda por cima com o irmão separado à nascença de Tom Hardy, senhor esse que dá pelo nome de Logan Marshall-Green cujas qualidades como actor são bastante competentes, o problema está no argumento pouco eloquente onde nos deparamos com um cenário que pouco ou nada sabemos como lá chegamos, mau desenvolvimento de personagens e muita trapalhada no desenrolar da acção. É um sci-fi como 90% daqueles com que habitualmente nos deparamos durante o ano, mal estruturado mas que lá no fundo dá pena por ter potencial para ser muito mais que aquilo que nos entrega. Marshall-Green tem um bom desempenho e as cenas de pancadaria são muito bem executadas, tirando isso pouco mais é de louvar. Andam também alguns entendidos a dizer que isto será futuro filme de culto, quanto a isso não sei. Para já, deixa muito a desejar.

Classificação final: 2 estrelas em 5.

sábado, 25 de agosto de 2018

my (re)view: Mission: Impossible - Fallout . 2018


Quando sai o primeiro Mission: Impossible em 1996 com Brian de Palma no comando e Tom Cruise a fazer as honras, penso que se estaria longe de imaginar que 22 anos depois a saga continuasse de pé e ainda com pernas para andar por mais uns bons anos. Cruise entrava assim na fase a que eu gosto de chamar "filmes à Tom Cruise" ficando cada vez mais conhecido o facto de não precisar de duplos para fazer todas as cenas de acção nos seus filmes, aspecto que dá todo um outro entusiasmo quando estamos a assistir a essas cenas. As missões de Ethan Hunt (Tom Cruise) e da sua equipa ao serviço do IMF (com Ving Rhames e Simon Pegg como secundários até agora mais recorrentes) tornaram-se um sucesso sendo um dos franchises que mais dinheiro já gerou nas bilheteiras a nível mundial. Com altos e baixos no que toca a qualidade, ao longo destas duas décadas, ninguém pode negar que a acção está sempre garantia, assim como a energia do cast e entrega de Tom Cruise parecem tomar contra de tudo o resto que poderia correr mal. Com a chegada de Mission: Impossible - Fallout realizado por Christopher McQuarrie, a fasquia rebenta e sendo este um dos melhores filmes de acção dos últimos anos, juntado-se a Mad Max: Fury Road, como mais uma das provas que os blockbusters podem ser de extrema qualidade contendo um bom equilíbrio no que toca a escrita vs parte técnica. As sequências de acção vão aumentando de intensidade à medida que o plot se vai desenvolvendo, enquanto ficamos com os nervos em franja! A sequência da perseguição de motociclo em Paris é algo espectacular assim como a de Kashmir na Índia envolvendo literalmente uma luta entre helicópteros. Humor e suspense são aqui bons aliados, juntando uma banda sonora perfeita que ajuda a entranhar o espírito frenético e intenso, saindo da sala a pensar como é que é possível um simples filme de acção mexer tanto connosco, permanecendo na memória tal é a perfeição na execução de muitas das cenas. Seis filmes depois, cinco realizadores depois, mas o mesmo Tom Cruise de sempre. Quero mais, espero que igual ou melhor.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

domingo, 19 de agosto de 2018

my (re)view: Tully . 2018


Tully revela o lado sombrio da maternidade, que certamente se conecta com muitas mulheres que já passaram ou estão a passar pelas dificuldades, mas também pelas alegrias que isso acarreta. O melhor de tudo é que mesmo para quem ainda não saiba o que isso é (o meu caso) a experiência se torna emocional, com a magnifica Charlize Theron a dar tudo, para que a sua ligação connosco enquanto expectadores seja a mais real e sentimental possível. Charlize Theron, que continua a optar por escolhas muito interessantes na carreira, estando a crescer cada vez mais e seriamente a tornar-se das mais completas actrizes da sua geração. Aqui temos o factor comédia sempre ligado de forma satírica à vida familiar e ao papel da mulher enquanto dona de casa e progenitora, enquanto vemos situações que poderiam perfeitamente ser reais e inseridas no dia-a-dia de alguém comum, coisa que Jason Reitman consegue atingir em todos os seus filmes, que têm sempre um sabor agri-doce ou não gostasse ele de contar as histórias reais de pessoas que bem poderiam ser reias. Momentos fantasiosos vão-se cruzando connosco, como se estivemos dentro da cabeça da personagem principal, mas nunca desvendando o final que nos espera. Este seria provavelmente o tipo de filme onde não estaríamos à espera da um twist final e isso é o mais surpreendente de tudo e o que o torna ainda mais especial tendo em conta o tema central da história que por sinal é muito sério. Cheguei ao fim do filme com a sensação que será um dos injustiçados deste ano, mas merece grande crédito, não só pelo que significa, mas também pelo que consegue atingir através dos actores e daquilo que eles fazem nos momentos mais significativos. 

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

domingo, 8 de julho de 2018

my (re)view: The Incredibles 2: Os Super-Heróis (Incredibles 2) . 2018


É bom, sim é, mas não tão bom quanto o primeiro filme. A Pixar esperou demasiado tempo para reavivar está história, e o seu ponto de partida é exactamente o final onde nos deixaram no original de 2004, talvez sendo esse o maior problema, pois apesar deste estar repleto de humor e muita acção quase em parar, dificilmente consegue surpreender ou arriscar sendo irreverente. Aos 14 anos vibrei com o que vi, e estava convicta de que iria vibrar da mesma forma, mas a verdade é que não foi bem assim. Diverti-me bastante, mas não senti a mesma magia de quando acabo de ver muitas outras obras primas da Pixar. O facto de ser bastante previsível e de se guiar por todas aqueles assuntos actuais, onde o female empowerment é o que importa, dando bastante mais relevo ao papel da Elastic Girl, acaba por fazer com que o restante conteúdo não seja tão interessante assim, levando-nos até um vilão bastante fraco, optando pelos caminhos fáceis e não tão inteligentes quanto a Pixar costuma utilizar, transformando todo o girl power em algo banal. O bebé Jack Jack, acaba por ser a surpresa mais agradável de todas, proporcionando as melhores gargalhadas e os momentos mais inesperados de todo o filme. Depois do lindíssimo Coco, Incredibles 2 não conseguiu ultrapassar expectativas.

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

my (re)view: Hereditário (Hereditary) . 2018


Uma boa experiência de horror, é aquela que nos incomoda e perturba, mesmo quando não estamos perante nada chocante a nível visual. Hereditary está ao nível de muitos bons filmes da era de ouro do género, onde encontramos bastantes semelhanças quer de ritmo, intensidade ou mistério, de muitos dos mais emblemáticos filmes de horror, principalmente do horror psicológico, aquele que mais aprecio. O ambiente mexe connosco só pelo facto de não sabermos ao certo onde vamos chegar, andando as voltas pelo caminho traçado, caminho esse onde o espiritismo e o historial de crenças e atitudes nos fazem ficar baralhados. Os actores impecavelmente são parte do sucesso do filme e são meio caminho andado para esse factor perturbador dar certo. Toni Colette nunca esteve tão bem, numa personagem que aflige só de olhar para ela. Muitas são as pistas por nós ignoradas, levando a um desfecho macabro. Muitos são os momentos de ficar de boca aberta, sem saber como reagir. Mas muitos mais são os momentos em que não aguentamos de tanta tensão sem saber o que vai acontecer a seguir. O mais engraçado é a forma como o realizador Ari Aster brinca com os nossos sentimentos, num filme que não é feito de sustos, mas que usa truques perfeitos que nos levam a pensar que algo mau vai acontecer em breve, criando uma agonia no espectador, mas que logo a seguir e curiosamente se transforma em fascínio, pois tanto queremos que acabe depressa, como queremos revê-lo mais uma vez assim que acaba. Este género parece continuar a surpreender e este vai ser um dos melhores e mais irreverentes do ano.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

terça-feira, 5 de junho de 2018

my (re)view: Sou Sexy, Eu Sei! (I Feel Pretty) . 2018


Contrariando a opinião de muitos que já viram este filme, como mulher consegui encaixar me perfeitamente a nível emocional perante o que vi. Vivemos num mundo onde a imagem vende imenso, onde mulheres que não se inserem em determinados números da balança, não se arranjam ou vestem consoante os padrões da sociedade, são julgadas todos os dias, nos mais variados sítios, tanto por outras mulheres como por homens, fazendo-as sentir feias e indesejadas a nível laboral, intelectual e social. I Feel Pretty, ao contrário de muita coisa que li sobre ele, é um retrato real sobre aquilo a que muitas mulheres estão sujeitas, onde obviamente aqui algumas das cenas são exageradas, e inseridas no género da comédia, mas todas elas com o propósito de demonstrar o mesmo: a pressão da sociedade sobre aquilo que a mulher deve ser principalmente a nível estético. Amy Schumer é o que eu chamo de mulher real, e não poderia haver melhor escolha para este papel. Também ela por vezes julgada no universo Hollywoodesco e das redes sociais, exactamente pelos mesmos motivos. A mensagem mais importante a retirar daqui é que temos de aprender todos os dias a ter mais confiança em nós próprios e o mundo começará também a olhar para nós de forma diferente. Temos que nos aceitar primeiro e a partir daí, todos os outros são obrigados a nos aceitar. A mensagem é inspiradora, mas a originalidade do argumento nem por isso. A história tem o seu quê de What Woman Want, Bridget Jones Diary e até Shallow Hal, com os clichés do costume inerentes a este tipo de histórias. Para quem pensa que vai encontrar Schumer no mesmo registo do engraçadissimo Trainwreck de Judd Apatow engane-se (confesso que ia à procura disso mesmo), pois I Feel Pretty está longe disso e desperdiça muito do seu grande talento. É apenas mais um filme que irá cair no esquecimento, quando poderia muito bem transformar-se uma ode à mulher moderna.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

sábado, 2 de junho de 2018

my (re)view: Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story) . 2018


Mudanças repentinas já a meio do caminho, são sempre indicio de que algo poderá correr mal, e aquando do afastamento de Phil Lord e Chris Miller da realização de mais um snip-off da saga Star Wars só se poderia esperar o pior. Ron Howard entra a bordo e não faz muito mais daquilo que era esperado para Solo: A Star Wars Story. Neste segmento Han Solo é o personagem de destaque, mas a sua história não é afinal tão surpreendente quanto isso, num argumento que joga muito pelo seguro, entretém, mas com menos brilho do que o carisma reconhecido que Solo merece, muito em parte por aquilo que Harrison Ford fez dele. Alden Ehrenreich consegue aproximar-se muito bem do tom e maneirismos de Ford, e descobrimos aqui como Han Solo conheceu Chewbacca, sabemos também como conheceu Lando Calrissian (Donald Glover Jr.), mas sabemos muito pouco do que foi o seu passado enquanto criança e adolescente no planeta de Corellia e também sobre Qi'ra (Emilia Clarke) a personagem mais misteriosa e intrigante desta história, mas que na realidade chegamos ao final sem saber muito mais sobre ela do que sabíamos no inicio. Um dos factos curiosos, é a aposta forte na crítica social e actual sobre a desigualdade entre géneros, que inserido neste mundo era tudo aquilo que menos podiamos estar à espera. No geral, falta-lhe desenvolvimento de personagem e situações. Falta também o brilho especial da saga, que também acabou por faltar a Rogue One. Mas se gostei de ver? Gostei. Apesar de ser apenas razoável, a magia Star Wars fala sempre por si.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

domingo, 27 de maio de 2018

my (re)view: Deadpool 2 . 2018


Holy f*#%$"! sh*t, é impossível não adorar Deadpool! Dentro de um nível completamente diferente de tudo aquilo que já vimos no cinema sobre super heróis, Deadpool é o perfeito anti-herói. Nunca esperei que esta sequela eleva-se a fasquia, mas que pelo menos a mante-se. Foi isso que aconteceu! É completamente impossível ver este filme sem um sorriso patético na cara o tempo todo! Ryan Reynolds é claramente dos melhores castings da história e para além das caras que ficaram conhecidas da primeira grande aparição de Wade Wilson no cinema, juntam-se agora ao grupo Josh Brolin que tem sempre tudo para ser um bom vilão, Zazie Beetz responsável pela elevada dose de girl power e também o jovem Julian Dennison que já tinha brilhado em 2016 num maravilhoso indie de Taika Waititi, The Hunt for the Wilderpeople, que aposto que foi um peso enorme para a escolha deste papel. O que eu mais gosto em Deadpool é que nunca segue regras e aproveita ao máximo as escolhas menos inteligentes a nível de argumento para fazer pouco disso mesmo, tornando o que é banal em algo mais cool e arriscado. Engane-se quem pensar que Deadpool não tem sentimentos, pois desta vez vemos o seu lado mais sentimental e profundo, com uma componente mais sombria e emocional, mas que por sua vez proporciona por isso mesmo momentos ainda mais gloriosos e cheios de acção, ou não fosse o seu realizador, David Leitch também ele responsável por John Wick. Está também bastante presente o conceito de família, união e amizade que não encontrávamos no primeiro filme. É raro quando uma sequela ultrapassa a qualidade do filme original, mas é certo que este não desaponta. Um elenco peculiar, para personagens peculiares, que resulta na perfeição onde Reynolds steals the show com uma perna às costas.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

domingo, 20 de maio de 2018

my (re)view: Nunca Estiveste Aqui (You Were Never Really Here) . 2017


Assoberbado por um espírito bastante misterioso e ao mesmo tempo inquietante, You Were Never Really Here é daquelas experiências difíceis, mas que perduram na memória, onde a violência está presente e onde por vezes temos dificuldade em distinguir o que é realidade do que não é. De atmosfera bastante intensa, transportando uma grande melancolia, a realizadora Lynne Ramsay deixa-nos ser nós próprios a preencher os pedaços no vazio, tornando a experiência ainda mais interessante. Um jogo difícil e complexo sobre um homem de personalidade destrutiva, agressiva, mas doce ao mesmo tempo, que depois de se ter reformado de uma vida às ordens da lei, vive agora à margem resgatando jovens desaparecidas por conta própria. Joaquin Phoenix tem aqui mais uma performance de topo, tendo ganho o ano passado no Festival de Cannes o prémio de melhor actor, título único, depois de infelizmente o filme ter caído no esquecimento de todas as outras atribuições de prémios durante o ano. A força da realização de Ramsay e a impecável performance de Phoenix são o maior triunfo, onde o título faz muito mais sentido quando reflectimos sobre a importância do tema.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

my (re)view: Um Lugar Silencioso (A Quiet Place) . 2018


Quando um filme contém tudo aquilo que um género deve ser. Bem vindos a um cenário pós-apocalíptico não muito distante, onde reina o silencio e todos aqueles que se atreverem a fazer qualquer som se condenam automaticamente a um fim. Algures nos Estados Unidos, conhecemos uma família das poucas que parecem resistir aos novos tempos, cuja união faz a sobrevivência, mas o medo acaba por liderar as suas vidas. O grandioso trabalho tanto dos actores como da edição de som, fazem com que seja meio caminho andado para o sucesso deste filme, cuja história é inquietante do inicio ao fim, cheia de grandes interpretações e uma cinematografia de tirar o fôlego, criando por si só uma envolvencia interessante deixando o espectador com uma ansiedade tremenda pelo que está por vir. A Quiet Place segue claramente outras referencias do suspense/horror, mas fá-lo muito bem e à sua maneira. A tensão e o medo ultrapassam o ecrã e a experiência vale totalmente a pena. Espero que John Krasinski não seja esquecido quando lá para o final do ano se falar do que foi bom cinema durante o ano. Espero também que Emily Blunt comece a ser valorizada mais vezes, pois está mais que provado que já o deveriam ter feito.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

sábado, 28 de abril de 2018

my (re)view: Avengers: Guerra do Infinito (Avengers: Infinity War) . 2018


E eu que estava prontinha para cascar tanto nisto, acabei por sair extremamente surpreendida. A verdade é que não sou propriamente fã destas alianças ao estilo "tudo ao molho e fé em deus", mas parece que desta vez foi diferente. Pensamos que estamos preparados para o que vamos encontrar, mas não. Tanto o primeiro Avengers como Age of Ultron ou Civil War sofriam de coerência entre personagens e momentos, tornando os filmes confusos com uma escrita monótona e sem graça. Acontece que os acontecimentos que aqui nos trazem são muito mais trágicos e leva-nos até um desfecho que para aqueles que como eu, não seguem habitualmente os comic books, surpreende muito, pondo em causa daqui para a frente tudo aquilo que até aqui vimos. Continuo a achar a duração destes filmes desnecessária, pois não precisava de três horas para ficar ou não convencida, mas todos os momentos entre Thor/Guardians of the Galaxy, Stark/Strange ou Thanos/Gamora são grandiosos, já para não falar do humor inerente a todos eles, apesar da carga dramática mais associada à team Captain America. Afinal a aposta mais ambiciosa da Marvel até agora não foi um fiasco como esperava e quer se seja fã ou não, o impacto final está lá. Stand alone's à parte, finalmente estiveram dispostos a correr riscos e por isso mesmo as coisas resultaram melhor.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

my (re)view: Peter Rabbit . 2018


Há lá coisa mais querida do que filmes com animais falantes!? Não. Mas são todos eles bons!? Nem pensar. Peter Rabbit é daquelas promessas que infelizmente cairá no esquecimento, pelo medo de arriscar e pela falta de criatividade com que chegou até ao grande ecrã. É certo que se baseia nos contos clássicos infantis de Belatrix Potter, mas assim como é super bem executado a nível visual, com um uso perfeito do live-action, esta história sobre um coelho do campo e das aventuras com a sua família, podia ter surpreendido mais se tivesse optado menos pela previsibilidade dos actos e talvez mais pelo lado sombrio e sincero das coisas naturais da vida e pelo sentimento de união e amizade. No que toca à animação as criaturas são super bem conseguidas, parecendo mesmo de verdade, assim como a interacção com os actores é perfeita, e algumas das cenas executadas com extremo cuidado visual. Mas é no que toca à escrita que perde muitos pontos. Sabe a mais do mesmo e apesar da doçura com que olhamos para os coelhinhos, falta-lhe muito do charme que por exemplo Paddington dentro do mesmo género, consegue transportar. Conhecendo os livros da sua autora original, acredito que não ficaria satisfeita. Quando a mim, é apenas mais um dentro da categoria do fofinho.

Classificação final: 3 estrelas em 5.