quarta-feira, 8 de maio de 2019

my (re)view: Seduz-me Se És Capaz (Long Shot) . 2019


Acho que ninguém no planeta pensaria ver um dia Seth Rogen e Charlize Theron a fazer par amoroso ainda para mais numa comédia romântica. Pois isso aconteceu e o mundo agradece! Que química incrível e absolutamente improvável. A forma os dois encaixam super bem nesses papeis deve-se ao enorme talento de Theron e à irreverencia habitual já conhecida de Rogen. Realizado por Jonathan Levine que já conta com algumas comédias no seu cardápio, Long Shot é infelizmente e também apenas mais uma comédia. Com um par tão forte como o que descrevi a cima, desperdiça-se totalmente a oportunidade de contar uma história diferente, recorrendo apenas à inversão de papeis, cuja figura feminina ao contrário do habitual é quem tem mais poder, e o homem é aquele que se encontra numa posição mais delicada. Theron é candidata à presidência dos USA e paixoneta antiga de Rogen que volta a cruzar-se no seu caminho depois de ter sido despedido de um jornal local. O filme é feito na sua maioria de clichés habituais, mas também de momentos engraçados onde dá efectivamente para soltar umas gargalhadas mas nada de extraordinário. Os momentos de destaque não são tantos como aqueles que estava à espera, existem ainda assim uns bem bons, que infelizmente não são os suficientes para fazer deste filme algo de destaque. Não consegue passar da rom-com mediana, mas com dois fortes protagonistas. É um bocado bem passado onde afinal de contas é delicioso ver Charlize Theron e Seth Rogen a dançar ao som de Roxette. Imaginavam alguma vez isto?

Classificação final: 3 estrelas em 5.

terça-feira, 30 de abril de 2019

my (re)view: Avengers: Endgame . 2019


Avengers: Endgame, de Joe Russo and Anthony Russo

Onze anos e vinte e dois filmes depois a Marvel chega ao final de um ciclo. Certamente que os filmes deste universo cinematográfico continuarão a render muitos milhões, mas este é para mim também o terminar desta era. Sempre assumi que não era uma fanática por este tipo de filmes, no entanto sempre os acompanhei ao longo de todos estes anos. O bom casting de actores e o entretenimento associado eram o bastante para me fazer continuar a vê-los e quer se queira quer não, gostando mais ou menos, vamos conhecendo as histórias e ficando agarrados as possibilidades do que poderia acontecer a seguir a este ou aquele super-herói mias querido. Por consequência somos obrigados a seguir todos os filmes se não queremos perder o fio à meada. É quase impossível falar sobre este Avengers: Endgame sem revelar muito porque a verdade é que ele mexe com algumas emoções e isso obriga a alguma filtragem no que toca a escapar algum tipo de spoiler. As três horas de filme estão para mim divididas entre muito bom e assim-assim. A primeira hora e meia é do melhor que já se viu em filmes do género. O tom sombrio e o óptimo desenvolvimento de personagens no contexto de um ritmo lento transformam o filme em algo bastante denso, cheio de conteúdo e propósito. À medida que vamos aumentando o ritmo, entram mais personagens e a nostalgia vai sustentando bem o enredo. Adorei o facto do legado humorístico de Taika Waititi (realizador de Thor: Ragnarok) se ter mantido no actual Thor, muitos acharam que o ridicularizou, eu achei um máximo. Quando o conteúdo é em si pesado nada melhor que um toque de humor. Assim que entramos na parte de mais adrenalina da acção todos os problemas comuns nos filmes da Marvel surgem à superfície e isso desaponta um bocadinho. Aparecem os habituais problemas de um filme que contém muitos personagens e daí surgem também as inerentes dificuldades de gestão de tempo para dar espaço a todos. A batalha final poderá ser para alguns o ponto alto deste filme, mas como é recorrente os problemas estão presentes nomeadamente a sua duração e um momento um tanto ou quanto awkward e forçado, fruto dos tempos e da obsessão para demonstração da igualdade de género. Como mulher gosto de um bom momento de girl power, mas esse tem de ter propósito e ser natural coisa que não acontece. Não sei se muitos estarão preparados para o seu desfecho, cuja emotividade puxa para o nosso lado mais sensível, pois na verdade fomos não diria obrigados, mas habituados (os que gostam disto pelo menos) a seguir com carinho alguns personagens. Para mim foi forte. Fiquei triste e dei por mim a reflectir que se calhar até tenho gostado mais disto tudo do que eu pensava... Poderá não ser o grande filme épico de desfecho, mas é sem dúvida alguma uma boa forma de terminar um ciclo.

"I love you 3000".

Classificação: 4 estrelas em 5.

Top Marvel movies: https://boxd.it/2SuBo

terça-feira, 23 de abril de 2019

my (re)view: Se Esta Rua Falasse (If Beale Street Could Talk) . 2018


If Beale Street Could Talk, de Barry Jenkins

Barry Jenkins viu crescer todo o seu buzz quando em 2016 realiza Moonlight, uma abordagem bastante honesta e crua em torno da homossexualidade e as suas complexidades. Desta vez em If Beale Street Could Talk essa honestidade e dureza mantém-se, assim como a beleza e envolvência visual e emocional que este filme transmite e Jenkins tão bem a faz passar. Pensamos não saber onde ele nos vai levar, mas afinal não nos leva a um grande lugar e isso é bom. Mais importante que isso são todos os lugares especiais pelos quais vamos passando. Pode não ser um lugar melhor que o ponto de partida, mas temos esperança e acreditamos nele com todas as nossas forças. Torcemos pelo bem estar dos personagens e queremos que tudo corra bem. É esta a maior beleza deste filme, que acompanha a jornada apaixonada de um casal negro, os seus primeiros anos de vida em comum, contrastado com a desgraça perante o infortuno de nascer com o tom de pele errado. Há algo demasiado belo para ser transmitido em palavras e é isso que torna esta história tão bem sucedida. Vamos passando por várias facetas emocionais neste filme, entre as quais felicidade, paz, esperança mas também tristeza, raiva e revolta isto graças ao sentimento que os actores colocam nas suas personagens. Para além de marcar uma posição é um dos filmes mais românticos que já vi nos últimos tempos. Uma intensidade tal que é de partir o coração.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

my (re)view: Hellboy . 2019


Hellboy, de Neil Marshall

Por onde começar no meio de tanto desastre? Raramente me arrependo de gastar dinheiro num filme, pois para mim ir ao cinema nunca é dinheiro mal gasto. No entanto, arrependo-me de ter escolhido ver este filme. Depois dos dois filmes de Hellboy de Guillermo Del Toro, chega o reboot de Neil Marshall com David Harbour no papel que outrora pertenceu a Ron Perlman e sejamos honestos assentava melhor ao último. Com poucos minutos de filme, adivinhei logo no sacrifício que aquela sessão se ia tornar. O argumento é péssimo, cheio de falhas e confusão por todo o lado. O CGI é do pior que já se viu, nem nos primórdios dos efeitos especiais se viram efeitos tão mauzinhos. Diálogos mesmo muito fraquinhos, até eu sou capaz de escrever melhor. Safam-se algumas, muito poucas infelizmente, cenas divertidas, e a banda sonora. Mais uma daquelas ideias tristes que os estúdios gostam de concretizar. Quanto mais penso sobre ele fico ainda com mais dúvidas sobre a nota que dei, talvez até merecesse menos.

Classificação final: 1,5 estrelas em 5.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

my (re)view: Shazam! . 2019


Shazam!, de David F. Sandberg

Muitos preferem evitar trailers e bem! Dizem que a curiosidade matou o gato e a mania que tenho de ver os trailers de todos os filmes pelos quais tenho mais interesse trama-me mais vezes do que me favorece. Para uma pessoa pouco conhecedora de comics a não ser aquilo que vê no cinema, Shazam! seria provavelmente algo parecido com o Deadpool da Marvel, talvez menos agressivo, mais light mas igualmente divertido que as abordagens anteriores no universo da DC. O trailer promete bastante, mas afinal todos os melhores momentos do filme estão no trailer, as melhores piadas e até alguns dos aspectos que poderiam ser mais reveladores. Desiludi-me por isso mesmo e o impacto não foi o mesmo, já para não falar de um vilão sem carisma algo que me espantou pois pensava que Mark Strong faria boa figura nesse papel. Coisa que também se pode dever a um argumento pouco cuidado, mais focado na parte cómica que no background da história. Não nego que me diverti a vê-lo, mas não passou muito disso. O elenco é gracioso e nomeadamente a dinâmica entre Zachary Levi e Jack Dylan Grazer é agradável de se ver. Fica um bocado aquém das expectativas, se é que ainda se pode colocar algum tipo de expectativas neste tipo de filme.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

domingo, 7 de abril de 2019

my (re)view: Nós (Us) . 2019


Us, de Jordan Peele

Disfarçado de filme acessível, Us finge ser apenas mais um filme de horror cujos seus significados estão bem escondidos debaixo do que vemos à superfície. Teorias múltiplas podem surgir desta história bem trabalhada onde uma família a aproveitar as férias de verão se depara uma noite com uma outra família fisicamente igual a si. O terror e a confusão instala-se e a viagem que nos espera tem tanto de curiosa como de aterradora e não estamos preparados para o seu desfecho. Jordan Peele tem o requinte de outros tempos naquilo que faz. Tempos em que o horror não eram só sustos e as temáticas eram mais inteligentes do que simplesmente gritos ou uma cena com sons estridentes, carradas de sangue e luzes apagadas. Com o seu primeiro filme Get Out, ele mostrou que a comédia e o horror podem ser compatíveis com muita qualidade. Em Us faz isso tudo elevado ao quadrado. Ele é mestre nos twists, suspense, referências e metáforas que ficam connosco muito para além do filme. Este vai ser sem dúvida alguma um dos grandes deste ano.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.