quinta-feira, 15 de agosto de 2019

my (re)view: Era Uma Vez Em... Hollywood (Once Upon a Time in... Hollywood) . 2019


Hollywood, como Hollywood deve ser. Sem o ódio, sem o exagerado glamour, com a honestidade e o amor ao que é ser actor e fazer um filme. Ao contrário dos outros filmes de Quentin Tarantino o tom e a atmosfera de Once Upon a Time in... Hollywood é um pouco diferente. Não há a sentimento de vingança no ar, nem a vontade de ver um mau da fita em conquista e isso estranha-se, mas depois entranha-se. Aos poucos vamos percebendo que mais do que qualquer outra coisa este filme está repleto do amor ao que é a arte de fazer cinema com uma componente importante sobre os sacrifícios que alguns enfrentam na cidade dos sonhos. A história sobre o declino de um actor e o seu duplo na década de 60 e do quão é difícil aguentar a pressão da indústria e das mais variadas mudanças que já enfrentou. Estamos a torcer por Rick e Cliff! E saímos a sorrir pois nem sempre precisamos de desfechos mais sombrios. O bom disto tudo é poder ver a belíssima química e qualidade de interpretação da dupla Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. E quem diria que estes dois se completariam tanto nos seus papeis. Acreditamos tanto naquela amizade e até onde ela pode ir que até a isso Tarantino presta homenagem, à amizade e lealdade. E com esta nona longa metragem, parece que Quentin Tarantino até tem um lado mais soft dentro de si que desconhecíamos e isso foi óptimo de testemunhar. Uma pequena grande maravilha cheia de referências para quem gosta desta coisa tão bonita que é o cinema.

Classificação final: 5 estrelas em 5.

domingo, 21 de julho de 2019

my (re)view: O Rei Leão (The Lion King) . 2019


Um dos mais adorados clássicos da Walt Disney Animation Studios volta ao grande ecrã da maneira mais improvável possível. A animação passa a ser real, ou melhor a parecer real e o mundo está a ter opiniões bastante diferenciadas, na sua maioria bastante negativas. Como grande fã do clássico de 1994, tendo o original feito parte daquilo que são memórias da minha infância não me importei nada com esta nova versão. Não é suposto o impacto ser o mesmo (e isso eu já sabia) o que importa é o cuidado e a espectacularidade e respeito com que esta história foi mais uma vez contada pelas mãos de John Favreau que já tinha feito um excelente trabalho, no live-action de Mowgli n'O Livro da Selva em 2016. Mal (ou bem) comparado que seja parece que estamos a assistir a um episódio do National Geographic tal não é a beleza visual que o filme nos apresenta. Os animais e os cenários estão tão bem conseguidos que por vezes dá para esquecer que tudo o que estamos a ver foi criado num pano verde! A importância de O Rei Leão passa muito por aquilo que transmite representando a grande viragem no cinema de animação no que toca ao conteúdo e quanto a isso aqui bate tudo certo e são poucas as partes que não foram contadas exactamente da mesma forma, mas penso que do que se poderá sentir mais falta são das partes mais "abonecadas" que aqui foram transformadas em acções e gestos de natureza animal. Mas se a ideia era dar uma roupagem real, isso faz todo o sentido. O impacto não é definitivamente o mesmo, mas a nostalgia faz realmente maravilhas. Não poderia terminar este texto sem mencionar os momentos magníficos que Timon e Pumba proporcionam. Afinal de contas eles sempre foram os meus preferido e aqui continuam a ser. Apesar de não conseguir ser a surpresa que foi da primeira vez (nunca poderia ser), considero que mais bonita homenagem não podia ter sido feita. Não percebo o porquê de tanto ódio.

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

my (re)view: Toy Story 4 . 2019


Euzinha, nascida em 1990 não me lembro da minha infância sem Woody e Buzz Lightyear. A meio ano de fazer trinta anos continuo a vibrar com isto como se continuasse a ser aquela criança. Quarto filmes depois Toy Story permanece original e emotivo como se do primeiro filme se tratasse. Tudo apontava para que o final da saga tivesse ficado pelo terceiro segmento das aventuras destes nossos queridos brinquedos, mas a verdade é que no final deste penso se não poderá haver no futuro pelo menos mais uma sequela. Depois de Andy ter ido para a faculdade e ter dado os seus brinquedos a Bonnie, vemos agora Woody, Buzz e os restantes e bem conhecidos a viver com a menina que está prestes a ingressar na escola. Com todas as emoções que isso acarreta Woody vê-se na obrigação de tornar a vida de Bonnie na escola mais agradável, e tal como fez com Andy pretende dar uma mãozinha. Só que as coisas não correm tão bem como planeado. Cada criança é uma criança e Woody começa a perceber que nada voltará a ser do jeito que era com Andy. A nostalgia acaba por ser o ser maior factor e mais uma vez quer a história quer a animação é algo que a Pixar consegue executar em excelência. A atenção ao detalhe, as inúmeras peripécias, o humor, os novos personagens (os velhos também!!) e a forma brilhante como a emotividade do que um brinquedo significa para uma criança nas mais várias circunstâncias transporta-nos sempre para um lugar feliz de lembranças. Para além de ter um carinho muito especial pela Pixar, vê-los continuar a dar o devido valor a Woody e Buzz é muito bom. Os dois trazem memórias do que foi ser criança e atingir um nível de perfeição com tanta emotividade é algo incrível. No fundo eu já sabia que era quase impossível Toy Story 4 desapontar neste mundo, no infinito e mais além!!

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

domingo, 23 de junho de 2019

my (re)view: Russian Doll (Season 01) . 2019



Imediatamente assim que terminei a primeira temporada de Russian Doll veio-me à cabeça a frase "I live. I die. I live again.", não que exista algum tipo de referência ao filme a que ela pertence (Mad Max: Fury Road) mas porque o seu significado acaba por representar aqui um contexto digamos que semelhante. Se num caso representa um sentido profundamente religioso, aqui representa não a fé em nenhuma religião em particular, mas a fé em nós próprios e no que pretendemos então atingir a nível pessoal. Se morrêssemos constantemente de forma a voltar a um ponto de partida onde a nossa vida entrou em ruptura total? O que faríamos diferente se nos fossem dadas múltiplas tentativas para reparar esses danos? Que consequências poderiam ter essas novas decisões? Esta ideia do "ser uma pessoa melhor todos os dias" entra aqui bastante agarrada a um contexto de comédia que resulta absolutamente bem e assim que mergulhamos na mente da personagem principal percebemos que afinal existem detalhes mais sombrios na personagem. Nadia Volvokov (Natasha Lyonne) é uma mulher independente e acredita ela, bem resolvida. Mas problemas do passado acabam por atormentar o seu presente, acabando por influenciar a sua maneira de ser e agir perante todos. Quando se vê a morrer vezes sem conta, voltando sempre ao dia do seu aniversário (sim, isto também acontece nos filmes Happy Death Day, a diferença é que aqui há um significado por trás dessa data), Nadia começa a frenética jornada de perceber o porquê daquilo tudo lhe estar a acontecer. Esta é mais uma produção Netflix bem sucedida, que para além da diversão e das gargalhadas que nos proporciona, tem um elenco muito talentoso liderado pela fantástica presença sempre muito awkward mas fascinante de Natasha Lyonne e representa também um forte alerta sobre as doenças mentais, a maior parte das vezes desvalorizadas pela sociedade. Russian Doll representa um papel consciente, moral e aos mesmo tempo assume-se como forma de entretenimento acabando por ser uma mistura bastante interessante entre essas três coisas. Foi renovada para uma segunda temporada e ainda bem.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

my (re)view: Rocketman . 2019


Depois da história de Freddy Mercury ter sido retratada nos cinemas o ano passado, este ano é a vez de outro grande astro da música mundial ver a sua vida contada no grande ecrã. Diferenças: um deles já falecido, outro não. Semelhanças: ambos foram realizados pela mesma pessoa. Quer dizer, Dexter Fletcher realiza por completo Rocketman, mas na altura em que Bryan Singer foi despedido depois de um escândalo sexual, foi ele que assumiu as rédeas de Bohemian Rhapsody, não tendo sido creditado por isso. Isto tudo para dizer o quê? Bem, Rocketman é tudo aquilo que Bohemian Rhapsody podia ter sido e não foi derivado a todas essas turbulências e outras coisas mais que ficaram como curiosidade para os interessados. Acredito que o facto de não haver pudor em contar detalhes de todo o tipo de natureza, sobre o bom e o mau que fizeram parte da vida passada de Elton John, dá-lhe uma grande honestidade tornando-se fiel e arrojado ou não fosse o seu protagonista da vida real assim mesmo. Contado de forma original, vamos ao longo do filme passando pelos momentos mais significantes da vida do cantor, onde obviamente as suas músicas entram e de forma bastante peculiar, inseridas num contexto de musical, proporcionando momentos muito entusiasmantes e bonitos de se ver. Este filme não teria sido nada sem a brilhante prestação de Taron Edgerton, que para além dos seus dotes de representação revelou ter dotes vocais surpreendentes tendo cantado todos os temas que vemos interpretados no filme. Isso não tira assim uns pontinhos ao Malik, humm?? Vamos lá ver se quando chegar a hora da verdade também não se esquecem de recompensar o rapaz nem que seja com uma nomeações. Ele merece! Para além de toda a emotividade o filme tem um bom feeling que passa mesmo para nós, e as suas duas horas de duração parecem não ser suficientes e queremos mais. Acho que não há nada melhor que isso.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

sábado, 8 de junho de 2019

my (re)view: Chernobyl (minissérie) . 2019



É o assunto do momento e não é a toa que só se fala sobre a nova minissérie da HBO, Chernobyl. Para quem ainda não viu ou sabe pouco sobre o desastre nuclear ocorrido em Abril de 1986 na cidade de Prypiat na Ucrânia, esta série é não só, um excelente pedaço da História mundial sendo um retrato bastante preciso do que lá aconteceu, como é pormenorizada nas suas explicações sem ser exageradamente complexa a nível de linguagem. A estrutura da narrativa traça-nos imediatamente o futuro de um dos seus personagens principais ao qual não podíamos fugir, daí passamos ao momento da explosão na central nuclear de Chernobil e a partir daí fazemos automaticamente parte da fascinante explicação dos factos e da investigação que procura a todo o custo encontrar os porquês do desastre radioactivo em pleno estado da união soviética, opressor e injectando mentiras para encobrir os seus erros com o medo de fuga de informação para o resto do mundo. As peças do puzzle vão sendo cuidadosamente reveladas recorrendo a uma escrita inteligente e a momentos incríveis ao longo dos seus cinco episódios, não esquecendo o trabalho do excelente elenco de actores composto por Jared Harris, Stellan Skarsgard e Emily Watson, os dois primeiros interpretando Valery Legasov e Boris Shcherina, figuras verídicas decisivas na investigação do caso, assim como Ulyana Khomyuk personagem que simboliza o vasto número de cientistas que trabalharam em conjunto com os dois primeiros para chegar à verdade. O sentimento de terror e opressão característico da era soviética coloca-nos no lugar de cada um dos personagens e cada episódio transforma-se numa experiência e sentimos que estamos lá. Eu sabia o básico sobre o incidente e descobrir mais tarde cada detalhe e constatar que muito pouco do que vimos é ficcional e que coisas que podem parecer dramatizadas são totalmente reais é fascinante. E como é possível uma teia de mentiras sobre algo tão grave ser tão fascinante? Graças a anos de dedicação na pesquisa exaustiva, à estrutura da narrativa que foge a muito daquilo que costumamos ver neste tipo de série documental e à belíssima escrita de Craig Mazin, escritor, criador e produtor da série. Bastante sombrio por vezes até pesado de digerir, é quase como assistir a um filme de terror psicológico e digo isto no bom sentido. Há momentos memoráveis, quotes incríveis e sequências impecavelmente filmadas, crédito de Johan Renck realizador da série. Chernobyl é uma experiência que mexe connosco e nos intriga ainda mais depois de a termos terminado. Muito mais que um relato sobre o que de verdade se passou naquele dia trágico é uma incrível recriação do modo como o estado mantinha os seus interesses a cima da segurança do seu povo, promovendo um enorme circulo de mentiras sustentado também ele através do pensamento manipulador sobre os trabalhadores que verdadeiramente faziam crescer uma nação, mentiras que custaram uma enorme quantidade de vidas. Tudo isto faz com que Chernobyl seja brilhante e uma das melhores mini-séries (se não mesmo a melhor) de sempre.

Classificação final: 5 estrelas em 5.