segunda-feira, 26 de agosto de 2019

my (re)view: Variações . 2019


Génios são aqueles que sem sabermos explicar bem porquê tocam pela sua autenticidade e por marcarem a diferença. António Ribeiro, partiu cedo demais, antes de saber que o seu maior desejo se tornara realidade e que as suas músicas viriam a perdurar até aos dias de hoje sendo sinónimo de originalidade e da portugalidade do fado que foi viver com o sofrimento de perseguir um sonho. Mais que um biopic musical, Variações é a homenagem mais que merecida a um artista de excelência, cujo significado das suas músicas nunca passaram de moda e tanto dizem a muitos de nós. Sérgio Praia tem uma entrega e paixão notórias que emocionam várias vezes ao longo do filme, mergulhando nesta figura melancólica e peculiar que continua bem vivo. Essa sua entrega é tão bonita e tão incrível de se ver que para além de simbolizar a enorme força da natureza que era António faz-nos perceber melhor a mente do artista. Apesar de alguns saltos temporais um pouco desajustados e do final apressado, é de muitos momentos especiais e marcantes que se faz este filme, que vive não só e obviamente da banda sonora, mas também de uma belíssima cinematografia e daquilo que o realizador João Maia decidiu contar para retratar o mais significativo sobre a vida de António. É de muito sentimento que vive este filme e é difícil não ficar rendido aos encantos de Variações, a pessoa e o filme. Afinal de contas sempre fomos nós que nos adaptamos a ele e não ele a nós.

Classificação final: 4,5/5

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

my (re)view: Era Uma Vez Em... Hollywood (Once Upon a Time in... Hollywood) . 2019

Imagem via Empire Magazine
Hollywood, como Hollywood deve ser. Sem o ódio, sem o exagerado glamour, com a honestidade e o amor ao que é ser actor e fazer um filme. Ao contrário dos outros filmes de Quentin Tarantino o tom e a atmosfera de Once Upon a Time in... Hollywood é um pouco diferente. Não há a sentimento de vingança no ar, nem a vontade de ver um mau da fita em conquista e isso estranha-se, mas depois entranha-se. Aos poucos vamos percebendo que mais do que qualquer outra coisa este filme está repleto do amor ao que é a arte de fazer cinema com uma componente importante sobre os sacrifícios que alguns enfrentam na cidade dos sonhos. A história sobre o declino de um actor e o seu duplo na década de 60 e do quão é difícil aguentar a pressão da indústria e das mais variadas mudanças que já enfrentou. Estamos a torcer por Rick e Cliff! E saímos a sorrir pois nem sempre precisamos de desfechos mais sombrios. O bom disto tudo é poder ver a belíssima química e qualidade de interpretação da dupla Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. E quem diria que estes dois se completariam tanto nos seus papeis. Acreditamos tanto naquela amizade e até onde ela pode ir que até a isso Tarantino presta homenagem, à amizade e lealdade. E com esta nona longa metragem, parece que Quentin Tarantino até tem um lado mais soft dentro de si que desconhecíamos e isso foi óptimo de testemunhar. Uma pequena grande maravilha cheia de referências para quem gosta desta coisa tão bonita que é o cinema.

Classificação final: 5/5