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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

my (re)view: Ma Rainey's Black Bottom . 2020

 

imagem via variety.com

Ma Rainey's Black Bottom poderá não ser o filme mais apelativo do mundo para muitos, mas certamente é dos melhores filmes do ano que passou. Para além de ser uma excelente demonstração do que era o mundo do blues na época também nos dá a conhecer mais um pouco do que a comunidade afro-americana passava artisticamente e socialmente naqueles tempos. Esta é a última performance de Chadwick Boseman que o ano passado nos deixou. E tão cedo que foi. A sua interpretação é magistral, algo pela qual espero que tenha o devido reconhecimento apesar de já não estar entre nós. O seu retrato é o de Levee, um trompetista ambicioso e bem falante que pretende medir forças com a carismática "mãe do blues" Ma Rainey também belissimamente interpretada por Viola Davis que já nos habituou aos grandes papeis. Boseman deixa qualquer um arrebatado com uma assombrosa performance que marca bastante este filme e aquilo que pretende transmitir quando contrasta o que é querer ser respeitado no mundo músical e problemas sociais da comunidade afro-americana. O filme é baseado na peça de teatro de 1982 escrita por August Wilson com o mesmo nome e essa inspiração está bem vincada a nível cinematografico. Apesar dos cenários muito limitados, isso não importa nada e fica aqui o exemplo de que com pouco se faz muito. Ritmo perfeito e duração perfeita com presenças muito importantes no ecrã e argumento poderoso abordando vários temas importantes. Tudo impecável à excepção do pesar que fica quando chegamos ao final e sabemos que Chadwick Boseman não voltará a poder fazer papeis releventes como este, no seu melhor. Rip.

Classificação final: 4,5/5 estrelas.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

my (re)view: Variações . 2019


Génios são aqueles que sem sabermos explicar bem porquê tocam pela sua autenticidade e por marcarem a diferença. António Ribeiro, partiu cedo demais, antes de saber que o seu maior desejo se tornara realidade e que as suas músicas viriam a perdurar até aos dias de hoje sendo sinónimo de originalidade e da portugalidade do fado que foi viver com o sofrimento de perseguir um sonho. Mais que um biopic musical, Variações é a homenagem mais que merecida a um artista de excelência, cujo significado das suas músicas nunca passaram de moda e tanto dizem a muitos de nós. Sérgio Praia tem uma entrega e paixão notórias que emocionam várias vezes ao longo do filme, mergulhando nesta figura melancólica e peculiar que continua bem vivo. Essa sua entrega é tão bonita e tão incrível de se ver que para além de simbolizar a enorme força da natureza que era António faz-nos perceber melhor a mente do artista. Apesar de alguns saltos temporais um pouco desajustados e do final apressado, é de muitos momentos especiais e marcantes que se faz este filme, que vive não só e obviamente da banda sonora, mas também de uma belíssima cinematografia e daquilo que o realizador João Maia decidiu contar para retratar o mais significativo sobre a vida de António. É de muito sentimento que vive este filme e é difícil não ficar rendido aos encantos de Variações, a pessoa e o filme. Afinal de contas sempre fomos nós que nos adaptamos a ele e não ele a nós.

Classificação final: 4,5/5

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

my (re)view: Assim Nasce Uma Estrela (A Star is Born) . 2018


Desconhecendo os anteriores remakes desta história, parti à descoberta de A Star is Born como sendo apenas um daqueles que seria os filmes da golden season deste ano. Sem querer saber muitos pormenores sobre a história é absolutamente impossível não ficar surpreendido com aquilo que nos deparamos ao longo do filme. Bradley Cooper estreia-se aqui na realização, escrevendo e protagonizando esta história ao lado do talentoso ser que é Lady Gaga. A carga emocional que o filme carrega, vai muito mais para além daquilo que é a industria musical mostrando vulnerabilidades de pessoas comuns, da sua vida pessoal e dos seus desafios enquanto figuras no mundo da música. Se por um lado Jackson Maine (Bradley Cooper) adquiriu um estatuto, Ally (Lady Gaga) procura essa oportunidade. Quando Maine descobre Ally e os dois se apaixonam a decadência da carreira de um começa enquanto a ascensão do outro inicia. Entre a paixão de um pelo outro e a paixão pela música e pelo que ela significa para os dois, os problemas com o álcool e as drogas de Maine começam a afectar não só a sua carreira, mas também a de Ally. Para além da grande interpretação de Bradley Cooper, o argumento e a realização são impecáveis, mencionando a tremenda química existente entre ele e Lady Gaga que transborda para lá do ecrã. Gaga é uma rainha, excelente cantora e compositora dá-nos uma poderosa interpretação, emocional e muito intima, conquistando tudo aquilo em que toca. Sam Elliot também ele extraordinário com papel de destaque como manager e irmão de Jackson Maine. Sendo este um drama sobre música, não se poderia pedir menos que uma banda sonora sublime com canções que nos acompanham muito depois da visualização do filme. Arrisco-me a dizer que facilmente será lembrado como um dos romances dos últimos tempos. Como na vida real, nem tudo é um mar de rosas e é bom que existam filmes assim.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Crítica: Love & Mercy . 2014


Entrando dentro da mente brilhante de um génio da música rock/pop americana. Love & Mercy é a grande homenagem a Brian Wilson, um dos membros dos lendários The Beach Boys, principal responsável pelo sucesso musical do grupo, tendo compondo letras e músicas que ainda hoje são consideradas grandes referências no panorama musical.

Em plena a ascensão do grupo, seguimos Paul Dano - interpretando Brian Wilson nos anos 60 - os seus rasgos de genialidade musical, as drogas, os fantasmas da sua infância e juventude, misturados com os ataques de pânico e vozes que ouvia dentro da cabeça. John Cusack - interpretando Brian Wilson nos anos 80 - um homem reprimido a um passado que poderia ter-se transformado num futuro ainda mais brilhante. Aqui diagnosticado com esquizofrenia paranóica, Wilson vivia como prisioneiro do seu ofensivo terapeuta (Paul Giamatti), que tinha o controlo total da sua vida. Mas como se costuma dizer, o amor cura tudo, e seria uma vendedora de carros (Elizabeth Banks) a peça mais importante para salvar Wilson.

domingo, 19 de outubro de 2014

Crítica: Frank 2014


Data de Estreia: 16-10-2014

Assim que Frank começa temos de imediato a sensação de que estamos prestes a assistir a algo um pouco diferente. E diferente é exactamente a palavra que melhor define este filme, irrevogavelmente pelo facto do personagem principal usar uma cabeça de papelão gigante.

Jon, muito bem interpretado por Domhnall Gleeson, é um aspirante a músico que anda em busca de inspiração para criar novas letras, mas cada vez que tenta por as suas ideais em acção nada parece funcionar. Em maré de sorte (pensava ele) inesperadamente é convidado a fazer parte de uma banda, que precisa urgentemente de um teclista visto que o da banda teve um ataque psicotico grave. É então que Jon começa a fazer parte dos bizarros "Soronprfbs", uma banda onde todos os membros são mais do que peculiares. Mesmo com a dificuldade que Jon tem em se conectar com os membros da banda inicialmente, ele tem grandes planos para o futuro e acredita seriamente que em conjunto se podem tornar numa grande e famosa banda.

Michael Fassbender é um actor fantástico e aqui, como Frank (irreconhecível), mais uma vez ele prova que até quando usa uma cabeça de papelão gigante durante todo o filme ele consegue ser absolutamente incrível. A sua expressão corporal, forma de estar e falar conseguem passar a total loucura de um homem que aparentemente achamos engraçado e que com o tempo vamos nos apercebendo que sofre de uma doença mental grave, apaziguada e controlada pelo amor que tem pela música. Maggy Gyllenhall, muito dura e carrancuda tem uma interpretação que também merece bastante destaque.

Com muita ironia à mistura, Frank acaba por ser um retrato sincero daquilo que é a doença mental e a insegurança daqueles que não se sentem bem na sua própria pele. O personagem Frank foge aquilo que verdadeiramente é e a unica maneira de se sentir bem na sua pele é usando a cabeça de papelão. O filme acaba também por explorar o que cada um considera como forma de arte, e a ideia de que ser famoso trás felicidade, ideia que a maior parte das vezes está totalmente errada.

Um filme divertido e diferente, mas que poderá não agradar a todos derivado a alguns momentos um pouco loucos e que deixam algumas questões no ar.







Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Crítica: Once (No Mesmo Tom) 2006


Um dos filmes mais belos e honestos que já vi! Fiquei completamente assoberbada com o amor e dedicação que foi colocada pelo realizador John Carney neste seu pequeno (mas muito grande) projecto que nos consegue transmitir tanto com tão pouco!

Once tem uma história muito simples e sincera demonstrando um enorme amor pela Música, o que faz todo o sentido. Um mundo sem Música não seria o mesmo e é devido ao amor pela Música que os dois personagens centrais desta história se irão unir.

Um músico de rua com um enorme talento, toca todos os dias pelas ruas de Dublin. No inicio ficamos com a ideia de que ele é apenas mais um que procura ganhar um dinheiro extra, cantando e tocando algumas canções… Mas rapidamente percebemos que a principal razão pela qual o faz não é o dinheiro, mas sim o prazer de dar música aos outros, sonhando um dia tornar-se um músico profissional. Num dia como outro qualquer, ele conhece uma rapariga que não como a maioria das pessoas que se cruzam com ele todos os dias, presta realmente atenção aquilo que ele faz. E daí começa a crescer uma bonita relação musical e emocional.

O filme é filmado ao estilo de documentário o que tendo em conta a história lhe dá todo um ar mais intimista, quase como se fosse suposto andarmos lado a lado com os personagens. O seu especto bastante "cru", em vez de lhe dar um ar amador consegue torna-lo em algo ainda mais especial. A banda sonora original deste filme é algo absolutamente delicioso. Grandes temas, todos originais que ilustram na perfeição cada sentimento, cada emoção, cada momento que estamos a ver.

As performances são muito realistas e sentidas. Glen Hansard e Markéta Irglová fizeram um óptimo trabalho interpretando estes dois bonitos personagens. Fico muito feliz em saber que estes dois talentosos músicos ganharam o Oscar de Melhor Canção Original – “Falling Slowly” – em 2007.

Once não é só um filme para todos os amantes da música, é um filme que toda a gente deveria ver. Simples, sem qualquer tipo de presunção ou exigência. Apenas pretende tocar o coração de qualquer ser humano que dê valor à emoção.







Classificação final: 5 estrelas em 5.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Crítica: If I Stay (2014)


Data de Estreia: 28-08-2014

O nome de Chloe Grace Moretz começa a estar bem marcado na indústria cinematográfica de Hollywood. A jovem de apenas 17 anos, que já trabalhou partilhou grandes peliculas não só com grandes estrelas do meio mas também com realizadores como Martin Scorsese e Tim Burton, não é só mais uma cara bonita pois é muito boa naquilo que faz. A maior razão pela qual queria ver este If I Stay (Se Eu Ficar) seria precisamente o facto do seu nome estar envolvido no projecto.

If I Stay é baseado na obra de literatura juvenil, com o mesmo nome, escrita por Gayle Forman. Aqui seguimos a história da doce Mia Hall, uma adolescente de 17 anos que sofre um grave acidente de viação que envolve toda a sua família. Mia entra em coma e tem uma experiência “fora do seu corpo” conseguindo seguir toda a aflição e dor da família e amigos no hospital onde se encontra em estado crítico. Enquanto assistimos a isto em tempo real, Mia leva-nos a viajar por toda a sua vida através das memórias que mais a marcaram, enquanto luta para saber se terá forças para ficar ou partir.

Apesar de estar inserido numa categoria que já se encontra um pouco saturada, talvez por ser um género rotulado abordando por norma sempre os mesmos temas em torno da adolescência, este filme consegue fazer um pouco mais que isso. Irão encontrar todos os dramas de insegurança, novas descobertas e amor que costumam estar presentes neste tipo de filme mas de uma forma muito sólida e madura.

If I Stay faz uma das melhores abordagens sobre o amor na adolescência que já vi no cinema! Sincera e real, e até mesmo com alguns clichés envolvidos a história mantêm-se sempre muito verdadeira e consegue-nos fazer acreditar que o amor dos personagens é genuíno. O filme explora o que é amar em todos os sentidos, não só o amor entre um homem e uma mulher mas também o amor de um pai, de uma mãe, de irmão, de avós e também dos amigos. Toda a tristeza que envolve a história é iluminada por boas memórias ao longo do filme, transformando quando é preciso toda aquela atmosfera pesada em algo mais leve que nos fará esboçar sorrisos. Visto que a história também aborda muito Música, a sua banda sonora é muito interessante, alternada entre Rock e Música Clássica.

Todos os personagens são muito agradáveis e conseguimo-nos conectar com cada um deles. Cada actor interpreta de forma pura os seus papeis, especialmente Chloe Grace Moretz que já provou muitas vezes que consegue fazer performances solidas e aqui não fugiu à regra, numa performance absolutamente tocante.

Penso que a única coisa que terá prejudicado um pouco o filme tenha sido a sua duração. Poderia ter sido um pouco mais curto e algumas cenas são repetitivas. Poderíamos retirar perfeitamente a mesma mensagem, sem a presença de algumas das cenas desnecessárias.

If I Stay é sem dúvida um filme tocante e cheio de emoções com uma bonita mensagem que pode ser vista por toda a família.







Classificação final: 3,5 estrelas em 5.