A partir do minuto zero, Jessica Chastain olha-nos nos olhos e diz-nos que vai antecipar todas as nossas jogadas. O realizador John Madden (Shakespeare in Love, The Debt) nem sempre consegue esse objectivo, mas a força da personagem principal, ou não desse ela nome ao filme, arrasa por completo, isto pela positiva claro, com uma das mais poderosas interpretações femininas de 2016, que faz todas as imperfeições do enredo se tornem mais toleráveis.
Desde a cena de abertura, ficamos bem familiarizados com a determinação e dureza de Elizabeth Sloane (Jessica Chastain), uma lobista de Washington, sem escrúpulos ou qualquer tipo de compaixão ao próximo, que tem o como objectivo no seu trabalho interferir directamente com as decisões do poder público e legislativo, tendo sempre em mente uma única coisa, vencer. A enorme sede de triunfar, faz com que Sloane tenha sempre mais uma carta na manga, não olhando a meios para atingir fins. Uma crítica feroz ao sistema corrupto no mundo da política, que foi sempre bem real, mas que se esconde por detrás dos interesses públicos e não passam na verdade de mentiras.
