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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

my (re)view: The Undoing . 2020

 

imagem via onyanserat.se


Todo o hype criado em torno de The Undoing torna-se um despedicio assim que chegamos ao final desta mini-série da HBO de seis episódios e percebemos que afinal podiamos apenas ter-nos ficado pelo primeiro e estava tudo bem. Levada aos ombros pela força dos protagonistas e pelo nome da realizadora a história acaba por não trazer nada de novo nem de surpreendente ao mesmo tempo que cria um suspense completamente desnecessário caminhando até um desfecho desleixado e bastante pobre criativamente. Falhou na surpresa, mas pior que isso, falhou na parte de investigação que poderia ter sido bem mais explorada. Ao invés disso, andamos perdidos no meio do melodrama da dona de casa que foi enganada pelo marido (aparentemente) perfeito. Nicole Kidman e Hugh Grant prometiam-nos imenso e suscitavam a curiosidade nos grandes posters da cidade que nos entravam pelos olhos a dentro vendendo-a como uma "grande série" só pela sua imagem. Considero as performances banais, sem dar grande espaço para os actores brilharem se bem que dos melhores momentos de representação que obtemos são os de Donald Sutherland, que aos 85 anos de idade continua impecável naquilo que faz. Quem mais brilha é sem dúvida ele e mal tem destaque. Esta é mais uma vez a prova que um elenco de estrelas não faz a qualidade de uma história que se releva muito básica e pobre a nível de narrativa. Quando cheguei ao último episódio senti que perdi o meu tempo com algo que me quis enganar o tempo todo, mas que nunca chegou a conseguir. 

Classificação final: 2,5/5 estrelas.

terça-feira, 24 de março de 2020

my (re)view: The Invisible Man . 2020

imagem via time.com

É muito difícil surpreender dentro do género do terror hoje em dia, se bem que eu não inseria The Invisible Man propriamente dentro desse género. É mais um thriller de ficção cientifica com alguns sustos à mistura, mas que funciona muito melhor pela mensagem que quer passar do que pelas semalhanças que possa ter com mais um mero filme de terror como aparentemente nos possa parecer. Para quem vá à espera da habitual história de fantasmas e das suas vinganças para além da morte, enganem-se. The Invisible Man consegue ser bem sucedido tomando decisões inteligentes apesar de irmos facilmente ligando os pontos da história. Cecile vive atormentada há muitos anos, presa a uma relação abusiva com Adrian, um riquissimo cientista obssessivo, da qual ganhou finalmente coragem para se ver livre. Já em segurança em casa de um amigo e após saber que o ex-namorado se suicidou, Cecile nunca imaginaria que o seu tormento continuaria mesmo depois do desaparecimento de Adrian. Um filme que vive bastante de silencios e de movimentos lentos ou estáticos de camera que intimidam bastante. Tudo isto mais a fantástica performance de Elisabeth Moss que incorpora na perfeição todo o terror vivido por uma vitima de violência doméstica. Para além da parte ficcional, este é um filme cuja mensagem excede aquilo que a ficção quer mostrar e por isso mesmo Moss faz-nos ganhar um carinho muito especial pela personagem que sofre psicologicamente dia-a-dia e que transparece de forma angustiante todo esse tormento. O realizador Leigh Whannell já é experiente nestas andanças quer do terror quer do sci-fi, mas aqui encontramos uma obra que apesar de alguma previsibilidade vale muito a pena pela experiência e pela forma como mexe connosco utilizando técnicas muito boas para o fazer.

Classificação 4/5 estrelas.

sexta-feira, 6 de março de 2020

my (re)view: Dark Waters . 2019

imagem via theguardian.com
Há muito que se explora no cinema as mais variadas teorias da conspiração e se denunciam graves situações. Todd Haynes já provou que consegue fazê-lo como ninguém. Dark Waters baseia-se no caso real do advogado Robert Billot e da batalha legal de vinte anos contra a empresa de químicos DuPont, acusada de fazer despejos tóxicos no estado do West Virgina ao longo de vários anos, pondo em causa a saúde da população e dos seus animais, chegando a causar varias mortes ao longo desses anos. Mark Ruffalo interpreta este advogado que decide ajudar um agricultor local na luta contra a gigante DuPont. Ruffalo, como belissimo actor que é, opta por um retrato frágil de uma postura bastante recatada demonstrando que com esforço e dedicação se consegue tudo, mesmo que seja contra alguém muito mais imponente que nós. Uma interpretação com uma componente física fundamental que significa muito. Vamos ficando aos poucos cada vez mais envolvidos no mistério deste thriller partilhando quase que do mesmo sentimento paranoico de Rufallo pela busca de respostas ao estilo dos bons clássicos de antigamente. Um filme que passou ao lado de muitos o ano passado e que merecia mais destaque, pela história, pelo protagonista mas a cima de tudo pelas escolhas inteligentes e criativas de Todd Haynes.

Classificação final: 4/5 estrelas.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

my (re)view: Ma . 2019


Depois de The Help e The Girl on the Train assim continua Tate Taylor pelos mais variados contos sobre donas de casa, que só não digo desesperadas para não ser pouco original tal como este seu filme, do qual nem percebemos bem a intenção. Ma conta a história de uma mulher de meia idade, aparentemente inofensiva, que se presta a ajudar um grupo de adolescentes comprando-lhes alcool, dando festas sem regras na sua casa, com o objectivo de se tornar amiga deles. Se existem momentos grotescos e de alguma violência a nível visual, também existem aqueles em que o tom do filme foge para a comédia e algumas coisas deixam de fazer sentido. A falta de originalidade acaba por o prejudicar e nem as capacidades de interpretação de Octavia Spencer, que tenta dar o seu melhor, safam o filme na generalidade. Ma aborda alguns dos temas mais relevantes sobre a adolescência, como o bullying, no entanto não os sabe aproveitar da melhor maneira e é também essa mistura mal estruturada que faz com que a narrativa se torne previsivel o que para mim acabou por ser aborrecido. Pouco mais se aproveita deste filme sem ser o desempenho de Spencer que se revela uma óptima e assustadora psicopata. Já a nível de realização pouco ou nada há a destacar. É mais um daqueles casos em que o potencial era bem maior do que foi concretizado.

Classificação final: 2,5/5.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

my (re)view: Mindhunter Season 1 & 2 . (2017- )


Para quem gosta dos temas em torno dos mistérios da mente dos criminosos isto é simplesmente das coisas mais magnificas dentro do género já alguma vez feitas! Mindhunter é a serie da Netflix que segue dois investigadores do FBI, Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany), exploradores da mente perversa de assassinos aos quais tentam perceber as suas motivações com a intenção de criar perfis que ajudem a prevenir e travar outros crimes no futuro. Estes dois agentes são inspirados em duas pessoas reais John E. Douglas e Robert K. Ressler que registaram entre os anos 70 e 80 entrevistas com alguns dos criminosos mais perigosos de sempre pelas prisões dos Estados Unidos e o mais incrível é que todos os detalhes que ouvimos relatados na serie são verídicos, tendo surgido na altura por estes dois homens a expressão "serial killers" que associamos hoje em dia a assassinos em série. Criado por Joe Penhall com a maior parte dos episódios realizados por David Fincher é notória a enorme influência do seu estilo cinematográfico ao longo de toda a série, sendo isso também uma das coisas que a caracteriza e símbolo da qualidade e meticulosidade presente em todos os seus trabalhos. É impressionante como ficamos viciados facilmente por uma série muito sustentada por poderosos diálogos com pormenores que aterrorizam muitas vezes mais que imagens. Da primeira para a segunda temporada, é notório o desenvolvimento de personagens, e isso também é uma das suas mais valias. O ritmo é lento, mas o tema assim o requer e não é por isso menos interessante, antes pelo contrário. A escrita é inteligente e os dois personagens principais não se podiam completar melhor. Enquanto Tench é o típico agente cauteloso com os pés mais assentes na terra, Ford tem uma maneira mais apaixonada e imprudente de explorar os casos. É bastante curioso como o narcisismo presente em todos os assassinos se torna presença constante em vários aspectos criando também um padrão forte também ele presente nos mais variados personagens da história, onde as suas leituras e atitudes se revelam demonstrando as nuances de personalidade de cada um, que por vezes não são assim tão diferenciadas. Mais que um thriller é um estudo do ser humano, feito com requinte e extrema qualidade. A terceira temporada de Mindhunter ainda não está confirmada mas seria um crime não apostar nela.

Classificação final: 5/5

domingo, 28 de janeiro de 2018

my (re)view: Suburbicon . 2017


Confirmam-se os rumores. Um dos filmes pelos quais mais aguardava é uma das grandes desilusões do ano que passou. Suburbicon, é a mais recente colaboração de George Clooney com os Coen Borthers, Clooney ao leme da realização com o argumento dos irmãos, dos quais sou muito fã. Suburbicon tinha tudo para ser um thriller bem sucedido, passado nos anos 50, decor impecável e banda sonora a condizer, daquelas que entra na vibe. Mas a narrativa é super mal concedida, com imensos plot holes e boas ideias que infelizmente estão completamente mal sincronizadas com a hostória central. Ver Julianne Moore e Matt Damon no meio disto é meio que estranho, pois os seus personagens nunca chegam sequer a definir as suas verdadeiras convicções, já para não falar de Oscar Isaac que é creditado como personagem principal e talvez nem chegue a aparecer cinco minutos. Uma história sobre um assassinato estranho e uma série de eventos consequentes a ele, misturado com um subplot racial, que tem boas intensões mas não passa disso. Conseguimos tirar a ideia principal e a sua mensagem, mas o caminho até lá chegarmos não esteve à altura do mesmo. Um tiro completamente ao lado. Já percebo o porquê disto ter passado tão despercebido, e de ter sido tão mal recebido. Eu ainda tinha esperanças.

Classificação final: 2 estrelas em 5.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

flash review : Una . 2017


Una, de Benedict Andrews (2017)

Um intrigante e intenso thriller sobre os horrores da pedofilia. As performances de Rooney Mara e Ben Mendelsohn são bastante intrigantes e em conjunto com um constante ambiente sombrio, fazem com que a história de uma menina de treze anos, abusada sexualmente pelo vizinho ganhem outra credibilidade. O filme é todo ele sustentado por diálogos fluídos acompanhados de alguns flashbacks que nunca revelam demasiado, entre-calados com o confronto constante entre os dois personagens. Chegamos ao fim sem grandes conclusões sobre como realmente tudo aconteceu, mas ficamos com a certeza de que Una vive presa a um passado ainda bem presente, assim como o seu agressor. Um conto sobre os fantasmas de uma infância destruída e de uma mulher que nunca deixou de ser menina.

Classificação final: ★★★½
Trailer: https://youtu.be/UgiN35SC-hM 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Crítica: Foge (Get Out) . 2017


A maior parte das vezes em que a comédia se mistura com o horror, a probabilidade de sucesso não é garantida. Exige um balanço certo para que haja a resposta pretendida para provocar o interesse. Foge consegue não só esse equilíbrio, num tom perfeito que ilustra uma forte mensagem racial, mas ao mesmo tempo satírica das sociedades de hoje em dia, sobretudo do estigma racial americano que acompanha a América ao longo da sua história. Escrito e realizado por Jordan Peele, Foge traz uma certa frescura não só ao género do thriller/horror psicológico, mas também à usual trama em que famílias de namoradas acabam por se transformar numa valente dor de cabeça.

Chris Washington (David Kaluuya) é um fotografo afro-americano a namorar com Rose Armitage (Allison Williams), uma bela rapariga branca e classe média alta cuja família possui uma quinta nos arredores da cidade. Apesar dos receios de Chris, Rose organiza uma viagem de fim de semana à casa da família para lhes apresentar o mais recente pretendente, mas durante a estadia Chris fica cada vez mais perturbado com os comportamentos suspeitos por parte do pai (Bradley Whitford), da mãe (Catherine Keener) e do irmão (Caleb Landry Jones) da namorada. Para além da família, os serventes da casa, também eles negros, parecem ter atitudes estranhas e Chris sente-se cada vez mais intrigado e desconfortável. As suspeitas de que algo está realmente errado ficam mais evidentes, aquando da chegada de amigos da família para uma festa anual que parece ter sido marcada propositadamente. Mas afinal, o que está realmente a acontecer!?

domingo, 2 de abril de 2017

Crítica: Vida Inteligente (Life) . 2017


O Sci-fi nunca é um género fácil e Daniel Espinosa resolveu aventurar-se por caminhos apertados. Com um passado mais recente baseado em thrillers como Child 44 (2015), Safe House (2012) ou Easy Money (2010), Espinosa avança para algo mais ambicioso em termos visuais, mas não tanto no que toca a um bom argumento. Com um elenco sólido, mas uma história que não surpreende, Vida Inteligente não passa de uma ideia saturada, mas que incrivelmente nos agarra ao ecrã, mesmo quando já sabemos bem aquilo que nos espera.

A bordo da International Space Station, os seis membros da tripulação (Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare e Olga Dihovichnaya) têm a missão de estudar amostras recolhidas em Marte. A ideia é verificar que realmente existirá vida extraterrestre, tal como analisar o seu desenvolvimento, comportamento e inteligência. Ao fim de poucos dias, a progressão de um pequeno organismo marciano é incrível e as suas características são bastantes similares à de qualquer ser humano. O entusiasmo acerca desta pesquisa é enorme e o pequeno ser é apelidado de Calvin, referido com afecto como se de um humano se tratasse, e o misticismo e encantamento por parte de todos transforma-se em algo extremamente perigoso, quando sem contar se apercebem que Calvin se prepara para atacar, ficando cada vez mais forte, cada vez que o faz. E até aqui, o filme até que era interessante...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Crítica: Miss Sloane - Uma Mulher de Armas (Miss Sloane) . 2016


A partir do minuto zero, Jessica Chastain olha-nos nos olhos e diz-nos que vai antecipar todas as nossas jogadas. O realizador John Madden (Shakespeare in Love, The Debt) nem sempre consegue esse objectivo, mas a força da personagem principal, ou não desse ela nome ao filme, arrasa por completo, isto pela positiva claro, com uma das mais poderosas interpretações femininas de 2016, que faz todas as imperfeições do enredo se tornem mais toleráveis.

Desde a cena de abertura, ficamos bem familiarizados com a determinação e dureza de Elizabeth Sloane (Jessica Chastain), uma lobista de Washington, sem escrúpulos ou qualquer tipo de compaixão ao próximo, que tem o como objectivo no seu trabalho interferir directamente com as decisões do poder público e legislativo, tendo sempre em mente uma única coisa, vencer. A enorme sede de triunfar, faz com que Sloane tenha sempre mais uma carta na manga, não olhando a meios para atingir fins. Uma crítica feroz ao sistema corrupto no mundo da política, que foi sempre bem real, mas que se esconde por detrás dos interesses públicos e não passam na verdade de mentiras.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Crítica: Animais Nocturnos (Nocturnal Animals) . 2016


Escrito, produzido e realizado por Tom Ford, Animais Nocturnos é uma das melhores surpresas deste ano. Não é a primeira vez que o estilista que se transformou em realizador surpreende, tendo grande habilidade para nos prender e encantar com os seus trabalhos, como já o tinha feito em 2009 com A Single Man.

Susan (Amy Adams) é rica, sofisticada e dona de uma galeria de arte em Los Angeles. Apesar da sua vida de sonho, vive infeliz, presa ao passado e a uma vida que nem sequer chegou a ter tempo de construir decentemente com o ex-marido Edward (Jake Gyllehaal), um escritor falhado que nunca lhe conseguiria proporcionar a vida luxuosa que ambicionava, mesmo existindo muito amor entre os dois. Agora ao lado do actual marido Walker (Armie Hammer), Susan é uma mulher triste, atormentada pelas decisões erradas que outrora tomou, e ao receber em casa a encomenda de um livro escrito pelo ex-marido intitulado de "Nocturnal Animals", pedindo a sua opinião sobre este, começa de imediato a lê-lo e a ficar cada vez mais perturbada com o que lê. O livro é um thriller sobre a história de um assassinato no Texas, cujos personagens e situações têm algo de muito familiar a Susan. Mas existe muito mais do que aquilo que vemos à superfície. Uma história sobre triunfo, vingança, desespero, amargura e sentido da felicidade, com uma forte crítica social à mistura.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Crítica: A Rapariga no Comboio (The Girl on the Train) . 2016


Mais um grande sucesso literário adaptado ao grande ecrã. A Rapariga no Comboio, realizado por Tate Taylor (The Help), é a adaptação do best-seller homónimo de 2015, da escritora Paula Hawkins, cuja história segue os melodramas femininos de três mulheres, envolvidas num triângulo de mentiras e suspeitas.

Todos os dias Rachel Watson (Emily Blunt) viaja de comboio de casa para o trabalho, do trabalho para casa, fantasiando sobre as vidas daqueles que vivem junto à linha. Com o passar do tempo, começa a ficar obcecada com a jovem Megan (Haley Bennett), que aparenta ter a vida que sempre sonhou para si. Megan sem saber, entra então na vida de Rachel de forma doentia, desconhecendo que afinal existe na realidade uma conexão entre as duas. Para agitar ainda mais as coisas, ao lado da casa de Megan vive Anna (Rebecca Ferguson), casada com Tom (Justin Theroux) ex-marido de Rachel, cujo casamento terminou depois de Rachel ter problemas em engravidar, tendo essa situação originado um grave problema com o álcool. Ao longo da história são nos mostrados flashback's sob a perspectiva de vida destas três mulheres, até percebermos que todas elas têm elementos em comum que irão levar até ao mistério do assassinato de uma delas.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Crítica: Snowden . 2016


Para além do seu reconhecido trabalho em Hollywood, Oliver Stone é bem conhecido pelas suas visões politicas. Snowden seria algo para se esperar com bastante curiosidade, visto tratar-se de um caso de controverso na politica norte americana, que continua a levantar questões no que toca ao quanto a privacidade é preservada.

Aqui seguimos os acontecimentos e motivações que levaram Edward Snowden (Joseph Gordon-Levitt), um analista americano especializado em computadores a querer alistar-se no exército, vindo mais tarde a ser contratado pela CIA (Agência de Inteligência Central) e depois mais tarde pela NSA (Agência de Segurança Nacional) a serviço da empresa tecnológica Dell. Cada um desses momentos mais marcantes, são intercalados com as horas antes do escândalo ser divulgado, quando Snowden resolve revelar informação classificada sobre os programas de vigilância global dos EUA a um grupo de jornalistas do The Guardian (interpretados por Melissa Leo, Zachary Quinto e Tom Wilkinson), o que posteriormente levou ao seu asilo na Rússia onde permanece até hoje, acusado de traição e crimes de estado. Mas o que é afinal Snowden, um herói ou um traidor?

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Crítica: Cell - Chamada Para a Morte (Cell) . 2016


John Cusack e Samuel L. Jackson encontram-se pela segunda vez no grande ecrã, em mais uma adaptação cinematografia da obra de Stephen King. Depois de 1408 (2007), protagonizam agora Cell, um filme completamente sem noção que tenta abordar vários temas sem concretizar qualquer uma das suas ideias.

Clay Riddle (John Cusack), um artista que acaba de lançar o seu graphic novel, encontra-se no aeroporto, preparado a tentar uma reconciliação com a sua mulher e uma re-aproximação com o seu filho, quando um sinal transmitido a partir da rede de telemóveis, afecta todos aqueles que estavam no momento a falar ao telemóvel, transformando-os de imediato em máquinas assassinas, semelhantes a zombies. Ao conseguir escapar ileso do aeroporto, Clay junta-se a Tom (Samuel L. Jackson) e mais tarde à sua vizinha Alice (Isabelle Fuhrman), também eles resistentes e juntos unem forças para escapar aos mais tarde intitulados de "phoners", agora que o mundo está literalmente à beira da loucura.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Crítica: Um Traidor dos Nossos (Our Kind Of Traitor) . 2016


Adaptado do romance homónimo de John le Carré, Um Traidor dos Nossos, é um thriller político e de espionagem realizado por Susanna White. Infelizmente, é o tipo de filme que não surpreende, mas que certamente entretém, correndo o risco de rapidamente cair em esquecimento. 

Perry (Ewan McGregor) e Gail (Naomie Harris) encontram-se em Marraquexe para um fim de semana romântico, com o objectivo de ultrapassar a crise matrimonial que enfrentam. Na penúltima noite na cidade, conhecem Dima (Stellan Skarsgard), um homem aparentemente atencioso, mas que faz parte da máfia russa, encarregado de tratar do sistema de lavagens de dinheiro. Dima rapidamente faz-se amigo do casal, pedindo-lhes que o ajudem a fazer chegar até aos serviços secretos Britânicos, informação classificada sobre o grupo de mafiosos do qual faz parte. Perry e Gail vêem-se então obrigados a estar envolvidos no meio de uma teia de interesses políticos e de corrupção, o que poderá por em grande perigo o bem estar de cada um.

domingo, 12 de junho de 2016

Crítica: Atracção Fatal (Fatal Attraction) . 1987


Dan Gallagher (Michael Douglas) é um advogado bem sucedido que vive com a mulher e a filha em Nova Iorque. Com uma vida bastante confortável e feliz, nada faria prever o inferno que estaria para chegar. Quando a mulher e a filha vão passar uns dias fora, Dan conhece Alex Forrest (Glenn Close) uma cliente da firma onde trabalha, e os dois têm um estrondoso affair durante um fim-de-semana. Enquanto Dan vê o caso como um erro que quer apagar do passado, Alex vê as coisas de forma diferente. O segredo de Dan rapidamente é posto em risco visto que Alex se transformou numa obsessiva stalker que não vai desistir enquanto não tiver o que realmente quer. Ter Dan só para si.


Fatal Attraction é um dos mais famosos thrillers eróticos dos anos 80, que fica fortemente marcado não só pela sua carga emocional, boa escrita e grandes interpretações, mas também por ter influenciado muitos outros que se seguiram dentro do género. Facilmente poderia ser adaptado à era moderna e o é interessante como à medida que vai alcançando uma maior intensidade, se vai tornando mais aterrador e começamos a olhar para ele quase como se de um filme de terror se tratasse. Aqui o sexo é agressivo, ao mesmo tempo destrutivo, deixando os personagens suplicando por mais, com Michael Douglas e Glenn Close a mostrarem-se perfeitos para os seus papéis, especialmente Close que fascina com o seu ar doentio e alucinado, interpretando uma das vilãs mais marcantes de sempre do cinema.

As questões morais e aquilo que é a natureza humana revela-se aqui o mais importante, nunca esquecendo que a tentação é uma coisa perigosa. Não é o filme perfeito, mas sustenta muito bem a ideia que quer passar.

in Take Cinema Magazine, edição 43 Erótica.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Crítica: Bons Rapazes (The Nice Guys) . 2016


Mas que delicia! Russell Crowe e Ryan Gosling entram directamente para a lista das melhores duplas de buddy cop movies de todos os tempos. Shane Black é literalmente um dos que melhor faz filmes onde a dinâmica entre actores ganha vida, o que ajuda tudo o resto a fluir com uma naturalidade incrível.

Los Angeles, anos 70. Holland March (Ryan Gosling) é um detective privado um pouco descuidado e trapalhão, viúvo com uma filha (Angourie Rice) de treze anos para criar, aceitando casos fáceis aos quais consiga sacar o máximo de dinheiro aos seus clientes. Quando March é contratado para investigar o desaparecimento da estrela de cinema porno, Misty Mountains, acaba por se ver envolvido numa estranbolica teia, que leva até si Jackson Healy (Russell Crowe), um tipo agressivo e encorpado que faz um trabalho um pouco diferente do detective comum, contratado por Amelia (Margaret Qualley), com ligações incertas a Misty. March e Healy, juntam forças, determinados a desvendar este caso, com interesses muito para além do óbvio. Dois tipos decentes, à procura da verdade, que dentro da sua excentricidade e modos grosseiros, acabam por lutar por um bem comum.

domingo, 3 de abril de 2016

Crítica: Mergulho Profundo (A Bigger Splash) . 2015


Calor, mistério, desejo e uma dose de muito estilo, assim é Mergulho Profundo, um thriller recheado de erotismo, inspirado no filme La Piscine de 1969, e realizado por Luca Guadagnino. Aqui damos um mergulho profundo não só na belíssima Itália da costa Siciliana, mas também na teia de interesses e sentimentos dos quatro peculiares protagonistas.

Marianne Lane (Tilda Swinton) é uma estrela de rock famosa que se encontra refugiada com o seu namorado Paul (Matthias Schoenaerts) num recanto italiano paradisíaco que dá pelo nome Pantelleria. A fazer uma pausa do mundo frenético de artista de palcos e a recuperar de uma cirurgia às cordas vocais, Marianne contenta-se apenas a passar os dias literalmente a desfrutar dos prazeres da vida. Eis quando o seu ex-namorado Harry (Ralph Fiennes), um produtor musical, longe de ser modesto e muito exibicionista, aparece de surpresa e trás consigo a provocadora filha Penelope (Dakota Johnson) para passar uns dias com os amigos. Aquilo que parecia ser apenas uma visita inesperada mas agradável, transforma-se numa série de acontecimentos inconvenientes, que acabariam por tomar proporções catastróficas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Crítica: Triplo 9 (Triple 9) . 2016


John Hillcoat a jogar pelo seguro. Em demasia. Triple 9 é um thriller de acção, com um elenco cheio de nomes sonantes, incapaz de satisfazer ao se revelar apenas mais um de muitos dentro género, sem grande originalidade ou surpresas.

Um grupo de policias corruptos e ex-militares de Atlanta (Chiwetel Ejiofor, Anthony Mackie, Aaron Paul, Norman Reedus e Clifton Collins Jr.) a mando da impiedosa Irina Vlaslov (Kate Winslet), membro da máfia russa, a quem prestam serviços arriscados a troco de dinheiro, planeiam um último grande assalto antes de desfazerem o existente pacto com o diabo. Cada um com os seus motivos - a maior parte deles apenas por ganancia e poder - começam a organizar o esquema perfeito, que terá de envolver o conhecido código policial "999"(officer down) concentrando todas as atenções na morte de um policia em campo, enquanto outros têm tempo para realizar um assalto perfeito. Que policia sacrificar? Chris Allen (Casey Affleck) sobrinho do sargento detective da esquadra (Woody Harrelson) recém chegado à cidade, ainda não familiarizado com os novos colegas e ambiente na cidade.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Crítica: Horas Decisivas (The Finest Hours) . 2016


Terminamos o ano de 2015 recheados de histórias baseadas em factos verídicos. Começamos o ano de 2016 com mais histórias baseadas em factos verídicos. Horas Decisivas é um thriller / aventura realizado por Craig Gillespie (Lars and the Real Girl, Fright Night), com visuais cativantes e performances competentes, mas que não são o suficiente para salvar este relato, que peca pelo fraco argumento e falta de intensidade nas cenas de maior acção.

Em 1952, o petroleiro SS Pendleton fica literalmente dividido em dois, na Baía de Cape Cod. A guarda costeira local é destacada para o seu resgate. Bernie Webber (Chris Pine) é o capitão da pequena embarcação de salvamento, que juntamente com mais três membros da tripulação (Ben Foster, Kyle Gallner e John Magaro) arriscam as suas vidas, tempestade a dentro, na esperança de ir ao encontro do petroleiro e auxiliar os seus membros. Ao longo da história vamos saltitando entre o relato dos acontecimentos em terra - onde conhecemos pela primeira vez Bernie, a mulher por quem se apaixona (Holliday Grainger), assim como Daniel Cluff (Eric Bana) chefe da guarda costeira - e no mar - vendo de perto as dificuldades que os homens a bordo do petroleiro estão a passar, com Ray Bybert (Casey Affleck) na liderança.