Algures entre o neo-noir, o fantástico e o drama encontramos Rio Perdido, aquele tipo de filme que por vezes denominamos de estranho, mas que curiosamente consegue ser hipnotizante. Esta é a estreia do actor Ryan Gosling na realização (o argumento também é seu) e percebemos claramente quais as suas influências, nomeadamente algumas semelhanças com o cinema de Terrence Malick, mas sobretudo com Nicolas Winding Refn (com quem Gosling já trabalhou duas vezes, em Drive e Only God Forgives).
Rio Perdido é passado numa cidade quase fantasma, onde Billy (Christina Hendricks) vive com os dois filhos. Bones (Iain De Caestecker), o seu filho mais velho, tenta ajuda-la com o que pode, para não perderem a casa de família, visto que já tem três mensalidades da hipoteca e atraso. Quando Billy conhece um novo gerente do banco (Ben Mendelsohn), este oferece-lhe um novo e místico emprego onde lhe é garantido que pode começar a ganhar muito mais dinheiro. A forte vontade de Gosling em querer sempre mostrar um lado mais profundo e simbólico do que estamos a ver, pode tornar-se por vezes fora de contexto e confuso, mas ao mesmo tempo provoca um certo mistério e um lado poético que fascina.
