Mostrar mensagens com a etiqueta Ryan Gosling. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ryan Gosling. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de outubro de 2018

my (re)view: O Primeiro Homem na Lua (First Man) . 2018


Com Whiplash (2014) Damien Chazelle dava-se a conhecer ao mundo, com La La Land (2016) tornou-se no realizador mais jovem a ganhar um oscar nessa mesma categoria, com First Man foi posto de parte todo o seu conhecido arrojo, num filme que joga imenso pelo seguro numa tentativa de transformar este acontecimento de grande controvérsia ao longo de todos estes anos, em algo demasiado metafórico, ao mesmo tempo estranhamente simples e até por vezes aborrecido. A nível técnico, Chazelle continua a manter-se fiel à belíssima forma com que nos apresenta os seus filmes, mas é no que toca ao argumento que as coisas correm para o torto. Focado a cem por cento na figura de Neil Armstrong (Ryan Gosling) é estranho quando tudo parece distante sem grande relevância emocional ou afectiva, tornando-se muito difícil a empatia com os personagens, especialmente quando Ryan Gosling que até faz por isso, pouco consegue. Curiosamente Claire Foy, interpretando a mulher de Armstrong consegue ser muito mais envolvente que este. Talvez o medo que suscitar algum tipo de polémicas tenha sido mais elevado do que a vontade de aprofundar algumas questões, e enumeras vezes em que chegamos quase a esse ponto nada de especial acontece e lá voltamos nos para mais momentos de introspecção ao lado de Armstrong, onde mais parece que deixamos de ver um filme de Chazelle e passamos imediatamente para um estilo Malick. A banda sonora é competente e quando enquadrada com a excelente cinematografia, melhor. É de destacar também aquele que para mim é o melhor aspecto do filme, e talvez o único que o torna diferente de muitos outros com histórias de exploração espacial, pois quando dentro de qualquer um dos foguetes espaciais a sensação claustrofóbica, de tensão e medo do desconhecido conseguem transparecer para o lado de cá do ecrã. Um passo pequeno para Damien Chazelle, e ainda menos grandioso para esta história na Lua.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

sábado, 7 de outubro de 2017

Crítica: Blade Runner 2049 (ou a carta de amor a Denis Villeneuve) . 2017

Quando me preparo para começar a escrever um texto sobre um filme que gosto muito é sempre uma tarefa complicada. Tenho receio de me tornar demasiado exagerada, pretensiosa ou simplesmente que esteja a tentar moldar a minha adoração perante outros. Acho que é sempre mais fácil dizer mal, do que dizer bem, e é nos filmes que me deixam mais arrebatada que sinto essa dificuldade, e mais me faltam as palavras. Não é segredo nenhum, que aqui já várias vezes louvei o trabalho de Dennis Villeneuve, o realizador que rapidamente me fascinou desde o primeiro trabalho que dele vi. Acredito que ele é tudo aquilo que a minha geração procura viver no cinema, o entusiasmo de aguardar pela estreia do filme que queremos imaginar ser a próxima obra-prima que daqui a 35 anos vão continuar a falar. Tal como Ridley Scott transformou o seu Blade Runner, em algo que ainda hoje deixa marca a quem o assiste pela primeira vez, também Denis Villeneuve transformou esta sequela em algo só seu, com cunho pessoal que homenageia o trabalho de um veterano, aperfeiçoado por outro que converte o legado a algo muito superior. A maneira com que a história é respeitada, e os caminhos percorridos são traçados, eleva o espírito Blade Runner a toda uma outra dimensão, ainda mais complexa e mais interessante de ser experienciada, abordando questões sociais e humanas de forma metafórica, mas suscitando muitas outras dúvidas que nos perseguem muito depois do filme ter terminado. É na beleza dos planos, das cores e dos sets, é na forma crua e vulnerável que se apresentam os personagens das suas histórias, é na delicadeza das imagens e dos gestos, é nas palavras que por mais complexas ou confusas que possam ser, tocam de alguma forma. Nunca dúvidei das suas capacidades, mas tinha medo que com um peso destes sobre as suas costas o resultado não fosse propriamente o esperado. Roger Deakins ajudou construir a sua beleza visual, o jogo de luzes que se entranha pelos olhos adentro, e nos absorve para dentro de si. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch formam melodias melancolicas que arrepiam. O casting perfeito que leva Ryan Gosling ao limite e eleva Harrison Ford a um nível que há muito tempo não viamos. É como se Villeneuve conseguisse fazer magia em qualquer coisa em que pegue. 2049 é mais uma prova de como o seu trabalho é um dos mais interessantes que se fazem hoje em dia.

Muitos poderão achar exagero se colocar Denis Villeneuve no mesmo patamar de um Kubrick ou de Scorsese, mas a verdade é que ele consegue deixar me a cada obra sua mais e mais apaixonada pelo seu trabalho e pela genialidade com que consegue transmitir sentimentos e emoções através da lente da sua camera. Muito mais que uma review, esta acaba por ser a minha carta de amor a Villeneuve, tal como 2049 é a carta de amor de Villeneuve para Blade Runner.


Classificação final: 5 estrelas em 5.
Data de estreia: 05.10.2017

terça-feira, 9 de maio de 2017

Crítica: Música a Música (Song to Song) . 2017


Sabemos bem que Terrence Malick tem um jeito especial de fazer filmes, onde por vezes chega a ser difícil explicar o existente fascino pelas suas obras. Apesar de parecer, este não é definitivamente um filme sobre música, é mais uma vez um filme sobre pessoas e relações, sem nunca esquecer o habitual voiceover que acompanha a beleza natural que é a vida, aos olhos do realizador. Nem sempre equilibrado, nem sempre claro, mas é difícil não admirar o trabalho tão próprio e intimo de Malick.

Com o cenário central do South by Southwest Music Festival, o famoso festival de música da cidade de Austin no Texas, Música a Música segue os caminhos entrelaçados de dois casais, a aspirante a música Faye (Rooney Mara), o produtor musical Cook (Michael Fassbender) namorado de Faye, BV (Ryan Gosling) outro músico e também namorado de Faye, e a insegura empregada de mesa Rhonda (Natalie Portman) que casa com Cook. A cima de tudo esta é uma história sobre paixão, sedução, ambição e traição onde tentamos desvendar as peças soltas de um puzzle, através da peculiar narrativa de Terrence Malick, sempre complexa e sempre diferente. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Crítica: La La Land - Melodia de Amor (La La Land) . 2016


Damien Chazelle surpreendeu todos, ao fazer da sua segunda longa metragem um sucesso digno de realizador experiente em Hollywood. A sua produção independente Whiplash (2013), tinha a qualidade de qualquer filme de grande estudio e os olhos ficaram de imediato postos neste jovem de 32 anos, que escreve e realiza como gente grande, onde já merecidamente o podemos classificar como um dos melhores da nova era.

Los Angeles, a cidade dos sonhos. Mia (Emma Stone) é uma aspirante a actriz, a trabalhar numa coffee shop de um estúdio de cinema. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz, debatendo-se por encontrar um trabalho onde possa ser dono da sua criatividade. O destino dos dois cruza-se e juntos vão descobrir que o amor e os sonhos são algo verdadeiramente poderoso. Cada vez passam mais tempo juntos e um carinho especial surge. A ambição de triunfar é imensa pela duas partes, e assim é também o amor que os une, mas será que tudo é realmente perfeito e possível na cidade dos sonhos?

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Crítica: Bons Rapazes (The Nice Guys) . 2016


Mas que delicia! Russell Crowe e Ryan Gosling entram directamente para a lista das melhores duplas de buddy cop movies de todos os tempos. Shane Black é literalmente um dos que melhor faz filmes onde a dinâmica entre actores ganha vida, o que ajuda tudo o resto a fluir com uma naturalidade incrível.

Los Angeles, anos 70. Holland March (Ryan Gosling) é um detective privado um pouco descuidado e trapalhão, viúvo com uma filha (Angourie Rice) de treze anos para criar, aceitando casos fáceis aos quais consiga sacar o máximo de dinheiro aos seus clientes. Quando March é contratado para investigar o desaparecimento da estrela de cinema porno, Misty Mountains, acaba por se ver envolvido numa estranbolica teia, que leva até si Jackson Healy (Russell Crowe), um tipo agressivo e encorpado que faz um trabalho um pouco diferente do detective comum, contratado por Amelia (Margaret Qualley), com ligações incertas a Misty. March e Healy, juntam forças, determinados a desvendar este caso, com interesses muito para além do óbvio. Dois tipos decentes, à procura da verdade, que dentro da sua excentricidade e modos grosseiros, acabam por lutar por um bem comum.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Crítica: Rio Perdido (Lost River) . 2014


Algures entre o neo-noir, o fantástico e o drama encontramos Rio Perdido, aquele tipo de filme que por vezes denominamos de estranho, mas que curiosamente consegue ser hipnotizante. Esta é a estreia do actor Ryan Gosling na realização (o argumento também é seu) e percebemos claramente quais as suas influências, nomeadamente algumas semelhanças com o cinema de Terrence Malick, mas sobretudo com Nicolas Winding Refn (com quem Gosling já trabalhou duas vezes, em Drive e Only God Forgives).

Rio Perdido é passado numa cidade quase fantasma, onde Billy (Christina Hendricks) vive com os dois filhos. Bones (Iain De Caestecker), o seu filho mais velho, tenta ajuda-la com o que pode, para não perderem a casa de família, visto que já tem três mensalidades da hipoteca e atraso. Quando Billy conhece um novo gerente do banco (Ben Mendelsohn), este oferece-lhe um novo e místico emprego onde lhe é garantido que pode começar a ganhar muito mais dinheiro. A forte vontade de Gosling em querer sempre mostrar um lado mais profundo e simbólico do que estamos a ver, pode tornar-se por vezes fora de contexto e confuso, mas ao mesmo tempo provoca um certo mistério e um lado poético que fascina.