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domingo, 17 de março de 2019

my (re)view: Vice . 2018


Vice, de Adam McKay

Até parece que me sinto mal por não ter gostado de Vice o quanto pensava que ia gostar. O retrato de Dick Cheney, vice presidente e braço direito de George W. Bush, contado de forma um pouco incoerente e superficial que acaba por não permitir que o elenco brilhe o suficiente mesmo quando todos o tentam fazer dando-nos sem dúvida performances absolutamente fantásticas, perante uma experiência acaba por não encher as medidas. Talvez fosse preferível um ritmo mais lento que obrigasse a mais detalhe, ao invés disso temos um ritmo frenético, que por um lado lhe dá uma certa identidade onde a edição é bem conseguida, mas a constante mistura de períodos temporais faz com que fique a impressão de que se perde a intensidade necessária dos momentos no presente. O desenvolvimento de personagens também fica assim comprometido pela quantidade de coisas que estão a acontecer ao mesmo tempo. Apesar disso adoro o facto de Adam McKay usar a sátira para ilustrar curiosos momentos e até decisões importantes. Chegamos ao fim e fica a sensação de que isto poderia ser um filme grandioso, daqueles em que tudo deixaria uma boa marca já com a bagagem da controvérsia as costas. Soube a muito pouco e isso acabou por se reflectir no seu todo. 

PS: Christian F*cking Bale!!!

Classificação: 3 estrelas em 5.

domingo, 14 de janeiro de 2018

my (re)view: Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri) . 2017


Passados meses do assassinato da filha, sem homicida preso ou qualquer indicio de investigação a decorrer, Midred Hayes (Frances McDormand) decide colocar frases provocatórias em três cartazes à beira de uma estrada, direccionados ao chefe da policia local Willoughby (Woody Harrelson). Quando um dos policias da esquadra (Sam Rockwell) de depara com os mesmos, declara guerra aberta a Mildred, guerra essa que irá contagiar e infectar toda a população da localidade. Martin McDonagh realiza, mas também é rei na escrita, e isso já ficou provado nos seus trabalhos anteriores. Three Billboards Outside Edding, Missouri tem, não só o equilibrio perfeito entre o humor negro e o drama, como um sentimento de raiva que nos transmite o tempo todo, a dureza que é acreditar no mundo cruel em que vivemos, onde as coisas acontecem sem aviso, apanhando nos na curva a cada momento violento, mas sempre com propósito, nunca de forma gratuita, envolvendo cada vez mais a nível emocional, colocando nos na pele de cada um dos personagens, do maior ao mais insignificante, graças às excelentes performances de todo o elenco. Original, imprevisivel, emotivo e brutal na forma como demonstra muito do que está errado no sistema e a cima de tudo no ser humano. Hail McDormand. Hail Rockwell. Por favor escrevam mais papeis significantes para estes dois, eles merecem e muito. Este ano finalmente é vosso! O meu favorito de 2017, visto já em 2018.

Classificação final: 5 estrelas em 5.