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terça-feira, 23 de abril de 2019

my (re)view: Se Esta Rua Falasse (If Beale Street Could Talk) . 2018


If Beale Street Could Talk, de Barry Jenkins

Barry Jenkins viu crescer todo o seu buzz quando em 2016 realiza Moonlight, uma abordagem bastante honesta e crua em torno da homossexualidade e as suas complexidades. Desta vez em If Beale Street Could Talk essa honestidade e dureza mantém-se, assim como a beleza e envolvência visual e emocional que este filme transmite e Jenkins tão bem a faz passar. Pensamos não saber onde ele nos vai levar, mas afinal não nos leva a um grande lugar e isso é bom. Mais importante que isso são todos os lugares especiais pelos quais vamos passando. Pode não ser um lugar melhor que o ponto de partida, mas temos esperança e acreditamos nele com todas as nossas forças. Torcemos pelo bem estar dos personagens e queremos que tudo corra bem. É esta a maior beleza deste filme, que acompanha a jornada apaixonada de um casal negro, os seus primeiros anos de vida em comum, contrastado com a desgraça perante o infortuno de nascer com o tom de pele errado. Há algo demasiado belo para ser transmitido em palavras e é isso que torna esta história tão bem sucedida. Vamos passando por várias facetas emocionais neste filme, entre as quais felicidade, paz, esperança mas também tristeza, raiva e revolta isto graças ao sentimento que os actores colocam nas suas personagens. Para além de marcar uma posição é um dos filmes mais românticos que já vi nos últimos tempos. Uma intensidade tal que é de partir o coração.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

domingo, 17 de março de 2019

my (re)view: Vice . 2018


Vice, de Adam McKay

Até parece que me sinto mal por não ter gostado de Vice o quanto pensava que ia gostar. O retrato de Dick Cheney, vice presidente e braço direito de George W. Bush, contado de forma um pouco incoerente e superficial que acaba por não permitir que o elenco brilhe o suficiente mesmo quando todos o tentam fazer dando-nos sem dúvida performances absolutamente fantásticas, perante uma experiência acaba por não encher as medidas. Talvez fosse preferível um ritmo mais lento que obrigasse a mais detalhe, ao invés disso temos um ritmo frenético, que por um lado lhe dá uma certa identidade onde a edição é bem conseguida, mas a constante mistura de períodos temporais faz com que fique a impressão de que se perde a intensidade necessária dos momentos no presente. O desenvolvimento de personagens também fica assim comprometido pela quantidade de coisas que estão a acontecer ao mesmo tempo. Apesar disso adoro o facto de Adam McKay usar a sátira para ilustrar curiosos momentos e até decisões importantes. Chegamos ao fim e fica a sensação de que isto poderia ser um filme grandioso, daqueles em que tudo deixaria uma boa marca já com a bagagem da controvérsia as costas. Soube a muito pouco e isso acabou por se reflectir no seu todo. 

PS: Christian F*cking Bale!!!

Classificação: 3 estrelas em 5.