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domingo, 8 de dezembro de 2019

my (re)view: Marriage Story . 2019

Imagem via variety.com
Pode dizer-se que Marriage Story é um filme bastante denso. Denso nos sentimentos, denso nas palavras, denso naquilo que significa ser feliz e valorizado quando colocamos o amor e a felicidade de outros em primeiro lugar numa relação, e deixamos para trás o nosso bem estar emocional. Noah Baumbach (Frances Ha 2012) escreve e realiza de forma crua, verdadeira mas também divertida aquilo que podiam ser situações perfeitamente normais entre um casal à beira da ruptura e com naturalidade percebemos cada um dos lados e identificamo-nos com algumas situações. Existem momentos de uma intensidade tamanha que elevam este filme a muito mais do que uma história sobre um divórcio. Esses momentos transmitem dor e sofrimento e é impossível não ficarmos tristes e abalados com o que estamos a ver. Os diálogos entre personagens são perfeitamente credíveis e espontâneos, cheios de raiva e angústia mas também cheios de amor e tudo se sente como verdadeiro, pois esta podia ser a história de cada um de nós ou de qualquer outra pessoa que já conhecemos na nossa vida. Scarlett Johansson tem a meu ver a melhor performance da sua carreira e Adam Driver mostra mais uma vez porque é dos melhores actores da actualidade e quem diria que química entre os dois resultaria tão bem. Chegamos ao fim de Marriage Story completamente de rastos depois de termos levado uns quantos murros no estômago. A beleza da sua honestidade tocará a todos disso tenho a certeza.

Classificação final: 4,5/5.

terça-feira, 30 de abril de 2019

my (re)view: Avengers: Endgame . 2019


Avengers: Endgame, de Joe Russo and Anthony Russo

Onze anos e vinte e dois filmes depois a Marvel chega ao final de um ciclo. Certamente que os filmes deste universo cinematográfico continuarão a render muitos milhões, mas este é para mim também o terminar desta era. Sempre assumi que não era uma fanática por este tipo de filmes, no entanto sempre os acompanhei ao longo de todos estes anos. O bom casting de actores e o entretenimento associado eram o bastante para me fazer continuar a vê-los e quer se queira quer não, gostando mais ou menos, vamos conhecendo as histórias e ficando agarrados as possibilidades do que poderia acontecer a seguir a este ou aquele super-herói mias querido. Por consequência somos obrigados a seguir todos os filmes se não queremos perder o fio à meada. É quase impossível falar sobre este Avengers: Endgame sem revelar muito porque a verdade é que ele mexe com algumas emoções e isso obriga a alguma filtragem no que toca a escapar algum tipo de spoiler. As três horas de filme estão para mim divididas entre muito bom e assim-assim. A primeira hora e meia é do melhor que já se viu em filmes do género. O tom sombrio e o óptimo desenvolvimento de personagens no contexto de um ritmo lento transformam o filme em algo bastante denso, cheio de conteúdo e propósito. À medida que vamos aumentando o ritmo, entram mais personagens e a nostalgia vai sustentando bem o enredo. Adorei o facto do legado humorístico de Taika Waititi (realizador de Thor: Ragnarok) se ter mantido no actual Thor, muitos acharam que o ridicularizou, eu achei um máximo. Quando o conteúdo é em si pesado nada melhor que um toque de humor. Assim que entramos na parte de mais adrenalina da acção todos os problemas comuns nos filmes da Marvel surgem à superfície e isso desaponta um bocadinho. Aparecem os habituais problemas de um filme que contém muitos personagens e daí surgem também as inerentes dificuldades de gestão de tempo para dar espaço a todos. A batalha final poderá ser para alguns o ponto alto deste filme, mas como é recorrente os problemas estão presentes nomeadamente a sua duração e um momento um tanto ou quanto awkward e forçado, fruto dos tempos e da obsessão para demonstração da igualdade de género. Como mulher gosto de um bom momento de girl power, mas esse tem de ter propósito e ser natural coisa que não acontece. Não sei se muitos estarão preparados para o seu desfecho, cuja emotividade puxa para o nosso lado mais sensível, pois na verdade fomos não diria obrigados, mas habituados (os que gostam disto pelo menos) a seguir com carinho alguns personagens. Para mim foi forte. Fiquei triste e dei por mim a reflectir que se calhar até tenho gostado mais disto tudo do que eu pensava... Poderá não ser o grande filme épico de desfecho, mas é sem dúvida alguma uma boa forma de terminar um ciclo.

"I love you 3000".

Classificação: 4 estrelas em 5.

Top Marvel movies: https://boxd.it/2SuBo

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Crítica: Lucy (2014)


Data de Estreia: 21-08-2014

Luc Besson o realizador de filmes como Léon: The Professional (1994) e The Family (2013) apresenta-nos este ano o filme Lucy, uma mistura de ficção cientifica com acção. Julgando só pelo trailer o filme parece ser uma grande montanha russa de emoções e espectaculares cenas de acção, ou seja o pacote perfeito para um blockbuster de Verão. O que acontece é que a inconsistência da história faz com que perca imensos pontos ao longo do caminho.

No inicio do filme conhecemos Lucy, uma jovem americana de 25 anos a viver em Taiwan, na China. Lucy vê-se obrigada a entregar uma pasta a um sujeito chamado Mr. Jang. Ela não sabe o que está dentro da pasta e rapidamente se vê envolvida num pesadelo quando é capturada para servir de correio de uma droga muito poderosa que iria revolucionar o mercado do tráfico. Quando o saco de droga que ela carrega dentro da barriga rebenta Lucy começa a sentir imensas diferenças no seu corpo e a sua mente está prestes a atingir o máximo de potência que alguma vez algum ser humano será capaz de atingir, 100%.

O filme tenta ter um lado filosófico, sobre a existência da vida humana e sobre até onde a humanidade será capaz de ir no futuro, mas também tem uma carga religiosa significativa e podemos tirar dele algumas questões sobre a existência de Deus e alguns elementos no filme indicam exactamente para isso. O problema é que Lucy tenta dar-nos demais sem dar tempo para absorver tudo e certos momentos acabam por ser uma trapalhada.

O enredo não é bem construído e algumas perguntas sobre os personagens ficam a pairar no ar. Alguns elementos que poderiam ter sido melhor explorados e até explicado simplesmente ficam por decifrar.

O que realmente sustenta este filme é a boa performance de Scarlett Johansson para além disso, o filme acaba por ser uma enorme desilusão. Luc Besson tentou mostrar alguma originalidade, na edição, na forma como a música é utilizada em cada cena e na forma como o realiza, o problema é que muita coisa não resulta da melhor maneira. Sabemos que a personagem principal adquiriu uma capacidade fora do normal, mas algumas das suas acções são simplesmente fora de contexto e algum do humor usado no filme também esteve um pouco fora do lugar. Acho que a intenção seria iluminar a pesada atmosfera presente em alguns momentos, mas em vez de nos fazer rir de forma natural, acabamos por nos rir por não fazer sentido. O personagem interpretado por Morgan Freeman não é bem desenvolvido e isso é mais uma das coisas que o prejudica, pois ele acaba por ser um personagem chave, interpretando o professor que apoia toda esta teoria.

Tive a oportunidade de o ver em IMAX e no que toca a efeitos visuais o IMAX é o ecrã perfeito para o experienciar, mas sinceramente acho que pela história não vale o dinheiro pois tirando esses efeitos ele pode perfeitamente ser visto num ecrã de cinema normal.

O conceito poderia ter sido aproveitado de melhor maneira, mas é certo que me manteve entretida durante todo o tempo. Só esperava que Lucy fosse um dos melhores filmes deste Verão, mas o facto é que não é.

Vão ver sem grandes expectativas e quem sabe poderão gostar muito daquilo que ele vos vai dar.






Classificação final: 2,5 estrelas em 5.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Crítica: Chef (2014)


Depois de realizar três blockbusters (Iron Man, Iron Man 2 e Cowboys & Aliens) Jon Favreau volta com esta bela e simples história chamada Chef. Eu não sabia o que esperar dele, mas algo me dizia que iria passar um bom bocado. É uma comédia/drama muito agradável com momentos absolutamente deliciosos, literalmente! Podemos definitivamente sentir que este filme foi um projecto desenvolvido com muita paixão pela parte de Jon Favreau e que eu gostei mais nele é o seu "feeling Indie".

Jon Favreau realizou, representou e escreveu esta história sobre o Chef Carl Casper, um chef muito respeitado que trabalha num restaurante bem conhecido em Los Angeles. Quando ele recebe uma crítica negativa de um crítico de comida que visita o restaurante (o que levou mais tarde a outras situações desastrosas), ele é demitido. Isso fez com que ele reconsiderasse algumas decisões na sua vida e começa a pensar em tomar outro rumo na sua vida. Ele acaba em Miami com uma roulote de comida com o nome de "El Jefe" que serve uma quantidade de pratos cubanos.

Uma coisa que eu gostei de ver foi a forma como Jon Favreau retratou um relacionamento amigável entre um casal divorciado, que é uma coisa rara de ver num filme. A relação entre pai e filho também é muito afectivo e calorosa de se ver. A maneira como Favreau desenvolve Carl faz-nos preocupar com o personagem e isso é mais um bónus no filme. Este é um filme que parece real, embora tenha alguns momentos previsíveis.

As performances foram muito boas! Jon Favreau tem um grande e muito honesto desempenho, ele foi óptimo e dá para ver que ele é realmente um bom actor, sendo capaz de se conectar com o público. Os papéis secundários são muito divertidos e engraçados. Sofía Vergara a fazer algo diferente do que é habitual, num papel mais calmo, uma mulher mais terra a terra. O menino que desempenha o papel de seu filho também foi muito bom. O resto do elenco, John Leguizamo, Bobby Canavale, Scarlett Johansson, Oliver Platt foram todos bons nos seus papeis. Os cinco minutos de Robert Downey Jr. no ecrã foram absolutamente maravilhosos! As suas cenas foram muito engraçadas, aquele sujeiro é incrível! Dustin Hoffman tem muito poucas cenas no ecrã também, mas é sempre bom vê-lo.

Este filme celebra o amor pela comida que é transmitida através da tela. Todas as cenas envolvendo culinária são filmadas de uma maneira linda! Nessas cenas é tudo sobre a comida, são os alimentos que são importantes e esse é um aspecto muito bom do filme, porque com isso Favreau foi capaz de transformar todos os pratos e ingredientes também em personagens do filme.

Chef espalha muito charme e coração em todo o lado! Vamos com certeza deixar a sala de cinema com uma sensação boa vibe e eu aposto que no final do filme vocês vão estar cheios de fome como eu fiquei!

Se querem passar um bom bocado a ver um filme descontraído e bem disposto, podem apostar em ver Chef! Ele encontra-se em exibição por muitas salas de cinema espalhadas pelo país, pois estreou nas nossas salas apenas na Quinta-Feira passada, dia 29 de Maio.







Classificação final: 3,5 estrelas em 5.