domingo, 15 de novembro de 2015

Crítica: 7 Chinese Brothers . 2015


«Exibido no LEFFEST '15»

Escrito e realizado por Bob Byington, 7 Chinese Brothers é uma história bastante simples, sobre o eterno perdedor que parece não ter vontade de encontrar o caminho certo para a sua vida. Sem arriscar muito, o filme consegue ser bem sucedido derivado ao casting perfeito, pois ter Jason Schwartzman a interpretar esse tipo, dá muito mais charme à coisa. 

No filme seguimos Larry (Jason Schwartzman), um sujeito bastante peculiar, que acaba de perder o emprego num restaurante por roubar cinco dólares. No mesmo dia, consegue arranjar trabalho numa oficina de automóveis, onde de imediato se apaixona pela futura chefe (Eleanore Pienta). A sua avó carrancuda (Olympia Dukakis) tenta dar-lhe alguns conselhos para a sua vida, que Larry tende em não seguir, e nem mesmo o seu melhor amigo (Tunde Adebimpe), bem mais determinado e convicto, faz com que Larry encare a vida com outra atitude. Talvez a sua arrogância o impeça de ser totalmente feliz, mas a verdade é que mesmo assim o personagem consegue conectar-se connosco.

sábado, 14 de novembro de 2015

Crítica: Que Horas Ela Volta? . 2015


«Exibido no LEFFEST '15»

A submissão brasileira aos Oscars 2016 - Que Horas Ela Volta? - escrito e realizado por Anna Muylaert, teve a sua estreia no Festival de Sundance deste ano, onde ganhou um prémio do júri, posteriormente vindo a ganhar outro no Festival de Berlim. Um drama que explora as relações entre dois estratos sociais diferentes e também algumas ideias interessantes sob a superfície dos personagens, tanto de forma séria, como com humor.

Val (brilhantemente interpretada por Regina Casé), mulher do nordeste brasileiro, vive há 13 anos em São Paulo, como empregada doméstica na casa de uma família da alta sociedade. Depois de ter criado Fabinho (Michel Joelsas), o filho do casal, Val vive constantemente com a culpa de nunca ter criado a sua própria filha Jéssica (Camila Márdila) que teve que deixar para trás quando decidiu procurar algo melhor para o sustento da sua filha. Inesperadamente Jéssica decide ir para São Paulo, prestar provas para ingressar na faculdade, e Val vê aí a oportunidade de recuperar o tempo perdido. A convivência entre as duas não é fácil, e Jéssica irá provocar variados sentimentos em todos os membros da família.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Crítica: Quarto (Room) . 2015


«Exibido no LEFFEST '15»

O cinema tem o poder imenso de nos transportar para outros mundos e outras realidades. Consegue ter o poder de nos fazer felizes, tristes, e são grandiosos filmes como este, que por isso mesmo, nos tocam profundamente no coração. Realizado por Lenny Abrahamson (What Richard DidFrank) e baseado no romance de Emma Donoghue com o mesmo nome, Room é doce, devastador e capaz de estimular em nós inúmeros sentimentos.

Joy Newsome aka Ma (Brie Larson) e o seu filho Jack (Jacob Tremblay) de cinco anos, vivem em cativeiro na cabana de um jardim. Prisioneira de Old Nick (Sean Bridgers) desde os 17 anos, Joy educou e criou o filho dentro de um espaço mínimo, - por onde a luz passa, apenas através de uma pequena clarabóia - na verdade, o único mundo que Jack conhece. Todas as noites, o raptor visita a cabana para fornecer roupa e alimentos, e enquanto Jack dorme - dentro de pequeno armário - e viola Joy mais uma e outra vez. Desgastada física e mentalmente, ela faz de tudo para que o filho não perceba o verdadeiro porquê da situação em que vive, dando-lhe muito amor, num espaço onde as mais extraordinárias coisas acontecem aos olhos de Jack, pois a beleza do mundo existe porque a sua mãe faz com que esta aconteça, dentro dos horrores daquelas quatro paredes.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Crítica: Diário de Uma Criada de Quarto (Le Journal d'une Femme de Chambre) . 2015


«Exibido no LEFFEST '15»

Realizado por Benoît Jacquot, baseado no romance de 1900 de Octave Mirbeau com o mesmo nome, esta é a mais recente adaptação de Diário de Uma Criada de Quarto, onde são partilhadas connosco algumas das aventuras de Célestine, uma jovem arrojada que trabalha como criada.

Quando a jovem e bela Célestine (Léa Seydoux), saí da grande cidade parisiense para ir servir na província, na casa da abastada família Lanlaire, vai recordando alguns dos mais significantes momentos da sua vida, desde que começou a ser serviçal. Excêntrica demais para a época, Célestine é sempre o centro de todas as atenções, não só pela sua beleza mas também pela sua atitude, nada submissa. Enquanto tenta lidar com a intragável nova patroa e com as tentativas de abuso por parte do patrão, Célestine começa a sentir um certo fascínio por um dos empregados da casa, o misterioso Joseph (Vincent Lindon) que parece guardar alguns segredos.

Crítica: A Canção de Uma Vida (Song One) . 2014


«Exibido no LEFFEST '15»

Ainda com um pequeno percurso pelas curtas metragens, a realizadora Kate Barker-Froyland estreia-se agora nas longas com este A Canção de Uma Vida. Infelizmente, este revela ser uma tentativa falhada de um tocante romance, aproximando duas pessoas através de uma situação não muito agradável. Romance à parte, também tenta demonstrar a importância que a música tem nas nossas vidas, mas de forma pouco efectiva.

A história segue Franny (Anne Hathaway) uma antropologista que se vê obrigada a regressar a Nova Iorque, quando o seu único irmão e músico, Henry (Ben Rosenfield), sofre um grave atropelamento e fica em coma. Franny, que recentemente se tinha chateado com ele, vive agora em constante agonia e sofrimento, tentando conectar-se com o irmão e perceber o porquê do seu grande amor pela música. Frequentando os mesmos sítios que ele, ouvindo as mesmas músicas que ele, experienciando vários momentos em sítios por onde Henry passava. Um dia, vai ao concerto do artista favorito de Henry, o cantor James Forrester (Johnny Flynn), partilha com ele a história do irmão. Quase de imediato, os dois criam uma ligação forte.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Crítica: 45 Years . 2015


« Exibido no LEFFEST '15 »

45 Years é um drama realizado por Andrew Haigh, também co-escrito por ele, baseado no conto "In Another Country" de David Constantine. Sublimemente interpretado por Charlotte Rampling e Tom Courtenay, o filme dá-nos um olhar simples, honesto, absolutamente devastador, de um casal prestes a comemorar o seu 45º aniversário de casamento.

Quando Geoff (Tom Courtenay) recebe uma carta dizendo que o corpo da sua namorada de há 50 anos foi encontrado nos Alpes, a notícia abala de forma inesperada a sua esposa Kate (Charlotte Rampling), que se sente inquieta com o "reaparecimento" deste antigo amor. É partir daí, e durante a semana de preparação para a festa de aniversário de casamento, que os fantasmas do passado começam a interferir na vida do casal e atitudes de cada um, e um casamento de uma vida, começa a ser posto em causa por Kate. Será que ao fim de 45 anos, valeu a pena? Um conto que demonstra muito do quanto o ser humano gosta de guardar segredos que não compartilha com mais ninguém, que não consigo mesmo. A bela demonstração de que como uma revelação, pode mexer com a cabeça e sentimentos de qualquer um, trazendo desconfiança e dúvidas quando se pensava ter todas as certezas.