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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Crítica: Sing Street . 2016


Quer seja como realizador, quer seja como argumentista, John Carney tem certamente qualquer poder especial. Quase como sem saber bem porquê, a simplicidade das suas histórias, sempre com um toque musical à mistura, permanecem connosco muito para além dos seus filmes terem chegado ao fim.

Estamos na Irlanda, na cidade de Dublin, em plenos anos 80. Conhecemos Conor (Ferdia Wlash-Peelo), um jovem de 14 anos que se encontra numa fase menos boa da sua vida, quando ele e os irmãos se vêem no meio da crise matrimonial dos seus pais (Aidan Gillen e Maria Doyle Kennedy) que se debatem com problemas financeiros, que originam discussões e mau estar na família. Quando se vê obrigado a sair de um bom colégio, para frequentar a escola pública das redondezas, Conor depara-se com uma realidade totalmente diferente da que estava habituado. Surgem problemas com os novos colegas e também com professores, mas a esperança dos seus dias melhorarem, residem na misteriosa, bonita e super cool Raphina (Lucy Boynton), pela qual Conor fica imediatamente encantado. Rendido, decide convida-la para participar num videoclip da sua banda. Mas a verdade é que Conor nem sequer tem uma banda! Eis então que a pouca auto-estima de Conor desaparece, a criatividade começa a surgir, estando prestes a deixar para trás os seus medos agora que encontrou a sua musa e ganha coragem para começar a seguir o seu sonho de cantar numa banda.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Crítica: Begin Again (Num Outro Tom) 2014


Data de Estreia: 18-09-2014

Por vezes há filme que nos tocam de maneira especial, não por nos identificarmos com alguma personagem em particular ou com alguma das situações vividas nele. Simplesmente se conectam a nós proporcionando-nos um fantástico momento de pura satisfação e alegria! Foi isso que Begin Again (Num Outro Tom) fez comigo. Um “feel-good movie” que nos vai fazer ficar constantemente com um grande sorriso no rosto.

Uma comédia dramática muito refrescante que aquece o coração. Nela seguimos as histórias de Dan e Gretta em Nova Iorque. Dan é um produtor musical que já teve melhores dias na sua carreira e casamento. Há anos que não consegue um contracto discográfico milionário como nos seus dias de glória e o seu casamento acabou recentemente. Gretta é compositora "de vez em quando" como gosta de dizer, não acreditando no seu talento sempre escondido atrás da sombra do seu namorado Dave, um músico que acaba de ser contratado por uma grande produtora discografica. Deslumbrado com tudo, Dave termina a relação de cinco anos com Gretta que pretende voltar para Inglaterra de onde é natural. Mas o destino prega uma partida a Gretta e Dan. E um esplendido e notável  projecto faz com que as suas vidas voltem a iluminar-se, graças ao poder da Música! Até porque afinal há sempre uma luz ao fundo do túnel.

Duas vidas que se cruzam por obra do destino, com um grande empurrão de Música. E que poder tem a música neste filme! Toda a banda sonora foi escrita propositadamente para o filme e ajusta-se na perfeição a todo o enredo, encaixando cada faixa no momento certo. Uma grande banda sonora repleta de músicas que deixam o público deliciado. Os diálogos são muito bons e inteligentes e fazem com que as relações entra cada personagem pareçam realmente reais, derivado à naturalidade com que os actores representam.

Mark Ruffalo, querido Mark Ruffalo, mais uma vez fantástico! Um actor muito subestimado que merece mais valor do que aquele que lhe é atribuído normalmente. Um actor que se entrega de corpo e alma a qualquer personagem que faça. Aqui olhamos para ele e nunca duvidamos que ele é aquela pessoa, aquele homem totalmente aluado, sem rumo, sem qualquer tipo de orientação mas com um enorme amor pelo mundo da Música. Keira Knightley já conseguiu formar uma carreira consideravelmente boa e também é bastante convincente neste papel de compositora/cantora (é ela mesmo que canta no filme e pelos vistos safa-se bastante bem também nessa área). Nunca pensei que a química entre Ruffalo e Knightley fosse tão boa, mas o facto é que trabalharam maravilhosamente juntos. Adoro o facto de Adam Levine ter aceite fazer um papel que ridiculariza um pouco o tipo de carreira musical que ele mesmo tem. Faz-me admira-lo de certa maneira, mostra um lado bastante humilde que muitos outros talvez não tivessem coragem de aceitar. E aqui neste filme conseguimos perceber que ele realmente é um excelente cantor, cantando por vezes canções diferentes do registo que ele e a sua banda Maroon 5 costumam fazer. Depois ainda temos um bom cameo da parte de Cee Lo Green e elenco secundário muito bom com nomes como Catherine Keener, James Corden ou Hailee Steinfeld.

John Carney fez um grande trabalho a realizar este Begin Again, um filme sobre começar de novo, sonhar, acreditar em nós próprios, remição e acima de tudo ser feliz! O facto de ser um filme que se liga a audiência torna-o mais especial ainda. Vão ver, porque este é um filme que vós vai fazer muito felizes.








Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Crítica: Once (No Mesmo Tom) 2006


Um dos filmes mais belos e honestos que já vi! Fiquei completamente assoberbada com o amor e dedicação que foi colocada pelo realizador John Carney neste seu pequeno (mas muito grande) projecto que nos consegue transmitir tanto com tão pouco!

Once tem uma história muito simples e sincera demonstrando um enorme amor pela Música, o que faz todo o sentido. Um mundo sem Música não seria o mesmo e é devido ao amor pela Música que os dois personagens centrais desta história se irão unir.

Um músico de rua com um enorme talento, toca todos os dias pelas ruas de Dublin. No inicio ficamos com a ideia de que ele é apenas mais um que procura ganhar um dinheiro extra, cantando e tocando algumas canções… Mas rapidamente percebemos que a principal razão pela qual o faz não é o dinheiro, mas sim o prazer de dar música aos outros, sonhando um dia tornar-se um músico profissional. Num dia como outro qualquer, ele conhece uma rapariga que não como a maioria das pessoas que se cruzam com ele todos os dias, presta realmente atenção aquilo que ele faz. E daí começa a crescer uma bonita relação musical e emocional.

O filme é filmado ao estilo de documentário o que tendo em conta a história lhe dá todo um ar mais intimista, quase como se fosse suposto andarmos lado a lado com os personagens. O seu especto bastante "cru", em vez de lhe dar um ar amador consegue torna-lo em algo ainda mais especial. A banda sonora original deste filme é algo absolutamente delicioso. Grandes temas, todos originais que ilustram na perfeição cada sentimento, cada emoção, cada momento que estamos a ver.

As performances são muito realistas e sentidas. Glen Hansard e Markéta Irglová fizeram um óptimo trabalho interpretando estes dois bonitos personagens. Fico muito feliz em saber que estes dois talentosos músicos ganharam o Oscar de Melhor Canção Original – “Falling Slowly” – em 2007.

Once não é só um filme para todos os amantes da música, é um filme que toda a gente deveria ver. Simples, sem qualquer tipo de presunção ou exigência. Apenas pretende tocar o coração de qualquer ser humano que dê valor à emoção.







Classificação final: 5 estrelas em 5.