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domingo, 8 de junho de 2014

Crítica: Bronson (2008)


Brutal, duro, mas óptimo.

Aqui está, mais uma prova de como Tom Hardy é um dos melhores actores da sua geração. Em Bronson ele é absolutamente magnífico! Este filme é Tom Hardy. Sem o seu desempenho surpreendente este filme não teria sido tão bom como é.

O que é mais surpreendente sobre a história deste filme é que realmente é uma história verdadeira. A história de um homem que nasceu com o nome de Michael Peterson, que posteriormente escolhe intitular-se como Charles Bronson. Ele é considerado um dos prisioneiros ingleses mais violentos de sempre.

No filme, podemos ver dois tipos diferentes de homem. O homem que tem um lado mais suave, o homem que pode enganar-nos mostrando o que aparentemente parece ser um homem calmo, mesmo por trás de uma figura robusta e cheia de músculos. E o homem violento e cheio de raiva que é capaz de se transformar num lunático. Tom Hardy foi capaz de retratar este dois lados de uma excelente maneira! Podemos totalmente sentir através dele raiva do personagem, mas também o lado emocional apenas pelo olhar. Vemos um lado vulnerável de um homem tão difícil é o que eu acho que foi mais interessante no filme, eu gostei disso.

Fazer um filme sobre um homem que esta constantemente a bater em guardas da prisão sem motivo aparente pode ser muito difícil porque nós definitivamente não conseguimos entender por quê dele crescer com tanta raiva dentro de si, é claro que podemos tirar nossas próprias conclusões (e a verdade é que há uma grande quantidade de pessoas violentas do mundo, sem razão aparente para isso) mas não há grande resolução para esta história, na verdade, se formos pesquisar sobre o verdadeiro Charles Bronson, ele continua preso, por isso a minha principal queixa sobre o filme é a repetição de algumas cenas. Cenas que já sabemos como vão terminar, mas isso não nos vai impedir de estamos entretidos durante todo o filme e com o fantástico desempenho de Tom Hardy então é completamente impossível não gostar do que estamos a ver!

Nicolas Winding Refn é definitivamente um realizador com muito estilo (Drive, Only God Forgives) que gosta de histórias interessantes e bizarras. Bronson é definitivamente um filme "one man show", mas com uma realização muito forte.







Classificação final: 4 estrelas em 5.

Foto do verdadeiro Michael Peterson aka Charlie Bronson

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Crítica: The Poker House (2008)


Este filme foi me recomendado até há muito pouco tempo atrás, pois não fazia ideia da sua existência.

A história de The Poker House está centrada em Agnes, uma adolescente que vive literalmente no inferno. Quando sua adolescência era suposta ser um dos mais felizes tempos da sua vida, tal como qualquer outro adolescente, ela tem que cuidar das suas duas irmãs mais novas, enquanto sua mãe, uma viciada em drogas, álcool e prostituta que não se preocupa com elas. Uma casa deve ser o lugar mais importante e seguro para qualquer criança. É o sitio onde se sentem bem e a salvo, mas este não é exactamente o caso destas três meninas.

As performances são muito boas e mais uma vez a incrível Jennifer Lawrence é capaz de tocar as nossas emoções. Ela fez um óptimo trabalho retratando Anges. Chloe Grace Moretz é tão adorável! Eu não sei ao certo que idade ela teria quando fez este filme, mas já aqui ela estava a mostrar as suas grandes habilidades de actuação. Selma Blair que interpreta a terceira irmã também foi muito boa.

O filme sofre de alguns problemas de enredo, mas as poderosas performances superam isso. O que eu gostei mais no filme é o sentimento de esperança de que ele nos deixa no final. A última cena é absolutamente doce e bonita e depois de termos visto um filme muito triste e deprimente ele é capaz de nos deixar com um sorriso no rosto.

Este filme é baseado numa história verdadeira. A verdadeira história da escritora e realizadora do próprio filme, Lori Petty.




Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Crítica: RocknRolla (2008)


Mais um filme gangsters feito por Guy Ritchie, mas depois de dois filmes anteriores incríveis em torno do mesmo mundo de roubos e fraudes as coisas começam a ficar um pouco repetitivas. Não me interpretem mal, pois este filme não é mau de todo, apenas é algo que não é novo e já vimos antes.

Acho que o que faz Lock, Stock and Two Smoking Barrels ser diferente de Snatch é o facto de que apesar de estarem dentro do mesmo género, seguindo praticamente a mesma linha em termos de enredo, é os personagens hilariantes que cada um tem. Neste os personagens também são muito interessantes, mas parece que estamos a ver uma mistura dos outros dois, onde o brilho de seus enredos aqui não é tão bem executado tornando-se por vezes até um pouco confuso.

Em RocknRolla a atmosfera é um pouco mais sombria e não conseguiu ser tão engraçado como os outros dois, mas ainda assim tem momentos muito divertidos. Todos os aspectos técnicos são mais uma vez de salientar, pois o estilo de Guy Ritchie está sempre bem presente.

Em termos de performances não há muito a dizer, quando há nomes como Idris Elba, Tom Hardy, Mark Strong e Tom Wilkinson envolvidos. Todos grandes actores, muitas vezes não tão reconhecidos como deveriam ser. Eu não sou uma grande fã de Gerard Butler, mas confesso que gostei de vê-lo aqui. Neste filme ele fornece duas das melhores cenas de dança que eu já vi no cinema, uma com Thandie Newton e outra (ainda melhor haha) com Tom Hardy.

No geral, muito bom mas não tão impressionante por causa do material que já fora usado em demasia.




Classificação final: 4 estrelas em 5.

sábado, 5 de abril de 2014

Crítica: Il Divo (2008)


Eu não estava familiarizada com esta parte da História Italiana, eu nunca tinha ouvido falar sobre Giulio Andreotti e sua posição como político no Partido da Democracia Cristã na Itália, que posteriormente o levou a posições importantes na vida política da Itália, por exemplo, sendo Primeiro- Ministro sete vezes, entre 1972 a 1992. Andreotti foi acusado por ter ligações com a máfia, entre outras coisas, mas nada nunca foi provado. Ele estava acima de tudo e todos.

Mesmo sem saber ou talvez mesmo que alguém nem sequer se preocupe com a História política Italiana, Paolo Sorrentino faz nos querer saber mais sobre isso e vamos querer saber mais sobre quem foi Giulio Andreotti e o que ele fez.

Nunca sendo demasiado óbvio, uma série de eventos são nos apresentados de uma forma que nunca ficamos realmente a saber quem fez o quê, mas somos obrigados a ler entre as linhas, colocando as peças do quebra-cabeça por nós próprios.




Depois de ver este filme fiquei com curiosidade e procurei por vários vídeos de Andreotti para ver como ele realmente é na vida real. Toni Servillo mais uma vez prova que ele é um actor magnífico! Este papel é suposto ser uma caricatura, mas ele realmente se parece com Andreotti. Ele quase que parece uma marioneta, a maneira como ele anda e fala, mas o poder que ele transmite de uma forma misteriosa, subtil e um tanto ou quanto estranha, é imenso. Simplesmente um desempenho magnífico!


Este filme é muito elegante como qualquer outro filme de Sorrentino, mas o que eu mais adoro nos seus filmes é não são só estilo, há sempre uma substância imensa sob o trabalho de luz e de camera que é lindo.

O tom sarcástico está presente durante todo o filme. Conforme fui vendo os filmes de Sorrentino fui percebendo que ele gosta sempre de transformar certas coisas que podem ser um pouco mais pesadas dando-lhes sempre um pequeno toque de ironia, especialmente nos temas mais cuidadosos e meticulosos de se falar.

Il Divo é outra grande conquista de um realizador que realmente sabe o que está a fazer.


Classificação final: 4 estrelas em 5.