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domingo, 1 de dezembro de 2019

my (re)view: Luce . 2019

imagem via thespool.net
Vivemos num mundo onde inconscientemente nos julgamos uns aos outros todos os dias, tentando adivinhar o que cada um pensa ou sente quando confrontamos com situações mais delicadas. O melhor de Luce é dar importância a isso mesmo. Durante o filme observamos o jovem Luce (Kelvin Harrison Jr.) a ser questionado e julgado por professores, amigos e família quer sejam essas afirmações sobre as suas acções verdadeiras ou falsas. Pensamos constantemente se os seus sentimentos e atitudes serão sinceros ou produto de uma mente que vê o mundo ao seu redor a fazer lhe imposições sobre a maneira como tem que se comportar, falar e até pensar. E é por isso mesmo que este filme se transforma num retrato tão bom do que a sociedade se está a tornar e da forma como a opinião da sociedade deve ou não influenciar a nossa maneira de estar. Não percebemos bem quem são os heróis ou quem são os vilões quando na verdade somos por vezes moldados aos olhos de outros para agradar a uma maioria. O filme tem um papel muito importante na questão interacial assim como social passando por temas sensíveis da actualidade. É também um filme de excelentes actuações com veteranos como Naomi Watts, Tim Roth e Octavia Spencer a brilhar ao lado da maior estrela deste filme de seu nome Kelvin Harrison Jr. o novato que mostra estar à altura de todos os outros. Luce podia ser só mais uma história sobre um adolescente conturbado, mas eleva-se pelo suspense e forma como mexe connosco emocionalmente. Bem escrito, bem montado, com grandes interpretações e óptima banda sonora, Luce é daqueles filmes que se transformam em experiências cinematográficas que permanecem connosco depois de acabarem.

Classificação final: 4,5/5.

sábado, 14 de setembro de 2019

my (re)view: Swallow . 2019


Suscitou a minha curiosidade depois de algumas críticas que li aquando da sua passagem pelo Sundance Film Festival no início desde ano e quando vi que Swallow faria parte do cartaz do Motelx, não queria perder a oportunidade de o ver. Conta a história bizarra de uma mulher de classe alta que de repente sente uma enorme compulsividade em ingerir os mais variados objectos. Na verdade, toda a estética meio vintage meio avantgarde é aquilo que salta mais a vista. Planos bem filmados, atenção ao detalhe nos cenários, cinematografia absolutamente incrível. Destaca-se também a brilhante e dolorosa (no bom sentido) performance de Haley Bennett que só não envolve mais devido ao insignificante poder de um argumento que podia ter arriscado mais, quer em diálogos quer em storytelling. O desenvolvimento de personagens é muito fraco e fiquei sem saber se o ridículo de algumas situações eram propositadas ou apenas fruto de uma má escrita. Numa história onde o principal é sabermos o porquê de uma compulsão, o filme obriga-nos sempre a focar-nos na vida luxuosa mas triste e vazia que a protagonista enfrenta, tendo sempre mais necessidade de mostrar a vida da dona de casa desesperada do que provocar o espectador ou causar-lhe algum tipo de sentimento perante o desespero daquela mulher cuja estranha vontade acaba por ter um porquê, que quando revelado não causa o impacto devido. Perdemos demasiado tempo com os clichés da família abastada tipicamente americana, quando se queria ver mais a parte psicológica e invulgar da questão.

Classificação final: 2,5/5.

sábado, 6 de outubro de 2018

my (re)view: Pesquisa Obsessiva (Searching) . 2018


Searching saiu com grande buzz do Festival de Sundance desde ano como sendo inovador, conquistando grandes elogios por parte da audiência. O conceito não seria o mais apelativo para mim, mas assim que constatei a forma como o formato está tão bem aplicado percebi que para além de não poder ser mais actual nesta era em que vivemos, também consegue através das maravilhas mas também das artimanhas das novas tecnologias e da internet obter um resultado final quase perfeito criando um ambiente super intrigante e totalmente original, capaz de construir uma história sólida e de agarrar ao ecrã com momentos cheios de suspense que nos deixam à beira de um ataque de nervos. John Cho é um pai desesperado que tenta encontrar a filha desaparecida à cinco dias, recorrendo apenas a explorar as suas redes sociais, entrando em contacto com amigos e conhecidos, conhecendo melhor a rotina da filha através das ferramentas com que todos já não sabemos viver sem. Muito do sucesso desde filme vive da interpretação de Cho, pois é ele que vemos maioritariamente durante todo o filme ora através de ecrã de computadores ou de telemóveis, usando métodos diferentes de apresentar o decorrer da acção, nunca da mesma maneira, impedindo assim a possibilidade do filme se tornar entediante. Colocado ao lado de outras anteriores propostas semelhantes, Searching consegue surpreender com reviravoltas inesperadas e apesar do final ser o esperado as voltas para lá chegar são interessantes e ajudam a criar um grande mistério. A mensagem principal fica claramente transmitida. Todos sabemos que Instagram, Facebook, Twitter, e outros tantos que tal, fazem cada vez mais com que a relações se tornem impessoais e menos calorosas, mas podem ser também uma importante ferramenta. Mistérios da nossa sociedade.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

sábado, 28 de junho de 2014

Crítica: Calvary (2014)


Calvary ou se preferiram Calvário esteve a sua estreia no Festival de Sundance no inicio desde ano. É do realizador e escritor John Michael McDonagh que realizou em 2011 a comédia de humor negro chamada The Guard que teve por sinal boas críticas mas ainda não vi. Tal como na sua estreia como realizador este seu novo filme teve igualmente boas críticas e fiquei logo de olho nele.

O filme começa com o Padre James, o personagem principal da história, num confessionário.  Do outro lado do confessionário está um paroquiano que ameaça matá-lo. Padre James sabe que não fez nada de errado, mas o outro homem afirma ser tido sido molestado por outro sacerdote, quando era criança. Esse padre está agora morto, mas aos seus olhos o Padre James vai ter de pagar por um pecado que não cometeu. Durante toda a cena só vemos Padre James, só ele sabe quem o ameaçou mas perante nós é lançado o mistério...

Um drama muito sombrio e intrigante com um toque de humor negro. Vamos começar a tentar adivinhar quem é o suposto assassino misterioso ao longo de toda a história, e nunca vamos ficar aborrecidos. Todos os personagens são muito peculiares e gostei de todos eles. Performances fortes por parte de todo o elenco, especialmente por Brendan Gleeson que é maravilhoso! Os diálogos são muito bons e há algumas citações memoráveis​​. Com uma excelente banda sonora e as paisagens Irlandesas são absolutamente lindas de se ver! 

Acho que a principal mensagem de Calvary é mostrar como existem bons padres na Igreja Católica e a vingança não faz mudar nada. Também traz à tona o lado de muitas pessoas que, infelizmente, foram molestadas quando crianças e que a sua vida foi arruinada por causa de toda a dor e raiva que sentem. Mas afinal de contas o crime não compensa. 

Algumas perguntas irão flutuar sobre a nossa cabeça quando o filme termina. Perguntas sobre a sociedade, a fé, o abuso, e sobre as boas e as más pessoas deste mundo. Acho que isso é sinal de que acabamos de assistir um bom filme.

Calvary não tem dada de estreia prevista para Portugal. Mas como este infelizmente muitos outros filme independentes não chegam ainda às nossas salas.





Classificação final: 4 estrelas em 5.