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domingo, 1 de dezembro de 2019

my (re)view: Luce . 2019

imagem via thespool.net
Vivemos num mundo onde inconscientemente nos julgamos uns aos outros todos os dias, tentando adivinhar o que cada um pensa ou sente quando confrontamos com situações mais delicadas. O melhor de Luce é dar importância a isso mesmo. Durante o filme observamos o jovem Luce (Kelvin Harrison Jr.) a ser questionado e julgado por professores, amigos e família quer sejam essas afirmações sobre as suas acções verdadeiras ou falsas. Pensamos constantemente se os seus sentimentos e atitudes serão sinceros ou produto de uma mente que vê o mundo ao seu redor a fazer lhe imposições sobre a maneira como tem que se comportar, falar e até pensar. E é por isso mesmo que este filme se transforma num retrato tão bom do que a sociedade se está a tornar e da forma como a opinião da sociedade deve ou não influenciar a nossa maneira de estar. Não percebemos bem quem são os heróis ou quem são os vilões quando na verdade somos por vezes moldados aos olhos de outros para agradar a uma maioria. O filme tem um papel muito importante na questão interacial assim como social passando por temas sensíveis da actualidade. É também um filme de excelentes actuações com veteranos como Naomi Watts, Tim Roth e Octavia Spencer a brilhar ao lado da maior estrela deste filme de seu nome Kelvin Harrison Jr. o novato que mostra estar à altura de todos os outros. Luce podia ser só mais uma história sobre um adolescente conturbado, mas eleva-se pelo suspense e forma como mexe connosco emocionalmente. Bem escrito, bem montado, com grandes interpretações e óptima banda sonora, Luce é daqueles filmes que se transformam em experiências cinematográficas que permanecem connosco depois de acabarem.

Classificação final: 4,5/5.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

flash review : Chuck . 2017


Chuck, de Philippe Falardeau (2017)

Gosto de um bom filme sobre pugilismo. Este estava na minha mira desde o final do ano passado, mas a falta de divulgação fez com que passasse despercebido. Na verdade, não é só esse o seu problema, porque afinal não passa de uma desilusão. Este é o filme sobre o homem por detrás dos filmes Rocky, a verdadeira inspiração de Sylvester Stallone, mas o pobre argumento e a falta de conteúdo - acontece tudo muito rápido, tão rápido que quase que falta lógica à maior parte dos acontecimentos cujo desenvolvimento é nulo - fazem com que Liev Shreiber não tivesse bom material com que trabalhar, num dos que poderiam ter sido dos grandes filmes da sua carreira. Descuidado e sem se preocupar realmente com os factos, todo o filme segue o mesmo caminho e história do seu protagonista, vive à custa do fenómeno Rocky, quando na realidade seria ele o verdadeiro motivo para tal fenómeno. Fica muito aquém de fazer jus a isso mesmo, não conseguindo demonstrar aquele espírito triunfante que se espera em algo do género. Uma tentativa de cópia de outros grandes filmes que abordam temas semelhantes, nomeadamente do cinema de Scorsese.

Classificação final: ★★½

terça-feira, 19 de abril de 2016

Crítica: Demolição (Demolition) . 2015


Parece que 2015 não foi grande ano para Jake Gyllenhaal. Demolition é mais um caso disso. Depois do monte de clichés que é Southpaw e a cambada de gente a mais contida em Everest, foi difícil ver o seu talento constantemente desperdiçado em filmes que não fazem jus ao que é capaz de fazer.

Davis (Jake Gyllenhaal) é um bem sucedido investidor da banca com uma vida de sonho. Quando a sua mulher Julia (Heather Lind) morre num acidente de viação, este sente-se pressionado pelo sogro (Chris Cooper), que por acaso também é o seu patrão, para se recompor do trauma. A verdade é que ao contrario daquilo que todos pensam, Davis parece não se sentir nada afectado pelo trágico acontecimento. Quando escreve uma carta de reclamação para uma empresa de maquinas de venda, começa a criar laços de afecto com Karen (Naomi Watts) a responsável pelo departamento de apoio ao cliente. Através do vazio inexplicável que sente, e da frieza e arrogância com que lida com a perda, Davis começa a conhecer e compreender melhor tudo aquilo que lhe escapava antes da tragédia e também ao ajudar Karen e o seu problemático filho de 15 anos, conseguirá demolir a vida que tinha outrora e aceitar aquilo que é de verdade.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Crítica: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) 2014


Data de Estreia: 08-01-2015

Alejandro González Iñarritu (Babel, Biutiful, 21 Gramas) traz-nos este ano, uma magnífica e ambiciosa obra cinematográfica absolutamente fascinante em todos os sentidos. Muito original e completo, abrange temas como a fama e a forma como Hollywood trata e idolatra os seus actores. Apesar de nos fazer visitar os bastidores daquilo que é a vida de um deles (um actor que já não vive os seus dias de glória) também nos mostra um lado profundo e sentimental de um homem comum que no fundo só quer ser reconhecido por todo o seu trabalho.

Riggan Thomson (Michael Keaton), um actor que em tempos interpretou um super herói (que dá pelo nome de Birdman), quer voltar aos velhos tempos de glória e mostrar o que realmente vale, numa peça da Broadway, adaptada, dirigida e actuada por ele. Thomson acha que nunca lhe deram o seu devido valor e está finalmente na hora de se descolar do papel que não se quer descolar dele.

A cinematografia é algo absolutamente incrível, criando a impressão de que está filmado em plano sequêncial do inicio ao fim, acabando por nos dar também uma maior proximidade com os personagens, fazendo-nos sentir como se estivessemos ao seu lado constantemente, enquanto é feito um estudo fantástico sobre de cada um deles. A banda sonora, também é outros dos aspectos que é importante frisar, contribuindo também para toda a originalidade que paira sobre o filme.

Michael Keaton intrepreta aqui uma das personagens da sua carreira, numa performance excelente, extremamente vulnerável e profunda. Facto curioso é que também esta história tem semelhanças com a própria carreira de Keaton, que está bem marcada pelas suas duas interpretações na pele de Batman, por duas vezes, entre 1989 e 1992. Com um elenco de luxo, que é capaz de nos dar grandes performances secundárias, conta com actores como Edward Norton, Emma Stone, Zack Galifianakis ou Naomi Watts que ajudam a dar ainda mais enfase e cor a todo este drama de vida da personagem de Keaton, também eles estão a lutar contra algum tipo de problema interior, o que os faz conectarem-se a um nivel mais íntimo.

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é sem dúvida um filme que merece ser experiênciado mais que uma vez, pois acredito que iremos conseguir aprecia-lo ainda melhor e encontrar elementos que nos escaparam na primeira visualização. Este é sem dúvida um dos, se não "o", melhor de 2014. Genial.








Classificação final: 5 estrelas em 5.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Crítica: Um Santo Vizinho (St. Vincent) 2014


Data de Estreia: 23-10-2014

Bill Murray salva um filme que poderia ter sido só apenas mais uma comédia cheia dos clichés do costume. Como grande actor que é, consegue carregar em si toda a história do filme e todas as suas cenas são absolutamente deliciosas!

Um Santo Vizinho é uma divertida comédia que conta a história de Vincent (Bill Murray), um ex-combatente da Guerra do Vietname, já reformado, rabugento, alcoólico e jogador compulsivo. Maggie (Melissa McCarthy), uma mãe solteira acaba de se mudar para a casa do lado com o seu filho Oliver (Jaeden Lieberher) de 12 anos e Vincent acaba por se tornar seu babysitter. E assim começa a nascer uma improvável amizade entre Vincent e Oliver. Derivado ao seu feitio insuportável, Vincent é detestado por todos e aos poucos Oliver descobre aquilo que todos não queriam ver. No fundo Vicent é um bom homem, apenas revoltado mas com um grande coração. No meio disto tudo ainda está metida uma engraçada prostituta russa grávida (Naomi Watts).

Perante um filme com uma história cheia de situações que já vimos em imensos filmes do género, Bill Murray é sem dúvida a estrela que dá vida e o seu carisma transforma esta comédia em algo digno de ser ver, não sendo só mais uma de muitas. O seu personagem está absolutamente bem construido e é impossivel não ficar bem disposto ao ver aquele homem super rabugento no ecrã. Melissa McCarthy que está habituada a ter papeis cómicos de bastante destaque, aqui consegue proporcionar risadas, mas sempre sendo muito mais subtil do que tem sido nas comédias que entrou até então. Chris O'Dowd é muito engraçado com uma performance pequena mas que se destaca no meio de tudo tal como Naomi Watts num papel super improvável, muito diferente daquilo que costuma fazer. O jovem actor Jaeden Lieberher e Bill Murray fazem uma equipa muito boa e a quimica entre os dois é notória.

Um Santo Vizinho é um filme cheio de charme que irá aquecer o coração com alguns toques emocionais ao longo do filme e que certamente irá divertir todos, proporcionando vários momentos de boa disposição.






Classificação final: 3,5 estrelas em 5.