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domingo, 13 de outubro de 2019

my (re)view: Joker . 2019


Diziam as profecias de internet que estava a chegar o filme do ano. O falatório começou a ser grande e as expectativas tendiam a crescer. Todd Phillips nunca me caiu bem no goto, mas quando todos remam para a mesma direcção alguma coisa queria dizer. Só que não! Que grande desilusão. Joker foi nos vendido como o "filme baseado em BD mas que não tem nada a ver com os filmes baseados em BD". O tempo passa e passa e Todd Phillips tenta desesperadamente enganar a nossa mente levando-nos a acreditar que estamos a ver algo inédito, mas não estamos. O fraco argumento, a falta de originalidade e a abordagem acerca daquilo que é a doença mental já foi anteriormente muito melhor explorada. A verdade é que Joker não mostra nada de novo e quando muitos o comparam a Taxi Driver ou The King of Comedy é estar a comparar grandes feitos cinematográficos a um filme banal cuja profundidade dada ao personagem Arthur Fleck/Joker não é assim tão complexa nem tanto quanto desejada. O casting errado e tinha sido um flop total. Este filme devia antes chamar-se: Joaquin Phoenix. Ele é a alma de toda a banalidade de argumento que assistimos do inicio ao fim, o brilho e a magnitude transborda e é ele que faz com que o personagem se eleve, transformando-o em alguém com importância, que perturba e sentimos compaixão por si. Acho que por isso mesmo se confundem um bocado os aspectos acerca de se estamos perante um bom filme, pois nem todos têm a capacidade de fazer aquilo que Phoenix fez, mas por mais que ele esteja divinal é impossível ver Joker como a obra-prima que o pintam. Há dois momentos neste filme que definem a importância de existirem actores como Phoenix neste mundo: a primeira vez que o vemos a rir descontroladamente e uma dança que será certamente das melhores cenas a recordar destes anos 10's. Sobre as comparações que têm sido feitos com Heath Ledger nem sequer vou falar, pois acho que são dois tipos de abordagem completamente diferentes. A vontade de transformar isto em "algo mais que um filme de super-heróis" acaba só mesmo por ser isso, uma vontade (nem o Bruce Wayne se safa!). Fizeram-me acreditar que estava à espera de alguma coisa inovadora e isso irritou-me muito. O tempo continuava a passar e nada de relevante acontecia. Já para não falar da pseudo crítica social, utilizando um talk show para a demonstrar, metendo o Robert De Niro ao barulho podia ser que até colasse. É uma pena que o potencial de grandes actores seja desperdiçado em troca de modas que levam grandes massas ao cinema. Obrigada ao Joaquin Phoenix por transformar todo este prato típico em algo mais gourmet. Ele sim merece todos os aplausos do mundo.

Classificação: 3/5.

domingo, 20 de maio de 2018

my (re)view: Nunca Estiveste Aqui (You Were Never Really Here) . 2017


Assoberbado por um espírito bastante misterioso e ao mesmo tempo inquietante, You Were Never Really Here é daquelas experiências difíceis, mas que perduram na memória, onde a violência está presente e onde por vezes temos dificuldade em distinguir o que é realidade do que não é. De atmosfera bastante intensa, transportando uma grande melancolia, a realizadora Lynne Ramsay deixa-nos ser nós próprios a preencher os pedaços no vazio, tornando a experiência ainda mais interessante. Um jogo difícil e complexo sobre um homem de personalidade destrutiva, agressiva, mas doce ao mesmo tempo, que depois de se ter reformado de uma vida às ordens da lei, vive agora à margem resgatando jovens desaparecidas por conta própria. Joaquin Phoenix tem aqui mais uma performance de topo, tendo ganho o ano passado no Festival de Cannes o prémio de melhor actor, título único, depois de infelizmente o filme ter caído no esquecimento de todas as outras atribuições de prémios durante o ano. A força da realização de Ramsay e a impecável performance de Phoenix são o maior triunfo, onde o título faz muito mais sentido quando reflectimos sobre a importância do tema.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

sábado, 19 de setembro de 2015

Crítica: Homem Irracional (Irrational Man) . 2015


Chegou a esperada altura em que Woody Allen faz a sua visita anual ao grande ecrã. O realizador mais produtivo de Hollywood, com uma carreira no cinema desde 1965 mas que nos presenteia desde 1982 com um filme seu por ano, trás-nos desta vez a comédia/mistério Homem Irracional, onde mais uma vez explora a complexidade de uma mente prodigiosa, ao mesmo tempo tão ilógica.

Quando o professor de filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix) chega ao campus da pequena Universidade de Braylin para dar umas aulas, os boatos sobre a sua vida pessoal e profissional são um facto. Este encontra-se perante uma intensa crise existencial, mas tudo começa a ficar mais animado, tentando redescobrir aos poucos uma nova resolução para a sua vida, quando começa a relacionar-se com Jill (Emma Stone) uma das suas alunas. O relacionamento entre os dois torna-se cada vez mais intenso, mas nem o agradável tempo livre que passa com Jill, nem as aventuras com a colega de trabalho (Parker Posey) o parecem animar. É então que mais tarde, surge a oportunidade perfeita para que consiga despertar de novo em si, vontade plena de viver e desfrutar a vida. O crime perfeito.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Crítica: Vício Intrínseco (Inherent Vice) 2014


Data de Estreia: 19-02-2015

Paul Thomas Anderson está de volta com este magnifico Vício Intrínseco, uma comédia negra adaptada do livro crime-noir psicadélico de Thomas Pynchon, onde seguimos o detective privado Doc Sportello (Joaquin Phoenix), que é contractado por uma ex-namorada para investigar o desaparecimento do seu novo namorado, um magnata rico do imobiliário. Rapidamente a investigação complica e é gerado num enorme labirinto, e uma panóplia de personagens invadem a história, cada um com o seu propósito e interesse no enredo.

Com um estilo super 90's o filme é uma mistura absolutamente perfeita do sombrio, misterioso e bizarro, com a California dos anos 70, com atmosfera muito hippie, como pano de fundo. Envolvente e sedutor, leva-nos numa viagem louca onde saltamos frequentemente da realidade para momentos semi-surreais e fantasiados, momentos esses que nos levam a pensar para além do que estamos a ver, interpretando os seus diferentes significados, coisa a que Paul Thomas Anderson já nos têm habituado nos seus filmes. A magnífica cinematografia e banda sonora que se enquadra perfeitamente a cada cena são outras das mais valias do filme.

Joaquin Phoenix tem uma performance absolutamente cativante e divertida, sempre muito bem apoiado pelo elenco secundário (Benicio Del Toro, Reese Witherspoon, Owen Wilson, Katherine Waterston) que se destaca, mesmo os que não têm muito tempo de ecrã. Dos personagens que se destacam mais, não posso deixar de mencionar Josh Brolin que nos proporciona alguns dos momentos mais hilariantes do filme, liderando todas as cenas em que entra.

Vício Intrínseco é sem dúvida mais um dos triunfos de Paul Thomas Anderson. Uma obra vibrante de um dos realizadores mais completos dos tempos modernos, e pelo qual estou sempre ansiosa em saber o que vai fazer a seguir.







Classificação final: 5 estrelas em 5.