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sábado, 7 de maio de 2016

Crítica: Viver à Margem (Time Out Of Mind) . 2014


"Eu não sou ninguém. Eu não existo." - aqui figura todo o significado e importância de Viver à Margem. Uma demonstração crua do quão é difícil sobreviver quando se está à mercê da vida nas ruas. Richard Gere tem andado meio que apagado dos grandes ecrãs nos últimos tempos, mas aqui tem a oportunidade de brilhar, num filme realizado por Oren Moverman, que se foca num estilo mais intimista, onde vamos espreitando vários episódios da vida de um sem abrigo.

A história é passada na cidade de Nova Iorque, onde conhecemos George (Richard Gere), um homem de meia idade, actualmente a pernoitar ilegalmente num apartamento abandonado, prestes a ser despejado pelo senhorio da propriedade. George é sem abrigo, mas agarra-se à vergonha e à culpa de ter ignorado a filha (Jena Malone) durante os anos mais importantes da sua vida. Sem sabermos bem o porquê de se encontrar nesta situação, vamos criando empatia consigo e procurando encontrar as respostas certas. Vemos George passar pelas mais variadas situações e tentamos colocar-nos na sua pele. A luta diária para arranjar um sitio para dormir, algo para comer, ou simplesmente a falta de um lugar a que chame casa. George lá vai deambulando sozinho, tentando encontrar forças para resistir à vida sombria, cada vez com mais falta de esperança.  

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Crítica: The Walk - O Desafio (The Walk) . 2015


The Walk - O Desafio é o mais recente filme de Robert Zemeckis (Trilogia Back to the Future, Forrest Gump, Cast Away) contando a fantástica e verídica história de um aventureiro francês, Philippe Pettit (Joseph Gordon-Levitt). Apaixonado desde cedo pelas artes de rua, em especial pelo equilibrismo, ao ver numa revista uma foto das Torres Gémeas do World Trade Center, decide fazer o impossível. Partir para Nova Iorque e arranjar um plano para ilegalmente conseguir chegar ao topo das torres, atravessando-as no arame.

Narrado na primeira pessoa, Pettit mostra-nos algumas das peripécias mais importantes da sua vida, mas nunca com a devida envolvência. O verdadeiro fascínio surge somente na última meia hora de filme, onde realmente é explorada a premissa e somos transportados para dentro da tela, sendo levados literalmente até ao topo das torres, vivendo todas as emoções ao rubro. Apesar de alguns aspectos relevantes sobre o desenvolvimento do personagem principal, os dois primeiros actos - que abordam a infância e adolescência de Pettit, tal como quais foram as suas motivações e porque ganhou o gosto pelas artes e o entretenimento - acabam por se tornar um pouco repetitivos, fazendo com que a sua duração pareça até maior que aquilo que realmente é.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Woody Allen | Take 38 NYC


Artigo presente na 38ª Edição (New York City) da

É impossível pensar em Woody Allen sem o associar de imediato à cidade de Nova Iorque. Nascido em Brooklyn, em 1935, Woody Allen começou a dar provas do seu grande talento para a escrita apenas com 17 anos de idade. Quando percorremos toda a sua filmografia, vemos que já deu imensas provas do seu profundo amor pela cidade em que nasceu, retractando-a frequentemente em muitos dos seus filmes. A sua filmografia contém até à data 45 filmes (quase metade deles são passados em Nova Iorque, sendo que alguns deles não no seu todo) sendo assim sem sombra de dúvida o realizador mais produtivo dos nossos tempos e um sinónimo de qualidade.

Uma Nova Iorque absolutamente charmosa, romântica e ao mesmo tempo encantadoramente neurótica serve de pano de fundo para que Woody demonstre os assuntos que mais o fascinam nas vidas dos personagens que cria, personagens esses, que lidam constantemente com problemas existenciais. Entre muitas comédias românticas e dramas, o seu foco principal sempre foram as relações entre homens e mulheres, o sentido da vida e também a morte.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Crítica: Taxi Driver 1976 | Take 38 NYC


Review presente na edição nº 38 (New York City) da

Mesmo quem nunca tenha visto Taxi Driver com certeza que se lembra de ter visto algures a famosa cena de Travis Bickle de pistola em punho em frente a um espelho – “Are you talkin’ to me?” – cena essa que define de forma impecável toda a inteligência e metáfora de um dos mais significativos thillers dos anos 70 e um dos melhores filmes da carreira de Martin Scorsese.

Travis Bickle (Robert De Niro) é um homem instável marcado pela guerra. Ele trabalha durante o turno da noite, conduzindo um táxi pelas ruas de Nova Iorque. Aos seus olhos a sociedade está cada vez mais suja e decadente e a sua vontade de mudança alimenta um sentimento violento que cresce mais e mais a cada dia que passa dentro si, sentimento esse que se intensifica quando conhece Iris (Jodie Foster), uma prostituta adolescente que pretende tirar da má vida.

Mais do que um mero filme sobre um ex-veterano da Guerra do Vietnam, Taxi Driver é um estudo psicológico de um homem mentalmente instável, violento e isolado que se identifica com a solidão da noite e se confunde com as ruas da cidade, perante a escuridão e o mistério da noite. A sua mente confusa e agitada torna-o um personagem interessante e ao mesmo tempo perturbador. O argumento escrito por Martin Scorsese com a parceria de Paul Schrader é fantástico, fazendo com que todos os detalhes se complementem para que haja uma lógica gradual na transformação daquilo que é o personagem no início e naquilo que ele se torna quando chegamos ao final e toda a raiva e pensamentos sombrios que Travis tem dentro da sua mente são revelados a pouco e pouco de forma arrepiante.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Crítica: Tudo Bons Rapazes (Goodfellas) 1990 | Take 38 NYC


Review presente na edição nº 38 (New York City) da

Confesso que os filmes de que gosto mais são aqueles que se revelam mais difíceis de escrever. Goodfellas é para mim uma das mais completas obras cinematográficas e um dos filmes de gangsters mais elogiados. Com uma realização impecável e interpretações memoráveis, 25 anos se passaram e Goodfellas continua a ser um clássico intemporal.

Henry Hill (Ray Liotta) narra o decorrer da vida de poder que adquiriu quando decidiu ser gangster - "As far back as I can remember I've always wanted to be a gangster" - diz-nos Henry na famosa frase de abertura do filme, e cedo percebemos que será uma fascinante viagem sobre uma vida de sonho que rápido passa para o lado negro e obscuro da perigosa hierarquia da máfia italiana. Desde a adolescência à ascensão no mundo do crime, vamos acompanhando o seu desenvolvimento, num argumento inteligente e brilhantemente interpretado.