Aqui está mais um exemplo de como uma excelente performance não consegue salvar a inconsistência e fraqueza de um argumento. A Humilhação é claramente o regresso de Al Pacino às grandiosas performances, num papel que inconscientemente ligamos de imediato à sua pessoa. Tal como em Birdman (e ao ver o filme é inevitável não fazer esta comparação) aqui seguimos um actor em gradual decadência na sua carreira e comparando os dois, ambos partilham semelhantes momentos e abordam algumas das mesmas questões, mas infelizmente A Humilhação não consegue entrar sequer no mesmo nível.

Realizado por
Barry Levinson (vencedor do Óscar de Melhor Realizador em 1988 pelo filme
Rain Man, que também ganhou Melhor Filme) e baseado no livro "The Humbling" de
Philip Roth, o filme mostra a decadência do actor Simon Axler (
Al Pacino), que luta contra o envelhecimento e as consequências do mesmo. Com princípios de demência e depois de institucionalizado logo após um acidente durante uma peça na Broadway, Axler regressa com um só pensamento - recuperar a sua antiga glória no mundo da representação. Até então o filme tem o lado negro e honesto de uma mente cheia de dúvidas existenciais que já não sabe distinguir ao certo a realidade do mundo irreal do seu trabalho, mas quando Pegeen (
Greta Grewig) uma rapariga com menos de metade da sua idade entra em cena, tudo se transforma numa espécie de comédia meio neurótica e sem nexo. Ela é uma jovem lésbica que desde muito cedo tem uma grande obsessão por Axler e um romance estranho entre os dois nasce.

Um dos problemas do filme é o facto de ao tentar mostrar um lado demasiado filosófico e de introspecção, se torne confuso demais, com momentos difíceis de perceber o significado ou até de distinguir entre realidade ou fantasia. Isto também pode ser exactamente o seu propósito, mas pessoalmente enquanto espectadora não me consegui conectar com esses momentos. Outra das suas grandes falhas é o facto de não saber aproveitar o talento de actores secundários maravilhosos como é o caso de
Dianne Wiest e
Charles Grodin.
A Humilhação resulta muito bem no que toca à performance brilhante e intimista de Al Pacino representando um homem fragmentado pelo tempo - quase em jeito de autobiografia - mas quase tudo o resto se torna difícil de definir. Venham mais papeis destes, pois independentemente da idade, este senhor ainda tem muito para nos dar.
Classificação final: 2 estrelas em 5.
Data de Estreia: 07-05-2015
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