quarta-feira, 17 de junho de 2020

my (re)view: Da 5 Bloods . 2020


Spike Lee não poderia ter lançado filme o seu novo filme em melhor altura. Com o movimento Black Lives Matter em força pelo mundo na luta pelas questões raciais e de direitos civis, este drama de guerra sobre um grupo de amigos negros que lutaram na guerra do Vietnam é mais uma visão sobre os traumas de guerra nomeadamente na comunidade afro-americana que seria das primeiras a ser enviada para a linha da frente sem grandes hipoteses de escolha. Um grupo de quatro amigos, regressa ao Vietnam para recolher os restos mortais do amigo que acabou por morrer durante a guerra mas também para recuperar um tesouro por lá perdido. Poderá parecer ao inicio um filme muito mais light do que se vem a revelar com o desenrolar da trama, onde a amizade destes veteranos é posta a prova quando começam a acontecer alguns incidentes pelo caminho. Delroy Lindo é quem tem a performance de maior destaque neste filme, mostrando um homem complicado e marcado pelos fantasmas da guerra cujos sonhos foram destruidos logo em tenra idade. Spike Lee usa e abusa da mensagem politica que sempre pretendeu mostrar nos seus filmes, remetendo-as sempre para as questões de direitos civis na america pois a verdade é que poucas vezes cinematograficamente se mostrou o lado dos negros nesta parte da história americana. As escolhas artisticas de Spike Lee são sempre interessantes, onde supostas imagens reais do passado têm o devido significado e a moral da história é uma mistura de beleza e caos que a própria guerra inflinge em todos aqueles que a enfrentam. Depois do grandioso BlacKkKlansman (2018) Spike Lee não se supera, mas continua em altas.

Classificação final: 4/5 estrelas

sábado, 2 de maio de 2020

my (re)view: Ozark season 1, 2 & 3 (2017- ) . 2020

imagem via imdb.com

A cada temporada o buzz era grande, mas foi só à chegada da terceira temporada que finalmente me rendi aos encantos de Ozark. Uma história que de encanto não tem nada ou não fosse sobre uma família que até podia ser outra qualquer, com os problemas de outra qualquer, com o dia-a-dia de outra qualquer com a particularidade de gerir negócios com o objectivo de lavar dinheiro para um dos maiores cartéis mexicanos a operar em Chicago. Se na primeira temporada vemos o desespero da família Byrde para se livrar das garras do cartel, na segunda vemos a sua ascensão nos negócios já com um plano de saída elaborado, com uma terceira temporada a caminho do descontrolo total mas um pouco de ambição à mistura. Cada vez mais mergulhados no mundo do crime a cada episódio que passa, o casal Marty (Jason Bateman) e Wendy (Laura Linney) vão-se ligando a outros personagens cada vez mais complexos e mais loucos e isso também faz com que o interesse nessas personagens todas  e nas suas histórias não se perca. Toda a sua estética bastante sombria ajuda-nos a submergir na trama trágica definindo um estado de espírito. Com um elenco excepcional que excede as expectativas do que esperamos de personagens com as suas características, todos os actores sabem dar-lhes profundidade nas mais variadas situações, principalemente Jason BatemanLaura Linney e Julia Garner que aqui brilha interpretando a jovem criminosa Ruth Langmore. Apesar de ser uma série que no geral é bem elaborada, com dilemas constantes e questões de moral que nos fazem torcer por várias personagens ao mesmo tempo, mesmo quando não seria ético tomarmos partido dessas mesmas personagens, Ozark por vezes não toma as melhores decisões mas curiosamente isso acaba por não nos incomodar. Ficamos facilmente viciados. Posto isto, mesmo não seguindo muitas vezes o caminho que eu gostaria que seguisse, fez me continuar presa a ela a querer mais e mais, com um nível de satisfação elevado no fim de cada temporada. Se ainda não viram e querem começar uma boa série, esta é sem dúvida uma óptima escolha.

Classificação final: 4,5/5 estrelas.

domingo, 12 de abril de 2020

my (re)view: Sorry We Missed You . 2019

via empireonline.com
Ken Loach volta a dar-nos aquele doloroso murro no estômago. Depois do brilhante I, Daniel Blake (2016) em Sorry We Missed You estamos perante mais um drama social, bastante real e credível que nos desgasta e magoa a cada passo que damos rumo ao futuro de uma família de Newcastle que vive com dificuldades financeiras desde a crise de 2008. Ricky, pai de família com poucos estudos e muitas contas para pagar agarra a oportunidade de trabalhar por conta própria para uma empresa de distribuição de pequenas encomendas e mercadorias. Com dois filhos a estudar e a mulher Abbie a trabalhar como cuidadora de idosos, a vida desta família está longe de ser perfeita e a realidade do dia-a-dia é difícil de gerir. Loach tem o dom de nos fazer acreditar nestas histórias porque todas elas são uma realidade e a naturalidade como tudo se desenrola toca a qualquer um que perceba e compreenda as dificuldades de cada um, pois todos nós nos conseguimos identificar com eles em algum momento e sentir compaixão pelo que estão a viver. Tudo parece real, porque na realidade o cinema pode muito bem ser apenas o retrato fiel de muitas vidas. Ken Loach sabe fazer isso melhor que ninguém. Mais um excelente contributo seu para o cinema cujo retrato da realidade se encaixa perfeitamente numa ficção que tem muito, mas mesmo muito de verdadeira ora não estivéssemos todos os dias a lutar contra as consequências de outrora, com um futuro que nos obriga a saber lutar pelas coisas que precisamos para sobreviver.

Classificação final: 4/5 estrelas.

terça-feira, 31 de março de 2020

my (re)view: Birds of Prey (and the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn) . 2020

imagem via variety.com
Derivado a situação dificil que o mundo atravessa, Birds of Prey chega até nós mais depressa do que seria esperado, bem mais cedo até do que provavelmente saíria das salas de cinema. Não é que se pudesse esperar muito deste stand-alone, mas a verdade é que até superou aquilo que estava à espera. Muita da sua força e alegria advém da fantástica performance de Margot Robbie neste papel que é mais desafiante do que possa parecer numa personagem que mistura loucura e diversão mas com uma enorme componente emocional onde a abordagem da doença mental aparece de forma sublimilar. É Harley Quinn que narra a história que temporalmente se passa num cenário pós Suicide Squad (2016) onde a sua relação com Joker terminou e é hora de mostrar o que vale sozinha sem o rótulo de namorada do assassino mais louco de Gotham. Para sobreviver Quinn junta-se a um dos maiores vilões de Gotham, Roman Sionis (Ewan McGregor) mas as coisas descontrolam-se um pouco, ou não fosse ela assim mesmo. A loucura de Harley Quinn é absolutamente bem transportada para dentro deste filme, onde todo o ambiente louco nos remete para as caracteristicas desta personagem da DC Comics, onde a timeline é ela também diferente, as cenas de acção bem coreografadas e a banda sonora a condizer com os momentos. Fica a faltar apenas um background mais coeso das personagens secundárias e também uma maior solidez na narrativa contendo pormenores pouco desenvolvidos. Resta-nos apreciar a loucura de Harley Quinn fabulásticamente interpretada pela talentosíssima Margot Robbie. Podia ser melhor, mas caramba diverte muito!

Classificação: 3/5 estrelas.

terça-feira, 24 de março de 2020

my (re)view: The Invisible Man . 2020

imagem via time.com

É muito difícil surpreender dentro do género do terror hoje em dia, se bem que eu não inseria The Invisible Man propriamente dentro desse género. É mais um thriller de ficção cientifica com alguns sustos à mistura, mas que funciona muito melhor pela mensagem que quer passar do que pelas semalhanças que possa ter com mais um mero filme de terror como aparentemente nos possa parecer. Para quem vá à espera da habitual história de fantasmas e das suas vinganças para além da morte, enganem-se. The Invisible Man consegue ser bem sucedido tomando decisões inteligentes apesar de irmos facilmente ligando os pontos da história. Cecile vive atormentada há muitos anos, presa a uma relação abusiva com Adrian, um riquissimo cientista obssessivo, da qual ganhou finalmente coragem para se ver livre. Já em segurança em casa de um amigo e após saber que o ex-namorado se suicidou, Cecile nunca imaginaria que o seu tormento continuaria mesmo depois do desaparecimento de Adrian. Um filme que vive bastante de silencios e de movimentos lentos ou estáticos de camera que intimidam bastante. Tudo isto mais a fantástica performance de Elisabeth Moss que incorpora na perfeição todo o terror vivido por uma vitima de violência doméstica. Para além da parte ficcional, este é um filme cuja mensagem excede aquilo que a ficção quer mostrar e por isso mesmo Moss faz-nos ganhar um carinho muito especial pela personagem que sofre psicologicamente dia-a-dia e que transparece de forma angustiante todo esse tormento. O realizador Leigh Whannell já é experiente nestas andanças quer do terror quer do sci-fi, mas aqui encontramos uma obra que apesar de alguma previsibilidade vale muito a pena pela experiência e pela forma como mexe connosco utilizando técnicas muito boas para o fazer.

Classificação 4/5 estrelas.

sábado, 21 de março de 2020

my (re)view: Waves . 2019

imagem via empireonline.com
Reacção imediata: wow. Realista, envolvente, absolutamente honesto. Waves não se deixa levar pela forma bonita de encarar as coisas más na vida e mostra como tudo pode desabar de um dia para o outro. É nos contada a história de Tyler um jovem do secundário de uma familia afro-americana de classe média alta, cujos sonhos parecem ter tudo para se concretizar, mas as peças do seu dominó vão cair mais depressa do que ele pode imaginar. Começamos com um ritmo agradável, digno de romance dos tempos antigos, mas a medida que a história de desenvolve vamos escalando de intensidade e percebemos que alguma coisa não está bem como aparentemente parecia estar. A fúria e a raiva acumulada começa a transbordar naquilo que se revela uma experiência angustiante e de ansiedade, mas neste caso no bom sentido. Trey Edward Shults que realizou em 2017 o interessante It Comes At Night, explora aqui todo o tipo de sentimentos ao mesmo tempo que opta por uma estética bastante diferente que por si só também ela conta a história, assim como a sua banda sonora. Kelvin Harrison Jr. é a meu ver uma das jovens promessas de Hollywood, se já me tinha surpreendido em Luce aqui continua a mostrar ao mundo o quão grandioso pode ser. Sterling K. Brown e Taylor Rusell também impressionam bastante, digamos que numa segunda fase deste filme onde lidamos com as consequências duras da dita primeira. Podemos dividir o filme em duas partes, uma absolutamente desgastante e outra mais reconfortante, chegando ao fim com uma sensação de que acabamos de assistir a algo de extrema qualidade, qualidade essa a que a produtora A24 já nos habituou. Daqueles filmes que devia ter visto mais cedo e se o tivesse feito teria entrado no top dos favoritos do ano passado.

Classificação: 4,5/5 estrelas.