terça-feira, 5 de junho de 2018

my (re)view: Sou Sexy, Eu Sei! (I Feel Pretty) . 2018


Contrariando a opinião de muitos que já viram este filme, como mulher consegui encaixar me perfeitamente a nível emocional perante o que vi. Vivemos num mundo onde a imagem vende imenso, onde mulheres que não se inserem em determinados números da balança, não se arranjam ou vestem consoante os padrões da sociedade, são julgadas todos os dias, nos mais variados sítios, tanto por outras mulheres como por homens, fazendo-as sentir feias e indesejadas a nível laboral, intelectual e social. I Fell Pretty, ao contrário de muita coisa que li sobre ele, é um retrato real sobre aquilo a que muitas mulheres estão sujeitas, onde obviamente aqui algumas das cenas são exageradas, e inseridas no género da comédia, mas todas elas com o propósito de demonstrar o mesmo: a pressão da sociedade sobre aquilo que a mulher deve ser principalmente a nível estético. Amy Schumer é o que eu chamo de mulher real, e não poderia haver melhor escolha para este papel. Também ela por vezes julgada no universo Hollywoodesco e das redes sociais, exactamente pelos mesmos motivos. A mensagem mais importante a retirar daqui é que temos de aprender todos os dias a ter mais confiança em nós próprios e o mundo começará também a olhar para nós de forma diferente. Temos que nos aceitar primeiro e a partir daí, todos os outros são obrigados a nos aceitar. A mensagem é inspiradora, mas a originalidade do argumento nem por isso. A história tem o seu quê de What Woman Want, Bridget Jones Diary e até Shallow Hal, com os clichés do costume inerentes a este tipo de histórias. Para quem pensa que vai encontrar Schumer no mesmo registo do engraçadissimo Trainwreck de Judd Apatow engane-se (confesso que ia à procura disso mesmo), pois I Feel Pretty está longe disso e desperdiça muito do seu grande talento. É apenas mais um filme que irá cair no esquecimento, quando poderia muito bem transformar-se uma ode à mulher moderna.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

sábado, 2 de junho de 2018

my (re)view: Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story) . 2018


Mudanças repentinas já a meio do caminho, são sempre indicio de que algo poderá correr mal, e aquando do afastamento de Phil Lord e Chris Miller da realização de mais um snip-off da saga Star Wars só se poderia esperar o pior. Ron Howard entra a bordo e não faz muito mais daquilo que era esperado para Solo: A Star Wars Story. Neste segmento Han Solo é o personagem de destaque, mas a sua história não é afinal tão surpreendente quanto isso, num argumento que joga muito pelo seguro, entretém, mas com menos brilho do que o carisma reconhecido que Solo merece, muito em parte por aquilo que Harrison Ford fez dele. Alden Ehrenreich consegue aproximar-se muito bem do tom e maneirismos de Ford, e descobrimos aqui como Han Solo conheceu Chewbacca, sabemos também como conheceu Lando Calrissian (Donald Glover Jr.), mas sabemos muito pouco do que foi o seu passado enquanto criança e adolescente no planeta de Corellia e também sobre Qi'ra (Emilia Clarke) a personagem mais misteriosa e intrigante desta história, mas que na realidade chegamos ao final sem saber muito mais sobre ela do que sabíamos no inicio. Um dos factos curiosos, é a aposta forte na crítica social e actual sobre a desigualdade entre géneros, que inserido neste mundo era tudo aquilo que menos podiamos estar à espera. No geral, falta-lhe desenvolvimento de personagem e situações. Falta também o brilho especial da saga, que também acabou por faltar a Rogue One. Mas se gostei de ver? Gostei. Apesar de ser apenas razoável, a magia Star Wars fala sempre por si.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

domingo, 27 de maio de 2018

my (re)view: Deadpool 2 . 2018


Holy f*#%$"! sh*t, é impossível não adorar Deadpool! Dentro de um nível completamente diferente de tudo aquilo que já vimos no cinema sobre super heróis, Deadpool é o perfeito anti-herói. Nunca esperei que esta sequela eleva-se a fasquia, mas que pelo menos a mante-se. Foi isso que aconteceu! É completamente impossível ver este filme sem um sorriso patético na cara o tempo todo! Ryan Reynolds é claramente dos melhores castings da história e para além das caras que ficaram conhecidas da primeira grande aparição de Wade Wilson no cinema, juntam-se agora ao grupo Josh Brolin que tem sempre tudo para ser um bom vilão, Zazie Beetz responsável pela elevada dose de girl power e também o jovem Julian Dennison que já tinha brilhado em 2016 num maravilhoso indie de Taika Waititi, The Hunt for the Wilderpeople, que aposto que foi um peso enorme para a escolha deste papel. O que eu mais gosto em Deadpool é que nunca segue regras e aproveita ao máximo as escolhas menos inteligentes a nível de argumento para fazer pouco disso mesmo, tornando o que é banal em algo mais cool e arriscado. Engane-se quem pensar que Deadpool não tem sentimentos, pois desta vez vemos o seu lado mais sentimental e profundo, com uma componente mais sombria e emocional, mas que por sua vez proporciona por isso mesmo momentos ainda mais gloriosos e cheios de acção, ou não fosse o seu realizador, David Leitch também ele responsável por John Wick. Está também bastante presente o conceito de família, união e amizade que não encontrávamos no primeiro filme. É raro quando uma sequela ultrapassa a qualidade do filme original, mas é certo que este não desaponta. Um elenco peculiar, para personagens peculiares, que resulta na perfeição onde Reynolds steals the show com uma perna às costas.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

domingo, 20 de maio de 2018

my (re)view: Nunca Estiveste Aqui (You Were Never Really Here) . 2017


Assoberbado por um espírito bastante misterioso e ao mesmo tempo inquietante, You Were Never Really Here é daquelas experiências difíceis, mas que perduram na memória, onde a violência está presente e onde por vezes temos dificuldade em distinguir o que é realidade do que não é. De atmosfera bastante intensa, transportando uma grande melancolia, a realizadora Lynne Ramsay deixa-nos ser nós próprios a preencher os pedaços no vazio, tornando a experiência ainda mais interessante. Um jogo difícil e complexo sobre um homem de personalidade destrutiva, agressiva, mas doce ao mesmo tempo, que depois de se ter reformado de uma vida às ordens da lei, vive agora à margem resgatando jovens desaparecidas por conta própria. Joaquin Phoenix tem aqui mais uma performance de topo, tendo ganho o ano passado no Festival de Cannes o prémio de melhor actor, título único, depois de infelizmente o filme ter caído no esquecimento de todas as outras atribuições de prémios durante o ano. A força da realização de Ramsay e a impecável performance de Phoenix são o maior triunfo, onde o título faz muito mais sentido quando reflectimos sobre a importância do tema.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

my (re)view: Um Lugar Silencioso (A Quiet Place) . 2018


Quando um filme contém tudo aquilo que um género deve ser. Bem vindos a um cenário pós-apocalíptico não muito distante, onde reina o silencio e todos aqueles que se atreverem a fazer qualquer som se condenam automaticamente a um fim. Algures nos Estados Unidos, conhecemos uma família das poucas que parecem resistir aos novos tempos, cuja união faz a sobrevivência, mas o medo acaba por liderar as suas vidas. O grandioso trabalho tanto dos actores como da edição de som, fazem com que seja meio caminho andado para o sucesso deste filme, cuja história é inquietante do inicio ao fim, cheia de grandes interpretações e uma cinematografia de tirar o fôlego, criando por si só uma envolvencia interessante deixando o espectador com uma ansiedade tremenda pelo que está por vir. A Quiet Place segue claramente outras referencias do suspense/horror, mas fá-lo muito bem e à sua maneira. A tensão e o medo ultrapassam o ecrã e a experiência vale totalmente a pena. Espero que John Krasinski não seja esquecido quando lá para o final do ano se falar do que foi bom cinema durante o ano. Espero também que Emily Blunt comece a ser valorizada mais vezes, pois está mais que provado que já o deveriam ter feito.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

sábado, 28 de abril de 2018

my (re)view: Avengers: Guerra do Infinito (Avengers: Infinity War) . 2018


E eu que estava prontinha para cascar tanto nisto, acabei por sair extremamente surpreendida. A verdade é que não sou propriamente fã destas alianças ao estilo "tudo ao molho e fé em deus", mas parece que desta vez foi diferente. Pensamos que estamos preparados para o que vamos encontrar, mas não. Tanto o primeiro Avengers como Age of Ultron ou Civil War sofriam de coerência entre personagens e momentos, tornando os filmes confusos com uma escrita monótona e sem graça. Acontece que os acontecimentos que aqui nos trazem são muito mais trágicos e leva-nos até um desfecho que para aqueles que como eu, não seguem habitualmente os comic books, surpreende muito, pondo em causa daqui para a frente tudo aquilo que até aqui vimos. Continuo a achar a duração destes filmes desnecessária, pois não precisava de três horas para ficar ou não convencida, mas todos os momentos entre Thor/Guardians of the Galaxy, Stark/Strange ou Thanos/Gamora são grandiosos, já para não falar do humor inerente a todos eles, apesar da carga dramática mais associada à team Captain America. Afinal a aposta mais ambiciosa da Marvel até agora não foi um fiasco como esperava e quer se seja fã ou não, o impacto final está lá. Stand alone's à parte, finalmente estiveram dispostos a correr riscos e por isso mesmo as coisas resultaram melhor.

Classificação final: 4 estrelas em 5.