terça-feira, 19 de março de 2019

my (re)view: Bucha & Estica (Stan & Ollie) . 2019


Todos sabemos ou já ouvimos falar de quem foram Bucha e Estica, mas não sei até que ponto é que todos saberíamos da faceta após a sua era dourada. Stan & Ollie conta a história dos anos menos gloriosos de uma das duplas de comédia mais bem sucedidas de sempre e dos obstáculos que tiveram de enfrentar para não cair no esquecimento que a mudança que uma nova era lhes trouxeram. Steven Coogan e John C. Reilly interpretam maravilhosamente este duo celebrando a sua amizade e importância no mundo artístico, demonstrando ao longo do filme a forma como se dedicavam e interagiam criativamente nos seus trabalhos. Pena que siga o caminho completamente usual da maioria dos biopics, com alguns dos clichés do costume. Apesar disso, os dois actores completam o simples enredo com as suas performances, dando-nos momentos muito bonitos de assistir sob um olhar carinhoso e absolutamente delicioso de se ver que não deveria, mas provavelmente vai passar ao lado de muita gente.

Classficação: 3,5 estrelas em 5.

segunda-feira, 18 de março de 2019

my (re)view: Triple Frontier . 2019


J C Chandor, responsável por filmes como Margin Call, All is Lost e o magnifico e muito subestimado A Most Violent Year regressa este ano pela mão da Netflix com Triple Frontier. Um heist movie sobre o roubo de milhões de dólares da casa de um poderoso traficante de droga colombiano efectuado por ex soldados de topo que se reúnem aparentemente para o plano perfeito. O elenco é composto por Oscar Isaac, Ben Affleck, Pedro Pascal, Charlie Hunnam e Garrett Hedlund que alcançam uma dinâmica excelente entre si e fazem assim este filme ter muito mais vida. O tema é comum e já várias vezes apresentado e esse talvez seja o seu calcanhar de Aquiles, a diferença é a forma como o elenco faz com que o interesse nunca se perca e a tensão se sinta no ar mesmo quando os momentos possam ser previsíveis. Também a forma como Chandor o filma faz com que essa tensão e esse suspense se revele constantemente com a ajuda da não menos boa cinematografia. Destaco no elenco o trabalho de Oscar Isaac, sendo a sua personagem a mais importante no enredo fazendo mais uma vez um excelente trabalho, não deixando de elogiar o resto do bando que complementam o grupo. Penso que teria potencial para muito mais se o argumento conseguisse ser um pouco mais original, mas que dentro do comum neste tipo de história se safa muito bem mesmo. J C Chandor não desaponta e quero obviamente continuar a seguir o seu trabalho.

Classificação: 4 estrelas em 5.

domingo, 17 de março de 2019

my (re)view: Vice . 2018


Até parece que me sinto mal por não ter gostado de Vice o quanto pensava que ia gostar. O retrato de Dick Cheney, vice presidente e braço direito de George W. Bush, contado de forma um pouco incoerente e superficial que acaba por não permitir que o elenco brilhe o suficiente mesmo quando todos o tentam fazer dando-nos sem dúvida performances absolutamente fantásticas, perante uma experiência acaba por não encher as medidas. Talvez fosse preferível um ritmo mais lento que obrigasse a mais detalhe, ao invés disso temos um ritmo frenético, que por um lado lhe dá uma certa identidade onde a edição é bem conseguida, mas a constante mistura de períodos temporais faz com que fique a impressão de que se perde a intensidade necessária dos momentos no presente. O desenvolvimento de personagens também fica assim comprometido pela quantidade de coisas que estão a acontecer ao mesmo tempo. Apesar disso adoro o facto de Adam McKay usar a sátira para ilustrar curiosos momentos e até decisões importantes. Chegamos ao fim e fica a sensação de que isto poderia ser um filme grandioso, daqueles em que tudo deixaria uma boa marca já com a bagagem da controvérsia as costas. Soube a muito pouco e isso acabou por se reflectir no seu todo. 

PS: Christian F*cking Bale!!!

Classificação: 3 estrelas em 5.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

my (re)view: Correio de Droga (The Mule)


The Mule, de Clint Eastwood

O cunho "realizado por Clint Eastwood" há muito que deixara de ser referência para mim. Curioso é que acabo por ver sempre o novo filme desta aclamada lenda de Hollywood, que nos últimos anos nada tem feito de especial para nos surpreender. Pois bem, desde Gran Torino que Clint Eastwood já não realizava algo tão bom. Mesmo sofrendo de alguns problemas de narrativa, momentos esperados e diálogos previsíveis, esta história sobre um reformado ex-combatente de guerra de 80 anos que mais ou menos por acaso acaba por se tornar correio de droga, tem bastante humor e acaba por nos oferecer o melhor que Eastwood nos poderia dar: a representação. A sua performance é a alma do filme, interpretando um homem cheio de amargura e arrependimento que tenta desculpar as más acções recorrentes sempre com uma atitude narcisista. Ao longo do filme ficamos cada vez mais rendidos por ele, algo que pensaríamos ser impossível tendo em conta o perfil do personagem e contrariando algumas criticas onde mais uma vez Eastwood é acusado de ser xenófobo e patriota, acho que pela primeira não senti isso dessa forma, pois essa mesma atitude é um reflexo das características evidentes do personagem. Apesar de ser baseado numa história verídica, devemos talvez olhar para o filme como uma sátira às habituais histórias do género pois não deixa de ser insólita. Bastante light e surpreendentemente divertido.

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

my (re)view: À Porta da Eternidade (At Eternity's Gate)


At Eternity's Gate, de Julian Schnabel

"Sometimes I think maybe He chose the wrong time. Maybe God made me a painter for people who aren't born yet"

Focado apenas na fase final da vida de Vicent Van Gogh, At Eternity's Gate representa a época de maior produtividade criativa, mas também a mais negra da sua vida, tendo o filme como objectivo explorar a luta em torno da doença mental e como isso afectou os seus comportamentos e compulsividade a vários níveis. São muitos os momentos em que vemos as coisas sobre o ponto de vista do artista, os quais demonstram não só alguns dos seus demónios mas também as cores vibrantes e os seus futuros objectos de estudo existindo uma ligação muito forte aos seus rasgos de talento assim como às dúvidas constantes sobre o seu valor como criador de arte. Umas das cenas mais belas deste filme é protagonizada pelo próprio Van Gogh brilhantemente interpretado por Willem Dafoe e por Mads Mikkelsen interpretando um padre, onde ambos tentam compreender as motivações de um artista que não conseguiu triunfar durante o seu tempo. Dizem que os grandes génios da humanidade não obtém o reconhecimento em vida, Van Gogh é mais um desses casos. Já Julien Schnabel merece ser elogiado por ter realizado um trabalho que tanto absorve a alma do artista em conjunto com Willem Dafoe cujo o percurso de actor deveria ser mais vezes reconhecido e há mais tempo. Nunca é demais saber apreciar obras destas, biopics que ainda são capazes de arriscar sem seguir a linha comum de narrativa que os caracteriza.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.