terça-feira, 21 de novembro de 2017

Crítica: Liga da Justiça (Justice League) . 2017


Mais um filme de super-heróis sem grande relevância, mas que apela ao entretenimento. Patty Jenkins fez este ano com Wonder Woman, tudo aquilo que Zack Snyder foi incapaz de fazer por Man of Steel ou por Batman v Superman. Jenkins voltou a dar alma aos filmes da DC Comics, alma perdida desde os tempos de Nolan, ainda que num tom muito menos dark. Justice League consegue ser mais equilibrado, mais tolerável de se ver, com momentos bons, mas também com momentos maus e desnecessários que acabam por afirmar aquilo que continua a acontecer na maior parte dos casos quando falamos deste tipo de filmes.

Enquanto o mundo continua a recuperar da perda enorme de Super-Homem (Henry Cavill), cuja esperança de viver num mundo mais protegido foi totalmente devastada, cabe agora a Batman (Ben Affleck) e Wonder Woman (Gal Gadot) reunir uma equipa de super-heróis para resgatar três "mother boxes", caixas que contêm um poder maligno que pertencem a demónios, liderados por Steppenwolf (Ciarán Hinds) que tem o objectivo de provocar o apocalipse e dominar o planeta. Aos já conhecidos juntam-se Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Cyborg (Ray Fisher). 

domingo, 19 de novembro de 2017

Crítica: Um Crime no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express) . 2017


Ao longo dos tempos, vários têm sido os exemplos de que um bom elenco não é sinónimo de bom filme. Recheado de glamour visual, mas pobre em envolvência e mistério, Um Crime no Expresso do Oriente é baseado num dos mais conhecidos crime novels da intemporal Agatha Christie, cujo resultado desta nova versão é tudo menos aquilo que ela nos habituou. Falta-lhe exactamente o ambiente de suspeita constante característico das suas obras.

O famoso detective belga Hercule Poirot (Kenneth Branagh), por ocasião de mais uma investigação em Istambul, recebe um telegrama para regressar a Londres, marcando de imediato viagem através do seu amigo M. Bou (Tom Bateman) director da linha férrea embarcando com ele no luxuoso comboio Orient Express. Já em viagem, Poirot é abordado pelo mafioso Mr. Rachett (Johnny Depp), que acredita estar a correr perigo de vida, recorrendo aos serviços de Poirot para investigar o caso, pedido que este rejeita. Durante o segundo dia de viagem, o comboio é forçado a parar depois de uma forte derrocada de neve, e aí se descobre que Rachett tinha sido assassinado no decorrer dessa noite. Quando Poirot decide começar a investigar esta estranha morte, começa a perceber que todos os passageiros do comboio têm algum tipo de ligação entre si, assim como misteriosamente têm algum tipo de conexão com o mafioso. Várias teorias surgem, e o perspicaz detective tem pouco tempo para desvendar o caso, tornando-se cada vez mais perigoso permanecer num ambiente de desconfiança. Teria o criminoso entrado e saído do comboio sem ninguém dar por isso? Ou o assassino estaria entre si?

domingo, 5 de novembro de 2017

flash review : The Meyerowitz Stories . 2017


The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach (2017)

É imprescindivel começar a falar deste filme, mencionando em primeiro lugar a pérola que é Adam Sandler, tantas vezes ligado a filmes mediocres, tendo aqui uma excelente performance, sendo quem mais se destaca, quem de tempos a tempos lá se lembra de demonstrar que consegue equilibrar na perfeição a tragédia e a comédia deixando-nos a todos replectos de estupefacção. Noah Baumbach é cada vez mais uma extensão de Woody Allen, preveligiando Nova Iorque a cada filme que passa e tornando-a sempre interessante, associada quase sempre a um estilo de vida frenético e ao tipo de pessoas cujos laços familiares são dos mais disfuncionais possíveis. Um estudo sobre várias gerações e aspirações de vida, onde a arte da vida se reflete sempre nos valores que nos são transmitidos e naquilo que fazemos para poder mudar isso a nosso favor. Dustin Hoffman é um pai longe da perfeição, cujos filhos Sandler, Ben Stiller e Elizabeth Marvel, tentam uma aproximação agora que o pai caminha para uma idade mais avançada. A tensão e as relações entre pai e filhos é estudada de forma individual, dando-nos a conhecer melhor cada uma das personalidades. Existindo uma grande química entre actores The Meyerowitz Stories faz nos relacionar com algumas situções, ao mesmo tempo que nos faz julgar um pouco algumas das atitudes dos personagens, sempre com toques humoristicos, sem deixar de mencionar por isso mesmo a brilhante Emma Thompson. Um daqueles bons, directamente do mundo maravilhoso dos indie.

Classificação final: ★★★★

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

flash review : A Ghost Story . 2017


A Ghost Story, de David Lowery (2017)

Dificilmente se recupera de um luto e infelizmente em alguma altura das nossas vidas, já passamos por esse sofrimento. Para todos nós, há maneiras de superar a perda, que passam pelos mais variados aspectos, mas será que aqueles que partem, sofram também desse pesar!? A Ghost Story explora aparentemente o outro lado da moeda, o lado de quem parte, imaginando como seria se os espiritos sentissem solidão sem aqueles continuam no mundo dos vivos. David Lowery retrata este conto através da perspectiva de Casey Affleck, um homem que acaba de falecer e vê a esposa Rooney Mara em constante sofrimento, tendo mais tarde de abandonar a casa onde viviam, deixando-o preso naquelas quatro paredes. O ritmo é lento, e envereda por caminhos cujos quais não estamos à espera, sendo muito mais um filme de introspecção do que algo do género "casa assombrada". O twist final é bastante interessante e chegamos até uma ideia mais profunda, que tanto pode explorar a morte como pode tentar explicar afinal o que é o sentido da vida. No entanto, confesso que tinha uma ideia diferente daquilo que me esperava e apesar de não deixar de ser interessante, os rasgos de Malick são um pouco desnecessários e querem torná-lo mais complicado do que aquilo que é.

Classificação final: ★★★½

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Crítica: Amor de Improviso (The Big Sick) . 2017


Mas quem é que não gosta de uma bonita história de amor? O problema hoje me dia, está na abordagem aos personagens e nas situações apresentadas que já pouco ou nada surpreendem. Felizmente existem indies deste género, que ainda nos fazem verdadeiramente acreditar no que é o amor. Tem tanto de comédia como de tragédia, e é das relações familiares, culturais e dos precauços de vida que se faz este filme, fazendo nos adorar esta comédia romântica tanto de forma light como de uma forma mais profunda.

Da história de vida real do casal Emily V. Gordon (no filme interpretada por Zoe Kazan) e de Kumail Nanjiani (que faz de si próprio) nasce o argumento para esta comédia romântica, produzida por Judd Apatow e realizada por Michael Showalter. O projecto já andava há uns anos a ser desenvolvido pelo casal, que escreveu uma espécie de homenagem ao seu relacionamento, relatando uma história de amor um tanto ou quanto estranha, quando Kumail se apaixonou, pela actual mulher Emily, quando esta se encontrava em coma devido a uma infecção súbita bastante grave. Kumail é um motorista da uber, que sonha vir a ser um dia uma estrela de standup comedy. Uma noite, conhece Emily e há química entre os dois. Sem saberem, iriam viver passado uns meses, a experiência traumática que criaria laços fortes e os ligaria emocionalmente de forma muito forte.

sábado, 7 de outubro de 2017

Crítica: Blade Runner 2049 (ou a carta de amor a Denis Villeneuve) . 2017

Quando me preparo para começar a escrever um texto sobre um filme que gosto muito é sempre uma tarefa complicada. Tenho receio de me tornar demasiado exagerada, pretensiosa ou simplesmente que esteja a tentar moldar a minha adoração perante outros. Acho que é sempre mais fácil dizer mal, do que dizer bem, e é nos filmes que me deixam mais arrebatada que sinto essa dificuldade, e mais me faltam as palavras. Não é segredo nenhum, que aqui já várias vezes louvei o trabalho de Dennis Villeneuve, o realizador que rapidamente me fascinou desde o primeiro trabalho que dele vi. Acredito que ele é tudo aquilo que a minha geração procura viver no cinema, o entusiasmo de aguardar pela estreia do filme que queremos imaginar ser a próxima obra-prima que daqui a 35 anos vão continuar a falar. Tal como Ridley Scott transformou o seu Blade Runner, em algo que ainda hoje deixa marca a quem o assiste pela primeira vez, também Denis Villeneuve transformou esta sequela em algo só seu, com cunho pessoal que homenageia o trabalho de um veterano, aperfeiçoado por outro que converte o legado a algo muito superior. A maneira com que a história é respeitada, e os caminhos percorridos são traçados, eleva o espírito Blade Runner a toda uma outra dimensão, ainda mais complexa e mais interessante de ser experienciada, abordando questões sociais e humanas de forma metafórica, mas suscitando muitas outras dúvidas que nos perseguem muito depois do filme ter terminado. É na beleza dos planos, das cores e dos sets, é na forma crua e vulnerável que se apresentam os personagens das suas histórias, é na delicadeza das imagens e dos gestos, é nas palavras que por mais complexas ou confusas que possam ser, tocam de alguma forma. Nunca dúvidei das suas capacidades, mas tinha medo que com um peso destes sobre as suas costas o resultado não fosse propriamente o esperado. Roger Deakins ajudou construir a sua beleza visual, o jogo de luzes que se entranha pelos olhos adentro, e nos absorve para dentro de si. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch formam melodias melancolicas que arrepiam. O casting perfeito que leva Ryan Gosling ao limite e eleva Harrison Ford a um nível que há muito tempo não viamos. É como se Villeneuve conseguisse fazer magia em qualquer coisa em que pegue. 2049 é mais uma prova de como o seu trabalho é um dos mais interessantes que se fazem hoje em dia.

Muitos poderão achar exagero se colocar Denis Villeneuve no mesmo patamar de um Kubrick ou de Scorsese, mas a verdade é que ele consegue deixar me a cada obra sua mais e mais apaixonada pelo seu trabalho e pela genialidade com que consegue transmitir sentimentos e emoções através da lente da sua camera. Muito mais que uma review, esta acaba por ser a minha carta de amor a Villeneuve, tal como 2049 é a carta de amor de Villeneuve para Blade Runner.


Classificação final: 5 estrelas em 5.
Data de estreia: 05.10.2017