quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

my (re)view: Derradeira Viagem (Last Flag Flying) . 2017


Trinta anos depois, três veteranos da guerra do Vietname voltam a encontrar-se pela pior das razões. Quando Larry (Steve Carell) recebe a notícia de que o filho foi morto no Iraque, procura dois antigos amigos, Sal (Bryan Cranston) e Richard (Laurence Fishburne) para lhes pedir auxilio na difícil tarefa que é enterrar o seu único filho. Este reencontro vem trazer à memória muitos dos momentos que passaram juntos, quer tenham sido eles de felicidade ou de extrema dureza emocional. Uma viagem que vai muito além dos kilometros percorridos entre os três, um percurso emotivo de pessoas que estiveram imensos anos separadas mas que têm experiências tão fortes em comum que os liga espiritualmente a um nível muito superior, como se nunca se tivessem separado. Graças às performances do três personagens centrais, cuja química é muito boa, o filme ganha muito mais vida, mesmo perante o seu ritmo lento. Enquanto Steve Carell demonstra mais uma vez que o drama também lhe cai bem, é com Bryan Cranston que temos os momentos mais descontraídos e divertidos do filme, onde Laurence Fishburne se mantém sempre mais reservado, mas representando uma voz da razão. Richard Linklater gosta de retratar o mundo normal, o mundo das relações e mais uma vez consegue ser bem sucedido. Passou meio que despercebido o ano passado, mas é merecedor de destaque.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

my (re)view: Lady Bird . 2017


Em Lady Bird, a jovem talentosa Saiorse Ronan interpreta Christine McPherson, uma irreverente adolescente que se auto-intitula como Lady Bird. A estudar num colégio católico nos subúrbios de Sacramento na Califórnia, Lady Bird quer alcançar muito mais do que aquilo que o futuro lhe poderá reservar. Contra a vontade dos pais, que se deparam com dificuldades monetárias, Christine concorre a uma bolsa de estudo para uma faculdade em Nova Iorque, a cidade das oportunidades. É no último ano de secundário, que vai ter de enfrentar obstáculos, lidando ao mesmo tempo com a família disfuncional e os amigos, enquanto vai aprendendo a crescer com os mesmo. Greta Gerwig escreve e realiza este coming-of-age, que prometia muito mais do que aquilo que foi capaz de me entregar. Um conjunto interessante de situações e personagens, mas que não surpreende de forma diferente de muitos outros coming-of-age do género. Fica notoriamente destacada a presença de Saiorse Ronan, que demonstra mais uma vez que é das actrizes mais interessantes da sua geração. Gostei do que vi, simplesmente fui exigindo sempre mais daquilo que Gerwig tinha para me dar. Existem momentos bastante honestos a nível emocional, mas fica a sensação de que foi apenas mais um filme mediano, de um 2017 mediano, sem grandes surpresas no geral.

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

domingo, 14 de janeiro de 2018

my (re)view: Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri) . 2017


Passados meses do assassinato da filha, sem homicida preso ou qualquer indicio de investigação a decorrer, Midred Hayes (Frances McDormand) decide colocar frases provocatórias em três cartazes à beira de uma estrada, direccionados ao chefe da policia local Willoughby (Woody Harrelson). Quando um dos policias da esquadra (Sam Rockwell) de depara com os mesmos, declara guerra aberta a Mildred, guerra essa que irá contagiar e infectar toda a população da localidade. Martin McDonagh realiza, mas também é rei na escrita, e isso já ficou provado nos seus trabalhos anteriores. Three Billboards Outside Edding, Missouri tem, não só o equilibrio perfeito entre o humor negro e o drama, como um sentimento de raiva que nos transmite o tempo todo, a dureza que é acreditar no mundo cruel em que vivemos, onde as coisas acontecem sem aviso, apanhando nos na curva a cada momento violento, mas sempre com propósito, nunca de forma gratuita, envolvendo cada vez mais a nível emocional, colocando nos na pele de cada um dos personagens, do maior ao mais insignificante, graças às excelentes performances de todo o elenco. Original, imprevisivel, emotivo e brutal na forma como demonstra muito do que está errado no sistema e a cima de tudo no ser humano. Hail McDormand. Hail Rockwell. Por favor escrevam mais papeis significantes para estes dois, eles merecem e muito. Este ano finalmente é vosso! O meu favorito de 2017, visto já em 2018.

Classificação final: 5 estrelas em 5.

sábado, 30 de dezembro de 2017

o meu top 2017 .

Chegou a altura de fazer balanços, e este ano infelizmente não foi dos mais recheados, quer em termos de qualidade, quer em termos de tempo para poder ver tudo aquilo que idealizava ver. Contrariando aquilo que habitualmente faço - pois costumo esperar até Março para fazer um balanço, incluindo todos aqueles supostos filmes da award season - aqui fica - sem ordem em especifico - os que mais gostei de ver no decorrer de 2017.



1. Blade Runner 2049 
2. Logan
3. Get Out 
4. Logan Lucky 
5. Paterson
6. The Big Sick 
7. Ingrid Goes West 
8. Atomic Blonde 
9. Baby Driver
10. Wind River 
11. I Don't Feel at Home in this World Anymore
12. Coco

Menção honrosa para Blue Jay, que na realidade é dos finais de 2016, mas que foi das coisas mais belas e sinceras que vi este ano. 

Apesar deste ser um blog dedicado ao cinema, e à semelhança do que se tem falado a cerca de séries e da sua crescente qualidade, em muitos outros espaços deste género, não posso deixar de dar uma achega as séries que vi este ano e que valeram imenso a pena o tempo que lhes dediquei. Elas foram: Stranger Things, Taboo, Legion, Making a Murderer e Mindhunter.

Que o ano que está a chegar nos traga mais qualidade e diversidade, do que este que nos deixa. Bons filmes!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Crítica: Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi) . 2017

Decidi não me alongar muito, pois derivado ao stress habitual da época festiva o texto já vem com um ligeiro atraso. Muito já foi dito - existindo sempre o contraste fanboy com os olhares dos que gostam mas se conseguem distanciar do amor sentido pela saga - e quem gosta de Star Wars, vibra sempre com Star Wars, mas a ligação com os personagens antigos foi igualmente e inesperadamente fiel em The Force Awakens, fica agora um pouco perdida com a chegada deste novo segmento. O entusiasmo ao darmos de caras com Luke, o saudosismo e pesar quando vemos Leia e o carinho com que olhamos para Chewie, C3PO ou R2D2, é totalmente diferente da ligação com os novos personagens que cada vez mais parecem ser criados para uma nova geração Disney, a mesma que segue fervorosamente o universo Marvel, repetitivo e com pouco conteúdo, que transparece cada vez mais isso nestas versões pós Lucas Films. Rey tem carisma, mas não surpreende da mesma forma. Finn arranjou uma nova amiga, e essa junção não resulta da melhor das formas. Kylo Ren dá mais espaço a Adam Driver para representar, e Mark Hammill e o seu Luke Skywalker é a verdadeira estrela deste filme, com um final esperado mas muito emocionante que faz valer a pena tudo aquilo que fomos vendo até chegar aquele momento, com direito à visita de um velho e saudoso amigo pelo meio, que nos deixa a todos cheios de nostalgia. Star Wars: The Last Jedi é apenas uma extensão de The Force Awakens, mas mais pobre e demasiado longa para o seu conteúdo, ficando encalhado multiplas vezes nas mesmas questões, tentando pelo meio despertar qualquer coisa em nós, na maior parte das vezes recorrendo ao humor, com falhas de equilíbrio entre os momentos mais sérios e esses tais mais goofy. O entusiasmo há de manter-se sempre o mesmo com a chegada de um novo filme, mas não posso negar que existe desapontamento, pois quando já se atingiu o épico, é difícil manter a fasquia, agradando a todos da mesma forma.

RIP Carrie Fisher <3

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.
Data de Estreia: 14.12.2017

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Crítica: Roda Gigante (Wonder Wheel) . 2017


Mais um ano que passa e o entusiasmo por mais um filme de Woody Allen a chegar continua igual. Apesar da crítica ter achado este Wonder Wheel uma autêntica desilusão, a meu ver, este é talvez das coisas mais ambiciosas que já fez, durante os últimos dez anos. Allen tem o seu estilo, e quem vê os seus filmes têm que saber com o que contar. Dizer que é mais do mesmo, é diminuto, este é o seu estilo de narrativa, a sua assinatura, e isso já mais vai mudar.

Wonder Wheel conta a história de quatro personagens cuja vida anda numa roda viva de emoções, nomeadamente a personagem central Ginny (Kate Winslet). Woody Allen regressa à sua cidade, New York, e à sua juventude em Coney Island o eterno parque de diversões, que nos anos 50 estava em pleno auge. Ginny é uma mulher amargurada e extremamente emocional, cuja vida não é aquilo que sonhou, vivendo presa ao passado que poderia ter tido como actriz. Actualmente a servir às mesas num restaurante do parque, e casada com Humpty (Jim Belushi) bastante mais velho que ela, Ginny apaixona-se por Mickey (Justin Timberlake) o nadador salvador da praia. A viver um grande romance de Verão, Ginny não contava com a presença repentina da enteada Carolina (Juno Temple) que cai de imediato nos encantos de Mickey, deixando Ginny cada vez mais insegura e doida de ciumes.