domingo, 8 de julho de 2018

The Incredibles 2: Os Super-Heróis (Incredibles 2) . 2018


É bom, sim é, mas não tão bom quanto o primeiro filme. A Pixar esperou demasiado tempo para reavivar está história, e o seu ponto de partida é exactamente o final onde nos deixaram no original de 2004, talvez sendo esse o maior problema, pois apesar deste estar repleto de humor e muita acção quase em parar, dificilmente consegue surpreender ou arriscar sendo irreverente. Aos 14 anos vibrei com o que vi, e estava convicta de que iria vibrar da mesma forma, mas a verdade é que não foi bem assim. Diverti-me bastante, mas não senti a mesma magia de quando acabo de ver muitas outras obras primas da Pixar. O facto de ser bastante previsível e de se guiar por todas aqueles assuntos actuais, onde o female empowerment é o que importa, dando bastante mais relevo ao papel da Elastic Girl, acaba por fazer com que o restante conteúdo não seja tão interessante assim, levando-nos até um vilão bastante fraco, optando pelos caminhos fáceis e não tão inteligentes quanto a Pixar costuma utilizar, transformando todo o girl power em algo banal. O bebé Jack Jack, acaba por ser a surpresa mais agradável de todas, proporcionando as melhores gargalhadas e os momentos mais inesperados de todo o filme. Depois do lindíssimo Coco, Incredibles 2 não conseguiu ultrapassar expectativas.

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

my (re)view: Hereditário (Hereditary) . 2018


Uma boa experiência de horror, é aquela que nos incomoda e perturba, mesmo quando não estamos perante nada chocante a nível visual. Hereditary está ao nível de muitos bons filmes da era de ouro do género, onde encontramos bastantes semelhanças quer de ritmo, intensidade ou mistério, de muitos dos mais emblemáticos filmes de horror, principalmente do horror psicológico, aquele que mais aprecio. O ambiente mexe connosco só pelo facto de não sabermos ao certo onde vamos chegar, andando as voltas pelo caminho traçado, caminho esse onde o espiritismo e o historial de crenças e atitudes nos fazem ficar baralhados. Os actores impecavelmente são parte do sucesso do filme e são meio caminho andado para esse factor perturbador dar certo. Toni Colette nunca esteve tão bem, numa personagem que aflige só de olhar para ela. Muitas são as pistas por nós ignoradas, levando a um desfecho macabro. Muitos são os momentos de ficar de boca aberta, sem saber como reagir. Mas muitos mais são os momentos em que não aguentamos de tanta tensão sem saber o que vai acontecer a seguir. O mais engraçado é a forma como o realizador Ari Aster brinca com os nossos sentimentos, num filme que não é feito de sustos, mas que usa truques perfeitos que nos levam a pensar que algo mau vai acontecer em breve, criando uma agonia no espectador, mas que logo a seguir e curiosamente se transforma em fascínio, pois tanto queremos que acabe depressa, como queremos revê-lo mais uma vez assim que acaba. Este género parece continuar a surpreender e este vai ser um dos melhores e mais irreverentes do ano.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

terça-feira, 5 de junho de 2018

my (re)view: Sou Sexy, Eu Sei! (I Feel Pretty) . 2018


Contrariando a opinião de muitos que já viram este filme, como mulher consegui encaixar me perfeitamente a nível emocional perante o que vi. Vivemos num mundo onde a imagem vende imenso, onde mulheres que não se inserem em determinados números da balança, não se arranjam ou vestem consoante os padrões da sociedade, são julgadas todos os dias, nos mais variados sítios, tanto por outras mulheres como por homens, fazendo-as sentir feias e indesejadas a nível laboral, intelectual e social. I Feel Pretty, ao contrário de muita coisa que li sobre ele, é um retrato real sobre aquilo a que muitas mulheres estão sujeitas, onde obviamente aqui algumas das cenas são exageradas, e inseridas no género da comédia, mas todas elas com o propósito de demonstrar o mesmo: a pressão da sociedade sobre aquilo que a mulher deve ser principalmente a nível estético. Amy Schumer é o que eu chamo de mulher real, e não poderia haver melhor escolha para este papel. Também ela por vezes julgada no universo Hollywoodesco e das redes sociais, exactamente pelos mesmos motivos. A mensagem mais importante a retirar daqui é que temos de aprender todos os dias a ter mais confiança em nós próprios e o mundo começará também a olhar para nós de forma diferente. Temos que nos aceitar primeiro e a partir daí, todos os outros são obrigados a nos aceitar. A mensagem é inspiradora, mas a originalidade do argumento nem por isso. A história tem o seu quê de What Woman Want, Bridget Jones Diary e até Shallow Hal, com os clichés do costume inerentes a este tipo de histórias. Para quem pensa que vai encontrar Schumer no mesmo registo do engraçadissimo Trainwreck de Judd Apatow engane-se (confesso que ia à procura disso mesmo), pois I Feel Pretty está longe disso e desperdiça muito do seu grande talento. É apenas mais um filme que irá cair no esquecimento, quando poderia muito bem transformar-se uma ode à mulher moderna.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

sábado, 2 de junho de 2018

my (re)view: Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story) . 2018


Mudanças repentinas já a meio do caminho, são sempre indicio de que algo poderá correr mal, e aquando do afastamento de Phil Lord e Chris Miller da realização de mais um snip-off da saga Star Wars só se poderia esperar o pior. Ron Howard entra a bordo e não faz muito mais daquilo que era esperado para Solo: A Star Wars Story. Neste segmento Han Solo é o personagem de destaque, mas a sua história não é afinal tão surpreendente quanto isso, num argumento que joga muito pelo seguro, entretém, mas com menos brilho do que o carisma reconhecido que Solo merece, muito em parte por aquilo que Harrison Ford fez dele. Alden Ehrenreich consegue aproximar-se muito bem do tom e maneirismos de Ford, e descobrimos aqui como Han Solo conheceu Chewbacca, sabemos também como conheceu Lando Calrissian (Donald Glover Jr.), mas sabemos muito pouco do que foi o seu passado enquanto criança e adolescente no planeta de Corellia e também sobre Qi'ra (Emilia Clarke) a personagem mais misteriosa e intrigante desta história, mas que na realidade chegamos ao final sem saber muito mais sobre ela do que sabíamos no inicio. Um dos factos curiosos, é a aposta forte na crítica social e actual sobre a desigualdade entre géneros, que inserido neste mundo era tudo aquilo que menos podiamos estar à espera. No geral, falta-lhe desenvolvimento de personagem e situações. Falta também o brilho especial da saga, que também acabou por faltar a Rogue One. Mas se gostei de ver? Gostei. Apesar de ser apenas razoável, a magia Star Wars fala sempre por si.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

domingo, 27 de maio de 2018

my (re)view: Deadpool 2 . 2018


Holy f*#%$"! sh*t, é impossível não adorar Deadpool! Dentro de um nível completamente diferente de tudo aquilo que já vimos no cinema sobre super heróis, Deadpool é o perfeito anti-herói. Nunca esperei que esta sequela eleva-se a fasquia, mas que pelo menos a mante-se. Foi isso que aconteceu! É completamente impossível ver este filme sem um sorriso patético na cara o tempo todo! Ryan Reynolds é claramente dos melhores castings da história e para além das caras que ficaram conhecidas da primeira grande aparição de Wade Wilson no cinema, juntam-se agora ao grupo Josh Brolin que tem sempre tudo para ser um bom vilão, Zazie Beetz responsável pela elevada dose de girl power e também o jovem Julian Dennison que já tinha brilhado em 2016 num maravilhoso indie de Taika Waititi, The Hunt for the Wilderpeople, que aposto que foi um peso enorme para a escolha deste papel. O que eu mais gosto em Deadpool é que nunca segue regras e aproveita ao máximo as escolhas menos inteligentes a nível de argumento para fazer pouco disso mesmo, tornando o que é banal em algo mais cool e arriscado. Engane-se quem pensar que Deadpool não tem sentimentos, pois desta vez vemos o seu lado mais sentimental e profundo, com uma componente mais sombria e emocional, mas que por sua vez proporciona por isso mesmo momentos ainda mais gloriosos e cheios de acção, ou não fosse o seu realizador, David Leitch também ele responsável por John Wick. Está também bastante presente o conceito de família, união e amizade que não encontrávamos no primeiro filme. É raro quando uma sequela ultrapassa a qualidade do filme original, mas é certo que este não desaponta. Um elenco peculiar, para personagens peculiares, que resulta na perfeição onde Reynolds steals the show com uma perna às costas.

Classificação final: 4 estrelas em 5.

domingo, 20 de maio de 2018

my (re)view: Nunca Estiveste Aqui (You Were Never Really Here) . 2017


Assoberbado por um espírito bastante misterioso e ao mesmo tempo inquietante, You Were Never Really Here é daquelas experiências difíceis, mas que perduram na memória, onde a violência está presente e onde por vezes temos dificuldade em distinguir o que é realidade do que não é. De atmosfera bastante intensa, transportando uma grande melancolia, a realizadora Lynne Ramsay deixa-nos ser nós próprios a preencher os pedaços no vazio, tornando a experiência ainda mais interessante. Um jogo difícil e complexo sobre um homem de personalidade destrutiva, agressiva, mas doce ao mesmo tempo, que depois de se ter reformado de uma vida às ordens da lei, vive agora à margem resgatando jovens desaparecidas por conta própria. Joaquin Phoenix tem aqui mais uma performance de topo, tendo ganho o ano passado no Festival de Cannes o prémio de melhor actor, título único, depois de infelizmente o filme ter caído no esquecimento de todas as outras atribuições de prémios durante o ano. A força da realização de Ramsay e a impecável performance de Phoenix são o maior triunfo, onde o título faz muito mais sentido quando reflectimos sobre a importância do tema.

Classificação final: 4 estrelas em 5.