quarta-feira, 8 de julho de 2015

Crítica: J'ai Tué Ma Mère (I Killed My Mother) . 2009


J'ai Tué Ma Mère foi a estreia cinematográfica do realizador canadiano Xavier Dolan, que com apenas 20 anos realizou, escreveu e é a estrela principal deste filme semi-autobiográfico que explora uma complexa relação entre mãe e filho. Colocando uma tremenda profundidade nas cenas mais intensas e cativando bastante através do aspecto visual, Dolan faz-nos sentir constantemente na pele dos personagens.

Hubert (Xavier Dolan) um rapaz de 16 anos, está a passar por todos os problemas típicos de um adolescente da sua idade. A vontade de ser livre, ganhar a própria autonomia e a descoberta da sexualidade são os factores que mais contribuem para que não consiga ter um relacionamento saudável com Chantale (a fabulosa Anne Dorval), a sua mãe. Enquanto ele vive frustado com o facto de ter tido o pai ausente durante a maior parte da sua vida, e achar que a mãe nunca se esforçou para lhe dar uma boa educação, vivendo as emoções a flor-da-pele, amando-a e odiando-a como quem troca de camisa, ela no seu entender tenta fazer de tudo para lhe proporcionar um bom futuro, quando ao mesmo tempo inconscientemente o culpa, descarregando nele a frustração do peso de ser mãe solteira. Ela ama-o, mas ele não entende. Ele repugna as suas decisões, mas não percebe o quanto a ama.

A honesto e ao mesmo tempo adorável, proporciona um bom balanço entre momentos tensos e de comédia sempre aplicados no contexto certo. Por vezes deprimente por outras super animado, demonstra na perfeição alguns dos momentos de revolta pelos quais já todos passamos durante a adolescência, das alturas em que nos sentimos mais incompreendidos. A interessante cinematografia e edição, fazem com que para além de ser apelativo também é original. A escolha de imagens e banda sonora contrastantes com o cenário ajudam a ilustrar alguns dos pensamentos e estado de espírito dos personagens principais.

J'ai Tué Ma Mère retrata de forma eficaz uma das relações humanas com mais complexidade, a relação humana entre mães e filhos, através de uma obra onde conseguimos sentir a entrega que lhe foi dada. E assim começava a carreira de um dos meninos prodígios do cinema contemporâneo. 

Classificação final: 4 estrelas em 5.

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