Fã de Star Wars, que é fã de Star Wars, fica sempre fascinado com tudo o que vê? Nem sempre. Rogue One: Uma História Star Wars deixa um sabor amargo na boca, quando pelo medo de arriscar, joga apenas pelo seguro, perante uma narrativa pouco fundamentada e um pouco inconsistente. Neste primeiro blockbuster da nova série de spin-offs da Disney, fica a faltar a garra de The Force Awakens (2015) e isso é um aspecto extremamente importante a partir do momento em que agora mais que nunca o universo deverá manter o interesse de todos, pois a cada ano teremos a agradável visita de mais um filme da franquia. Mas será este o rumo que queremos que Star Wars tome?

Algures no tempo entre os eventos passados em
Revenge of the Sith (2005) e
A New Hope (1977) encontramos em
Rogue One um grupo de rebeldes que se junta para roubar os planos maquiavelicos da
Death Star, que já haviam sido comprometidos por Galen Erso (
Mads Mikkelsen), engenheiro de armas Imperial ao comando de Orson Krennic (
Ben Mendelsohn), que o recrutou contra sua vontade para terminar o projecto que causaria o pânico em toda a galáxia. Jyn Erso (
Felicity Jones), filha de Galen, que se viu obrigada a viver escondida e à margem da lei toda a sua vida, acredita que o pai vendeu a alma ao Império, mas ao descobrir quais as suas verdadeiras intenções leva avante o plano de conspiração contra o lado negro da força, estando disposta a liderar o grupo de homens corajosos, também eles dispostos a arriscar a vida por uma causa maior.

Os
trailers já indicavam para uma cuidada imagem visual e uma fiel abordagem dentro daquilo que
George Lucas havia feito na trilogia original, transportando-nos verdadeiramente para os grandiosos primeiros anos de
Star Wars, com visuais e cenários perfeitos, onde aos poucos vão marcando presença vários elementos bem conhecidos assim como os
cameos de ligação entre momentos e determinados espaços. As sequências de acção estão extremamente bem executadas e a cinematografia é deveras bela.
Gareth Edwards sabe certamente o que anda a fazer ao dar a profundidade necessária à magia que é todo o universo
Star Wars. Mas é quando tentamos fazer com que esta história se torne significativa que surpreendentemente percebemos que afinal não o é. Com uma sequência de abertura bastante poderosa, pensamos que estamos prestes a embarcar no caminho certo, mas a falta de desenvolvimento e de uma razão verdadeiramente forte para o que na realidade estamos a ver parece nunca chegar. Falta também o carisma necessário a
Felicity Jones e
Diego Luna para poder carregar a envergadura deste legado. A falta de força e garra presente nestes dois personagens centrais levam a crer que simplesmente foram um enorme erro de
casting, algo que é totalmente compensado pela presença imponente do grande
Ben Mendelsohn e dos divertidos personagens interpretados por
Donnie Yen,
Jiang Wen e
Alan Tudyk que dá voz ao
droid imperial K-2SO. Chegamos ao fim e concluímos que o maior dos seus propósitos era apenas ser um fraco elo de ligação, sem um caminho devidamente traçado, onde são empurradas umas quantas ideias à pressão e é esquecida a importância deste grupo de personagens que poderia ter dado muito mais à história. Sem falar muito sobre o que toca a surpresas, posso dizer que ao menos somos brindados com umas quantas cenas que trazem toda a nostalgia de volta.
Parece que este ficou um bocado mais para o dark side do que propriamente para os lados da Força... Não é certamente um filme mau, mas sabe a pouco, sendo até capaz de deixar um fã a questionar se verdadeiramente seria necessário este tipo de spin-off.
Classificação final: 3 estrelas em 5.
Data de Estreia: 15.12.2016
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