quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Crítica: Milagre no Rio Hudson (Sully) . 2016


Clint Eastwood resolveu transportar para o cinema, mais um feito americano. Milagre no Rio Hudson é baseado numa inacreditável e aterradora história verídica que ocorreu durante aproximadamente 3 minutos. Transformar isso num filme de 1 hora e 50 minutos não seria tarefa fácil, e a verdade é que se revela numa experiência que sabe a pouco.

Chesley "Sully" Sullenberger (Tom Hanks), um piloto veterano da US Airlines, ficou marcado na história da aviação como o herói que miraculosamente conseguiu aterrar o voo 1549 no meio do Rio Hudson, devido à perda de ambos os motores depois um percurso de apenas cerca de 3 minutos. Horas após o incidente, e mesmo tendo retirado com sucesso os 155 passageiros a bordo, Sully e o co-piloto Jeff Skiles (Aaron Eckhart) viam-se interrogados pela National Transportation Safety Board (organização que investiga acidentes de aviação civis, entre outros, nos EUA), que sugeriam que ambos teriam posto em causa as vidas dos tripulantes, tomando a decisão precipitada de aterrar no rio, ao invés de voltar para o aeroporto de LaGuardia de onde tinham descolado. Sully veria agora a sua vida exposta na imprensa, sendo considerado pelo país como um herói, mas sofrendo uma grande pressão psicológica por parte do inquérito interno que apontava para que fosse erro humano e não da capacidade que os motores teriam para regressar em segurança.


A sua maior falha, é a estrutura. Acontecimentos do presente, são intercalados com flashbacks do passado da vida de Sully, assim como a aterragem no Hudson, e à excepção da própria aterragem em si, todos esses elementos não têm força suficiente. Um filme baseado neste acontecimento, não seria de certo fácil de explorar pela simples razão de não haver substância suficiente para sustentar uma boa narrativa, o que o prejudica muito mais que qualquer outra coisa. Perdemos demasiado tempo a tentar compreender o desconforto do capitão, quando nada de extraordinário há para compreender. Um sujeito que acabou de passar por uma experiência traumática, com a agravante de estar a ser investigado por aparentemente ter feito o seu trabalho de forma correcta, não pode certamente estar bem, mas repetir essa ideia insistentemente, todas elas, quase da mesma forma, não é a melhor maneira de nos fazer sentir mais empatia por ele. Apesar disso, essa empatia é na mesma conseguida só e apenas devido à performance de Tom Hanks, mais uma vez impecável, que mesmo com pouco conseguiu fazer muito, ou não fosse ele capaz de fazer de qualquer um! Aaron Eckhart safa-se bem e Laura Linney é desperdiçada numa rota imensa de telefonemas com Tom Hanks, que nada acrescentam na esperança de reforçar a ideia do drama vivido pelo capitão. Optar por um lado mais lamechas e sentimental, também é importante no que toca a este tipo de histórias, mas tudo o que é demais enjoa. É quando chega finalmente a sequência da queda, que as coisas se tornam um pouco mais intensas, com uma sólida sequência que nos assombra muito mais pelo factor humano, do que propriamente pela espectacularidade das imagens, ainda assim a fazer-se sentir bem real. Acaba de forma abrupta tal como começa e mais uma vez, Clint Eastwood não consegue deixar de passar a forte ideia de patriotismo, evocando uma certa presunção de heroísmo que a seu ver só um americano consegue carregar consigo.

Milagre do Rio Hudson comprova que mais uma vez Tom Hanks continua a ser dos actores mais consistentes em Hollywood, mas quando o material não chega, é impossível mesmo para um grande actor carregar o triunfo de um filme centrado na sua pessoa.

Classificação final: 2,5 estrelas em 5.
Data de Estreia: 08.09.2016

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